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Expansão dos FIDCs cobra análise caso a caso, diz painel na Money Week

Expansão dos FIDCs cobra análise caso a caso, diz painel na Money Week

Painel do evento reuniu SRM, Capitânia e BTG Pactual Asset para discutir seletividade no crédito em um ciclo de juros altos

A eleição de outubro já entrou na conta de quem compra crédito privado. No painel “Seletividade no crédito: quais os sinais de uma boa oportunidade?”, na Money Week 2026, gestores descreveram um ciclo em que o custo do dinheiro deve seguir alto por mais tempo do que o mercado gostaria.

A leitura comum é que o filtro passou a ser o ativo, não a classe. Sob mediação de Carolina Borges, analista de fundos imobiliários da EQI Research, nenhum dos participantes falou em retração, contudo todos descreveram carteiras montadas com mais critério do que há dois anos.

Juros altos por mais tempo entram no cálculo

A dúvida sobre o próximo governo, na avaliação dos gestores, importa menos pelo nome do vencedor e mais pelo que ele sinalizar sobre a trajetória fiscal.

“Independentemente do governante que entrar, o cenário para o ano que vem é desafiador. A manutenção da taxa de juros elevada deve seguir por mais um ou dois anos, e se não houver uma sinalização muito clara do próximo governante, o mercado vai entender que os juros podem subir ainda mais”, disse Marcos Mansur, sócio executivo da SRM.

Cinco anos de política monetária apertada já deixaram marca nos balanços das companhias. Rogério Lino, sócio e head de crédito-infra da Capitânia Investimentos, lembrou que o horizonte à frente também não ajuda, mas rejeitou a ideia de que isso paralise o mercado.

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“Estamos em um momento do ciclo mais cauteloso, depois de cinco anos de juros altos e um horizonte não tão otimista nos próximos três anos. Mas não quer dizer que não dê para fazer crédito. Há setores com os quais dá para trabalhar muito bem”, afirmou Lino.

Previsibilidade de caixa como primeiro filtro

Entre os critérios citados no painel, o fluxo de receita contratado apareceu como o mais decisivo. É o que separa uma empresa que atravessa um aperto de outra que renegocia dívida no pior momento.

“Ter previsibilidade de caixa é o mais importante para qualquer companhia atravessar qualquer crise de crédito. Por isso gostamos de infraestrutura, saneamento, rodovias, em que o pacote de garantias é mais robusto”, apontou o gestor da Capitânia.

Concessões e serviços regulados entram nessa conta por razões óbvias: tarifa definida, contrato longo e ativo real dado em garantia. O preço desse conforto é uma taxa menor, algo que os gestores tratam como troca aceitável no ponto atual do ciclo.

FIDC não é uma categoria homogênea

A multiplicação dos fundos de direitos creditórios nas plataformas de investimento foi o segundo tema do debate. A demanda cresceu rápido, e com ela a chance de o investidor comparar produtos que não têm nada em comum além da sigla.

“É uma variedade muito grande, há FIDC desde infraestrutura até de dívida pessoa física. Cada vez mais investidores precisam entender que, no final do dia, ele não está comprando FIDC, ele está comprando um risco de crédito específico que está lá dentro”, observou Mansur.

A comparação por rentabilidade passada, nesse caso, diz pouco. Dois fundos com o mesmo rótulo podem ter estruturas de cota, originadores e carteiras completamente distintos, o que torna o histórico um indicador frágil.

“Um FIDC é um condomínio, com cotistas seniores ou subordinados, ou cota única. A cautela é saber regulamento, critérios de elegibilidade, para saber o tipo de risco. Tem que entender o que é, quem originou, o que ele compra e quais os ativos que comporta”, alertou o sócio da SRM.

Ler o regulamento antes de olhar a rentabilidade, portanto, deixou de ser recomendação técnica e virou pré-requisito para quem entra na classe pela plataforma.

Incerteza como janela de alocação

Do lado da gestão de fundos, a resposta ao ambiente mais apertado tem sido ajustar a composição da carteira em vez de reduzir exposição. Guilherme Mattioli, sócio e gestor de crédito do BTG Pactual Asset Management, descreveu um desenho defensivo, porém ativo.

“A gente monta a carteira fugindo dos setores mais frágeis. O cenário é mais restritivo, mas a gente enxerga luz, não enxergamos cenário de terra arrasada. Os grandes fundos estão rodando bem”, disse Mattioli.

As companhias, segundo ele, chegaram a este ano com caixa reforçado e postura conservadora diante do calendário eleitoral. Essa liquidez reduz o risco de eventos de crédito no curto prazo e sustenta a leitura menos pessimista do gestor.

“É na turbulência e na incerteza que surgem oportunidades para alocar”, completou.

A volatilidade que encareceu os spreads em 2026 é a mesma que abriu preço em papéis de emissores sólidos. Para os três gestores no palco, o erro não seria comprar crédito neste ambiente, e sim comprar sem saber exatamente o que há dentro da carteira.