Termina aqui a Money Week 2026. Obrigado a todos que acompanharam nossa cobertura nestes dois dias. Nos vemos de novo no ano que vem.
- 28 de agosto
- Momento chave
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Eu vou morrer. Mas eu quero morrer apenas uma vez, em um dia e de forma definitiva. Meu grande projeto hoje é este: morrer apenas uma vez e não em prestações. A velhice é ruim. Por isso, ao menos quero morrer como um sábio. E trabalhando bastante.
As coisas mais valiosas da vida não são imediatas. Às vezes você contrata uma pessoa que só vai performar em 1 ano. Do mesmo modo exercícios físicos, investir em ativos e melhorar sua vida espiritual são ações que, isoladamente, podem não fazer diferença; mas como hábito, sua vida em alguns anos será completamente transformada.
Nós não temos educação financeira como sistema metódico, nem na escola, nem nas famílias. Pensar no futuro constantemente é uma necessidade e também um desafio. É preciso guardar o suficiente para se pensar no futuro, mas também é preciso pensar que o único momento em que se existe é o momento presente.
Temos 5 blue zones no mundo, lugares onde as pessoas passam de 100 anos com mais facilidade. Mas a pergunta é: para quê? Yuval Harari diz que quem nasceu no século XXI viverá, no mínimo, 120 anos. A questão é: o que fazer com essa vida na qual eu tenho muito tempo?
O problema clássico de sucessão é este: morre o pai, nenhum filho foi formado para ser sucessor e começam as brigas. Mas quando se tem essa cabeça de unidade familiar, formação das virtudes e projeto comum, o planejamento financeiro é uma sequência inevitável.
Nós temos que nos preparar para um país que está envelhecendo. No Brasil, o futuro é da geriatria.
Getúlio Vargas cometeu um erro de quem tem poder, seja na família, na empresa ou no Estado: ele não preparou um sucessor. E deve-se preparar um sucessor no apogeu, nunca no declínio.
O trabalho é muito associado ao sentido da vida quando é feito de maneira sacrificada. Mas existe um convite à eternidade quando você se dedica a uma obra maior do que você mesmo.
O setor agro está em um momento de reconhecimento, e vai bombar o mercado de capitais. E as pessoas que conseguirem entender a sazonalidade desse mercado vão ganhar mais dinheiro. Porque como é cíclico, você só precisa ver quando o ciclo tá começando ou terminando.
O agro é 25% do PIB do Brasil, um quarto. Mas no PIB do agro não entra a agroindústria. Trator, colheitadeira estão no PIB da indústria, não do agro. Se a agroindústria estivesse na conta, o agro seria 50% desse país. A gente tem que ter orgulho do agro, é ele que segura a nossa balança comercial.
A experiência, o intangível, hoje está mais presente e é mais longevo do que o produto físico. Veja o desempenho dos maiores gigantes de bens de consumo de alta renda: LVMH, Hermés. Richmont e Kering. Todas elas estão tendo performance negativa enquanto o S&P sobe mais de 10%. Por que? Porque o consumidor deixou de gastar com produtos físicos e está indo para a experiência.
Um dos principais motivos da crise temporária que o agro está vivendo é a taxa de juros. Essa indústria não comporta "CDI +", ela sofre nesse nível de alavancagem.
De acordo com um relatório de um banco suíço, temos 60 milhões de milionários em dólares. Só nos EUA, são mais de 22 milhões. E quantos bilionários? Segundo a Forbes, 3.300. Somente relacionados à IA, foram mais de 44 apenas no ano passado nos EUA. Ou seja: o destravamento de valor é instantâneo. Tem muita riqueza sendo criada ao redor do mundo. E se eu tenho um ecossistema replicável globalmente, minhas chances de longevidade aumentam.
No Brasil, se você pegar o 1% da população, que dá 2.140.000 pessoas, tem renda média mensal de R$27 mil e patrimônio de R$4,6 milhões. Todos, sem exceção, são grandes consumidores dos meus shoppings, dos meus restaurantes e dos meus hotéis. Quando vou para o 0,1% da pirâmide, são 214 mil pessoas: a renda vai para R$96 mil mensais e o patrimônio salta para R$26 milhões. Elas seguem consumindo nos meus estabelecimentos e podem adquirir meus imóveis. Finalmente, se chegar ao 0,01% da população, 21.400 pessoas, o patrimônio médio é de R$ 156 milhões. Então, ainda tem muito espaço para a JHSF crescer.
