O excesso de oferta no mercado de sementes de soja segue como o principal desafio para a Boa Safra Sementes (SOJA3). Após dois anos de desequilíbrio entre oferta e demanda, estimado entre 30% e 40%, a expectativa é de que esse cenário se prolongue até a safra 2026/27, mantendo pressão sobre preços e rentabilidade no setor.
Nesse ambiente mais desafiador, a companhia tem ajustado sua estratégia. Antes associada a uma trajetória de crescimento acelerado, a Boa Safra passou a priorizar a preservação de margens, reduzindo planos de expansão de capacidade nos próximos anos. A mudança ocorre em um momento em que, além da sobreoferta, a saúde financeira dos produtores também inspira cautela.
De acordo com analistas da XP, a empresa continua bem posicionada do ponto de vista estrutural, embora a execução recente tenha frustrado expectativas.
“Continuamos vendo a Boa Safra bem-posicionada para manter sua liderança no mercado de sementes de soja”, afirmam. Ainda assim, os analistas reconhecem que o desempenho operacional abaixo do esperado tem impactado a confiança dos investidores.
Boa Safra deve ter trimestre pressionado por margens
Para o quarto trimestre de 2025, a XP projeta um desempenho pressionado. A estimativa é de receita líquida de R$ 984 milhões, o que representa alta de 3% na comparação anual, impulsionada principalmente pela entrega de pedidos anteriormente postergados.
Por outro lado, a rentabilidade deve sofrer deterioração relevante. “Devido ao excesso de oferta de sementes, acreditamos que a companhia foi forçada a vender uma parcela maior do que o antecipado de sementes convertidas em grãos, o que deve diluir margens no 4T”, destacam os analistas.
A projeção é de contração de 600 pontos-base na margem Ebitda ajustada, com o indicador atingindo R$ 67 milhões, queda de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o relatório, a empresa ainda possui espaço relevante para expandir participação de mercado, acompanhando o avanço contínuo da área plantada de soja no Brasil. No curto prazo, porém, os analistas não identificam gatilhos claros para uma reavaliação positiva dos papéis.
“Após dois anos de decepções, acreditamos que a companhia precisa primeiro recuperar a confiança do mercado em sua capacidade de retornar a uma trajetória de crescimento sustentável”, concluem.






