A Auren Energia (AURE3) tem aproximadamente R$ 1,8 bilhão a receber do poder público — e esse montante, até então ignorado pelo mercado, é um dos principais motivos pelos quais o BTG Pactual (BPAC11) decidiu revisar radicalmente sua visão sobre a companhia. O banco elevou a recomendação das ações de Neutro para Outperform, equivalente a uma indicação de compra, e aumentou o preço-alvo de R$ 9,60 para R$ 14,10 — uma valorização potencial de 22% em relação ao nível atual de negociação.
Os recebíveis têm duas origens. A primeira são os créditos relacionados a ativos não depreciados das antigas usinas da Cesp, cujas concessões encerraram sem amortização integral. Em outubro de 2024, a Aneel aprovou os valores a serem corrigidos e reembolsados, e a Auren aguarda a definição dos prazos de pagamento.
A segunda fonte é a aprovação da Lei nº 15.629/2025, que permitirá à companhia recuperar parte das despesas passadas de curtailment — restrições operacionais impostas à geração de energia. Somados, esses créditos equivalem a R$ 1,70 por ação e foram integralmente incorporados ao novo modelo do BTG.
Portfólio de energia reequilibrado
Além dos recebíveis, o BTG destaca a mudança estratégica no balanço energético da Auren. Ao longo do quarto trimestre de 2025, a companhia reduziu sua exposição a preços de energia para 2026 e 2027 — período de maior incerteza — e se posicionou para capturar a tendência de alta dos preços no longo prazo, especialmente em 2028 e 2029. Cerca de 55% da capacidade instalada da Auren provém de usinas hidrelétricas, o que oferece flexibilidade adicional para despachar energia nos momentos de maior valorização.
O banco revisou significativamente suas estimativas de preço de energia: de R$ 190/MWh para R$ 350/MWh em 2026 e aproximadamente R$ 260/MWh num horizonte de cinco anos, com custo de expansão de longo prazo estimado em R$ 240/MWh. Com essas mudanças, as projeções de EBITDA para o período de 2026 a 2030 foram elevadas em média 3,4%.
O BTG reconhece que a Auren ainda carrega alavancagem elevada — relação dívida líquida/EBITDA de 5,7 vezes estimada para 2026 —, mas avalia que a melhora na geração de caixa permitirá uma desalavancagem consistente, com o indicador caindo para 3,5 vezes até 2028.
Entre os riscos monitorados pelo banco estão preços de energia abaixo do esperado, descontrole de custos, desfechos jurídicos desfavoráveis que comprometam o recebimento dos créditos e alocação inadequada de capital. Ainda assim, o BTG conclui que a combinação de recebíveis bilionários, portfólio reequilibrado e melhora na geração de caixa transforma a Auren em uma das oportunidades mais atrativas do setor elétrico brasileiro no momento.
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