Em 2020, a JHSF teve sua mais alta capitalização, quando o papel bateu 8 reais, 74% da receita do grupo era desenvolvimento imobiliário – leia-se, incorporação – que é altamente cíclico. Onde estavam os juros do Brasil em 2020? Em 2,25%, o menor nível da história brasileira. Hoje, 70% das receitas da JHSF são do segmento de renda recorrente. Leia-se: hospitalidade e gastronomia, aeroporto internacional executivo, renda residencial e clubes, curadoria marítima e gestão de recursos de terceiros. Em apenas 3 anos, fizemos essa remodelação.
O produtor médio brasileiro tem um problema de gestão. Quando ele ganha algum dinheiro, ele compra ou arrenda terra. Ele dá a entrada, e vai parcelar a diferença da compra em alguns anos, em sacas de soja. O que significa isso? Ele tá sempre alavancado. Qualquer movimento contrário, como clima e preço, vai ter impacto nesse indivíduo.
Liderar uma empresa, ser um CEO, significa ter poder, dinheiro, respeito. E é muito difícil também estar nessa situação. É como se a gente estivesse no banquete e você fosse o filé mignon. E qual é o segredo? Você construir para ser o sal daquele banquete. O sal está lá quietinho, muitas vezes são feitas várias refeições e ninguém vê o sal lá. E algumas vezes alguém lembra e fala ‘chama o sal ali’. Então, a minha construção é para ser o sal. Vou delegando primeiro confiança, depois independência e terceiro, autonomia.
Existe uma visão de que o agro está em crise. Não, o agro está vivendo uma crise, assim como a indústria e o comércio também estão. Fruto do quê? Fruto de uma política de juros de dois dígitos há 5 anos. Uma economia moderna não aguenta esse processo.
Comecem cedo. E não tenham medo de errar. Empreender é que nem treino de futebol. Você vai ser um grande jogador se você empreender todo dia, treinar todo dia. Não é teoria, é prática. Não se joga futebol assistindo a jogos. Vocês querem subir o Everest com quem já subiu o Everest, não com quem sabe tudo do Everest. O empreender é vida real, é prática.
Olhando para o mercado imobiliário, acho que estamos num momento de abertura de grandes oportunidades, apesar de toda a pressão. Antes eram os bancos que captavam as grandes operações, e agora esse fluxo está migrando para o mercado de capitais; isso vai abrir grandes oportunidades para o investidor. Não é uma mudança cíclica, é estrutural. E o investidor pode se beneficiar disso.
A única maneira de construir a sua liberdade, e não a liberdade de tempo, porque muitos empreendedores ainda não tem liberdade de tempo, é por meio do empreendedorismo. O empreendedorismo liberta, gera emprego, imposto para o nosso país. É mais desenvolvimento. Os empreendedores carregam o país nas costas.
Por 50 anos a Japurá vendeu pneus no varejo, mas acabamos sofrendo com a entrada de grandes players nacionais aqui na região Norte. No varejo é muito difícil competir com empresas maiores. Então decidimos focar no B2B e mudar de varejista para atacadista, vendendo pneus para caminhões e máquinas de mineração. Além da margem melhor, nesse segmento é mais difícil para empresas de fora operarem na região Norte. Em dois anos, saímos de 80% do faturamento no B2C para 80% no B2B.
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Eu não sou formado em finanças. Meu bacharelado foi em estudos russos, não muito útil no crédito privado. Minha faculdade foi em direito, que é só um pouco útil. Ou seja, eu nunca estive numa aula de economia. Mas eu acho que a única coisa que você precisa saber no mundo da economia é oferta e demanda. E eu acho que o maior desafio dos grandes fundos é justamente esse: eles estão levantando muito capital e não sabem onde alocá-lo.
O grande erro de o jovem não ser um grande líder não é do jovem, é do pai. Muitas vezes o pai acha que ele é um rei porque batalhou, suou, trabalhou 50 anos e acha que o filho tem que ser um príncipe. Ele quer dar pro filho aquilo que não teve. E bota o filho numa jaula de ouro, cheia de diamante. E aí você, em vez de ajudar o filho, está criando um herdeiro. Homens fracos formam tempos difíceis, e tempos difíceis formam homens fortes.
Como empresa familiar, nosso maior problema é capital de giro, acesso a crédito. Nos últimos anos, nossa área de recebíveis, a parte financeira, se tornou estratégica. A melhor fonte de financiamento para nós não é pegar dinheiro emprestado no mercado...É receber dos clientes inadimplentes e gerenciar bem os recebíveis de longo prazo. É o dinheiro mais barato que você tem, e tá parado ali na mesa.
Para falar de subordinação, de cota subordinada, um dos primeiros pontos do que a gente olha é o alinhamento de interesse de quem está originando o crédito.
O sucessor é diferente do herdeiro: ele quer multiplicar, quer uma história para contar, quer formar outras empresas, ou pegar a empresa do pai dele que faturava milhões e entregar faturando bilhões, empregando mais gente. Mas com a história dele. O que não pode haver é competição (entre pai e filho).
Para analisar a capacidade do gestor é preciso avaliar caráter, idoneidade.
Muitas vezes você vê que a única forma de ganhar mais é trabalhar mais horas, ou majorar o seu preço. Para crescer, tive que ensinar outras pessoas a fazer o que eu faço. Então, você que é médico, dentista, profissional liberal, você pode aprender a transmitir o seu conhecimento e fazer com que mais pessoas trabalhem no seu ecossistema, com base na sua metodologia, ganhando espaço e tamanho.
É muito difícil "parar de vender" para organizar a empresa. É difícil de fazer, não é um resultado que vem da noite pro dia, mas quando assumi, entendi que seria o trabalho necessário para levar o negócio para outro patamar. Em 2021 nós faturamos 80 milhões, no ano seguinte 120 e esse ano algo em torno de 320 milhões. Crescimento de cerca de 4 vezes.
Quando eu olho o Brasil de 30 anos atrás e olho para agora, eu gosto do filme que eu vejo. O Brasil hoje tem petróleo, descobriu a margem equatorial, tem minerais, terras raras e nenhum desastre climático. Então, olhando para tudo o que foi feito no Brasil nos últimos anos, para a mudança da sociedade, eu fico otimista.
Mesmo tendo uma carga tributária alta, as contas do Brasil estão no vermelho. A dívida está crescendo. No meio disso tudo, se a gente não explicar a necessidade de controlar o gasto, o governo vai ter que aumentar a carga tributária. E se ele não conseguir aumentar a carga tributária e nem controlar o gasto, aí a gente volta a uma solução que ninguém quer: mais inflação. Ninguém quer esse Brasil antigo de volta.
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Existe uma notícia boa: depende de nós. A gente está falando de juros por causa de inflação que está ligada ao excesso de gasto público. É bem diferente de 50 anos atrás, em que tínhamos dívida externa e inflação de 1.000% ao ano. Não tem nada disso acontecendo. Vamos terminar esse ano com 5% de inflação e ano que vem com 4%, em um país em que a dívida é local. Se a gente mostrar que vai segurar o gasto, o mercado responde muito rápido.
Os juros começam a cair rapidamente se você sinaliza que vai controlar gasto. Se você fizer conta e falar, a dívida vai crescer nos próximos 1 ou 2 anos, mas vai parar de crescer daqui a dois anos. Os juros param de crescer na hora. O efeito é imediato.
O Brasil hoje é muito melhor do que dez anos atrás. Tem um setor agrícola competitivo, com empresários competitivos, uma produção de petróleo que nos últimos 2 anos cresceu 25% e crescerá todos os anos até o final da década. E o país tem reservas importantes de minerais e terras raras estratégicas para o resto do mundo. Esse país tem tudo para dar certo se a gente fizer o dever de casa.
Sobre as tarifas dos EUA ao agronegócio, nosso principal parceiro comercial é a China. E tem uma coisa muito interessante: se tiver algum tipo de proteção que impacte nossa exportação de commodities agrícolas, é preço mais caro no mundo todo. Então, eu acho que, nisso, ninguém vai querer mexer.
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A economia está perdendo força. O ano de 2027 vai ser o pior em crescimento do Brasil desde a pandemia independentemente de quem vai ser o presidente. Tem como evitar um PIB negativo? Tem. É mostrar um plano muito claro de controle do gasto que permita a todo mundo enxergar que a inflação vai cair mais rápido, e isso pode levar a um cenário de corte mais rápido de juros e evitar uma recessão.
Eu espero que daqui pra frente a gente tenha um diálogo mais profundo entre o Itamaraty e o Governo americano. E que possa reverter esse quadro (tarifário). Ser um aliado do Brasil é bom para para os EUA. É isso que temos que vender.
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Mesmo com o FED mais hawkish, com juro maior, se nós mostrarmos que vamos controlar o crescimento do gasto público, uma coisa pode contrabalançar a outra e fazer bem ao Brasil. Mostrar esses sinais pode nos levar a um cenário de inflação muito melhor, a uma redução de juros e à valorização do real.
Nós fizemos um estudo no BTG que identificou que mais ou menos 40% do crescimento dos juros no Brasil podem ser explicados por juros mais altos nos EUA, que impactaram o mundo todo. Por outro lado, mais da metade do crescimento dos juros no Brasil vem de fatores domésticos, da expansão muito forte do gasto público.
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Daqui para frente, essa contradição entre ser eficiente e levar em conta questões geopolíticas nas decisões de investimento vai nos levar a um mundo de menor globalização e de preços mais caros. E preços mais caros impactam no crescimento.
Até a pandemia, a economia dos EUA era toda pautada no livre comércio. A partir do momento em que ela começa a impor tarifas de importação altas, começa a defender políticas de conteúdo nacional e maior restrição ao comércio, isso causa um tsunami no mundo todo. Por outro lado, isso tem levado vários países a fazer outros acordos comerciais, como por exemplo a assinatura de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
A gente está num mundo em que o conflito geopolítico é maior do que há 6 anos e cada vez mais as decisões de investimento são tomadas sob esse prisma do que em termos de eficiência. É um mundo mais difícil.
A última reunião do Fed teve muita dissidência. A depender dos dados, talvez seja necessário, sim, o Fed aumentar os juros nesses três, quatro próximos meses.
O mercado ficou com muita dúvida da posição do novo chairman do Fed com relação aos juros. Hoje, o mercado se surpreendeu porque a linguagem do Kevin Warsh foi um pouco mais dura. Ele deixou aberta a possibilidade de aumentar juros.
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A debênture incentivada que está financiando um projeto de infra tem um risco menor porque aquele projeto tem um pacote de garantias, ele é regulado. E se o BNDES ancorou aquele projeto, a gente sabe que ele vai ser concluído. Então para o investidor, é um investimento de longo prazo, com pacote de garantias interessante, e com risco mitigado.
O país vai investir mais de 1 trilhão em infraestrutura e energia até o final de 2026, com o BNDES aprovando mais de 300 bilhões. Grande parte disso com debêntures incentivadas, cofinanciando com o mercado de capitais, com bancos privados, mas a gente não precisa carregar essas debêntures longas de 29 aos, 25 aos, até o vencimento. Quando elas tiverem “completion” físico e financeiro, e o risco for bem menor, a gente já tá se estruturando para ser mais ativo também na venda no secundário.
Até 2033 a gente precisa universalizar saneamento. Então está vindo um novo ciclo de investimento. É um setor em que a gente precisa investir ainda mais de 900 bilhões de reais para universalizar o acesso a esgoto no Brasil. Saneamento é um ótimo exemplo de como um marco regulatório destrava investimento. É bom para o país, para a população, e o investidor encontra um setor com receita estável.
O Brasil está vivendo um superciclo de infraestrutura. Entre 2023 e 2026, o país está investindo 1 trilhão de reais no setor. Portos, aeroportos, estradas, energia. E o BNDES está cumprindo o papel dele de fomentar tanto esse investimento quanto o crescimento do mercado de capitais, com os fundos de infraestrutura.
Sabendo que não é possível ter juros reais de 9%, 10% para sempre aqui no Brasil, porque ou o juro vai cair em algum momento ou o país vai dar calote, é uma necessidade começar a explorar o mercado americano, diversificar seu portfólio em um mercado enorme, com potencial imenso de geração de riqueza.
‘Quando eu me olho no espelho, eu me preocupo, mas quando eu me comparo com os outros, eu me tranquilizo’. O Brasil está muito bem, por conta da menor atratividade dos outros. Agora, aqui dentro, você tem muita barbeiragem macroeconômica acontecendo.
Tem uma coisa muito mais relevante acontecendo nos EUA: ao mesmo tempo em que Trump está taxando os outros países, por conta da política fiscal protecionista, ele está desburocratizando, desregulamentação e cortando impostos. Ambiente de negócios está mais amistoso à realização de empreendimentos nos EUA.
Das economias do G-20, Brasil vai ser a menos taxada, então derruba o discurso de que as tarifas ocorrem porque alguém está pedindo por elas nos EUA.
Em economia você não substitui uma coisa por nada. Se você vai tirar dólar, maior fonte de liquidez dos mercados, você precisa de alguma coisa no lugar. Como eu fui presidente do banco do BRICs, me perguntam sempre se não vai ter moeda dos BRICs. Eu respondo: quando agendaram a reunião entre os principais presidentes do grupo para discutir o tema? Isso não vai acontecer, não é do interesse, a não ser quando você está revolucionando o mundo numa faculdade de ciências sociais.
O ticket médio de compra de imóveis pelos investidores brasileiros nos Estados Unidos, que antes era de 1,5 milhão de dólares, hoje está por volta de 500 mil dólares. Imóveis com 100 mil, 150 mil dólares de entrada, e um financiamento que a gente não conhece no Brasil, com valores muito baixos, e fixos por 30 anos.
Tem gente que acha que EUA é potência em declínio, que dólar vai ser substituído e Trump é símbolo dessa decadência. Nesse momento, EUA tem economia maior que a da China, da Alemanha e do Japão juntas. Eu fui um daqueles que, comparando a trajetória de crescimento do PIB americano com o PIB chinês, olhava e dizia ‘daqui a pouco a gente vai ter um eclipse raríssimo, quando um país ultrapassa o outro; achava que em 2028 e 2029 isso iria mesmo acontecer. Mas se você olhar a ‘abertura da boca do jacaré’ entre os dois PIBs nos últimos 5 anos, ela voltou a abrir. Economia dos EUA voltou a crescer muito mais.
Isso é uma coisa incrível que a gente tem visto, a expansão da vida financeira do brasileiro rumo ao exterior. Começa com ativos líquidos, investimentos, e de um tempo para cá, um crescimento enorme de investimento em imóveis, como segunda moradia ou para renda. É incrível a quantidade de brasileiros comprando imóveis em Miami e Orlando. Antes era só o topo da pirâmide que fazia isso, agora a gente vê a alta renda investindo fora também.
Eu acho que a gente vai cada vez mais começar a ver no Brasil os chamados ETFs híbridos, que te dão uma solução de investimento “composta”. Imagine fazer uma carteira de investimentos sugerida dentro de um ETF, em que o investidor apenas vai lá e compra. Fica muito mais fácil para o varejo e traz mais vantagens tributárias ao investidor.
Se eu pudesse fazer ‘leitura de alma’ dos estrategistas chineses, diria que a ideia é: trabalhar para fazer a China o menos dependente possível do menor número de países; e transformar em depende da China o maior número possível de países.
O Brasil não basta mais para a nossa vida. Bastou para os nossos pais, nossos avós, bisavós. Hoje, se você quiser manter seu patrimônio, seu estilo de vida, sua capacidade de consumo e poder de compra, precisa se encaminhar para o investimento internacional.
A China é uma civilização com 4 mil anos de história, confucionista, com muita ética do trabalho, respeito à autoridade e à família. Durante parte importante da experiencia humana, foi a maior economia do mundo. Depois foi ultrapassada pela Revolução Industrial. E, em certo sentido, nesses últimos 48 anos, a China está retomando seu lugar na história como grande economia.
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Para quem não investe nada em ETF, o primeiro passo é: comece com 2 ativos, você pode montar um portfólio preparado para o futuro: um ETF de Tesouro Selic (um Smart Selic) para sua renda fixa brasileira, e um ETF global para sua alocação em renda variável. Pronto, você já está diversificado e já vai ganhar em performance de mais de 90% dos gestores profissionais no longo prazo. Isso é estatístico.
Não vai acontecer com o ETF o que acontece com os fundos listados em Bolsa. Os fundos são fechados e o ETF é um fundo aberto. Então, você não vai ver num ETF, como você vê em FIDCs ou FIIs, uma negociação a 70% do valor patrimonial, digamos. Isso não existe no tipo de ETF que temos no Brasil. Ele estará sempre no valor patrimonial da cota.
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Um ETF que nos surpreendeu, sem dúvida, é o da renda fixa. Obviamente, sabemos que o brasileiro gosta muito da renda fixa, mas a velocidade com que vem adotando os ETFs nos surpreendeu. No fim do dia, a pergunta do investidor é: como ser mais eficiente e ganhar mais dinheiro? Com a mesma alocação, o investidor ganha mais pelo ETF do que comprando o título.
A gente precisa ter fundos maiores, mais pulverizados, fundos de escala, de porte, para atrair novos investidores, não só depender da pessoa física. Cada movimento de crescimento que fazemos nos nossos fundos, estamos buscando o investidor institucional, o global, que tem cabeça mais profissional e investe no longo prazo. Trabalhamos para consolidar os fundos que investem no mesmo segmento para criar fundos maiores e mais líquidos, para dar benefício aos cotistas, um fundo não concentrado, com mais previsibilidade no dividendo, estabilidade no valor da cota, mais conforto em investir, mesmo estando listado, sem precisar ir para o fundo cetipado.
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O momento macroeconômico gera essas distorções. O investidor pensa: "poxa, o CDI tá mais alto, desvaloriza minha cota". A gente tem que olhar assim: o momento está gerando muita oportunidade de mercado. Porque o tijolo, os ativos, eles não perdem valor de um dia pro outro. Então, quando a gente tem um reflexo do macro no valor da nossa cota, a gente tem que olhar isso como o copo meio cheio, como uma oportunidade de buscar retorno, com valor de cota descontado.
Quando você tem uma taxa Selic em 14%, 15%, quem tem dinheiro não quer fazer nada, só renda fixa. Eu já perdi a esperança de falar que a Selic vai cair. Não sei, realmente, se isso vai acontecer no ano que vem. Como já disse, o investidor imobiliário tem duas coisas na cabeça: proteger patrimônio e receber dividendos. Então, nesse cenário, é preciso selecionar muito bem o projeto, para não cair em falácia.
É importante separar FII de papel de FII de tijolo, a única coisa em comum é que são chamados de fundos imobiliários. O FII de papel, no curtíssimo prazo, com os juros neste nível, está difícil de bater CDI. Mas se olhar o cenário histórico, bate. Já o FII de tijolo é para visão de longuíssimo prazo. Quando você vê FII de tijolo pagando 12%, 13% de dividend yield, é um excelente investimento no longo prazo.
O mais importante que o ETF faz é que ele promete uma coisa e entrega essa coisa. Ele não promete muita coisa; ele promete uma ou duas, que é dar acesso a uma exposição com eficiência tributária. Eu costumo dizer que ETF é eficiente, transparente e fácil. Além de barato.
Eu vejo esse cenário, tanto para fundos de tijolo quanto fundos de papel, como uma excelente oportunidade para comprar ativos descontados. Você tem aí o IFIX com um desconto médio de 10%, como um todo. Eu vejo aí uma grande oportunidade.
O cenário macro é desafiador. Como não controlamos juros, inflação, nós gestores precisamos focar naquilo que a gente controla. Garantir que a execução e a gestão do portfólio imobiliário seja bem feita. Estamos aproveitando o bom ciclo de escritórios, o ciclo de logística, que podem dar ótimo retorno lá na frente.
Quando eu comecei a Investo, havia menos 20 ETFs negociados na Bolsa brasileira, sendo que metade deles seguia a Bolsa. Ou seja, não havia opção. Então, a Investo surgiu para dar opção de acesso ao investidor brasileiro em oportunidades inteligentes de construção de patrimônio.
Qual o básico que o cliente busca? Proteção do patrimônio e distribuição constante de dividendos. Estamos sempre atentos a isso nesse momento do mercado.
É tão agressivo o cenário macro que só não temos resultado pior porque no nível micro, a coisa está se defendendo bem. A gente tem que garantir que a gestão do nosso portfólio está sendo bem-feita. Estamos aproveitando as vacâncias, o bom ciclo de logística, giro de portfólio, venda de ativos, e mostramos para o mercado que o valor da cota muitas vezes não condiz com o metro quadrado do ativo por si só.
O palco da Money Week mais uma vez se divide em três. Você acompanha as tudo por aqui.
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Apesar de todos os problemas, eu arriscaria dizer o seguinte: se a gente fizer tudo errado, vai se dar bem. Agora, se a gente fizesse tudo certo, a história do Brasil seria a de um foguete subindo em linha reta. Em poucos momentos da história o Brasil esteve posicionado em um lugar tão favorável. O Brasil não vira a Venezuela, e o mundo já entendeu isso. Países muito grandes são muito difíceis de colapsar.
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Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Temos o maior ativo ambiental do planeta Terra. Somos um grande produtor de energia renovável, e temos a segunda maior reserva dos ativos mais estratégicos do mundo hoje, que são as terras raras. O Brasil não pode entregar a exploração de terras raras para um único país. Tem que ser proibido. Não podemos deixar que empresas chinesas explorem terras raras aqui. Isso tinha que ser uma regra.
Parte do que explica o sucesso dos EUA é o fato de que, na primeira e segunda guerra mundial, a destruição não chegou ao território americano. Se tivermos algo assim, a destruição não chegará no Brasil, estamos em um lugar abençoado.
O Brasil tem uma vantagem gigantesca porque tem energia renovável para dar e vender. Os europeus vão precisar mais de energia renovável e o Brasil está em uma posição muito favorável nesse assunto. Terras raras são a coisa mais estratégica do mundo. E o Brasil tem em abundância. E isso que a gente só mapeou 30% do solo nacional. Então, o Brasil está colocado em um lugar muito especial.
A China já produz "todos" os carros do mundo e quer produzir os tênis da Nike. Ela ainda não produz avião, mas quer dominar todos os setores da indústria. É óbvio que isso não é sustentável não só para os EUA. A indústria automobilística alemã está fechando. Os sindicatos estão pressionando. E qual a resposta da Europa? Tarifas contra a China.
O diretor da CIA foi a Moscou e isso é relevante porque indica que os EUA querem passar um recado claro e direto para o Putin. Tudo indica que o Putin está se preparando para um movimento militar. O mais provável é que seja um país báltico, sobretudo a Lituânia.
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Pensando no agro brasileiro: faz sentido vender tanta soja para a China? Do ponto de vista econômico, claro. Mas e do ponto de vista geopolítico, será que é igual? A China é uma ditadura...O Brasil tem uma dependência gigantesca da China. Geopoliticamente, é um país com grande risco, já que vão querer tomar Taiwan e entrarão em choque com os EUA. Então, o Brasil, sob o ponto de vista econômico, vende tudo o que pode e compra tudo o que pode. Mas sob a perspectiva política, essa conta lá na frente vai chegar.
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Quem quiser estar preparado para lidar com a realidade de hoje precisa incorporar em sua tomada de decisão esses dois riscos: o político e o geopolítico. E isso veio para ficar.
O mundo não gira mais sob a lógica econômica. A geopolítica tomou conta. E não existe raciocínio econômico separado da política. A tomada de decisão racional compara duas coisas, basicamente: custo e benefício. Benefício é propriedade, dinheiro no banco, carro. Custo é a mesma coisa, variando de acordo com a nossa crença e posição política.
A geopolítica tem se tornado cada vez mais relevante, mexendo no mercado e na relação entre os países.
“A gente não pode ficar apático. O recado é que a gente vai ter que falar um pouco de política, fazer as pessoas entenderem por que no mínimo a gente tem que oscilar os poderes de um lado por outro.”
Começa em instantes o segundo dia da Money Week 2026, direto de Balneário Camboriú. No palco estarão Professor HOC, Mansueto Almeida, Leandro Karnal e muitos outros especialistas. Você acompanha a cobertura completa aqui.
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