O crescimento dos ETFs no Brasil não representa necessariamente uma transferência de recursos de outros produtos financeiros, mas acompanha a expansão do próprio mercado de investimentos. A avaliação foi apresentada durante o painel “Revolução dos ETFs: Eficiência, Escala e Acesso”, realizado na Money Week 2026.
A palestra reuniu Cauê Mançanares, fundador e CEO da Investo; Bruno Stein, sócio e head de ETFs da Galápagos; e Nicolas Merola, estrategista de ações da EQI Research. Durante a conversa, os especialistas destacaram que os fundos de índice ganham espaço por oferecerem acesso simplificado a diferentes estratégias, com custos reduzidos, liquidez e transparência.
Segundo Mançanares, parte do crescimento da indústria vem de novos recursos que chegam ao mercado. Nesse cenário, os ETFs se apresentam como uma ferramenta para o investidor construir patrimônio e acessar a performance de diferentes classes de ativos.
“Não estamos tirando dinheiro de nenhum lugar para trazer para os ETFs. É uma consequência do mercado brasileiro de investimentos estar crescendo. É dinheiro novo que está entrando em ETFs porque eles são uma ferramenta eficiente de acesso à performance e ajudam na formação de patrimônio”, afirmou Mançanares.
Eficiência impulsiona crescimento dos ETFs
Os ETFs são fundos negociados em bolsa que normalmente acompanham um índice ou uma estratégia previamente estabelecida. Por meio de uma única cota, o investidor pode obter exposição a uma cesta de ativos, como ações brasileiras, empresas internacionais, títulos de renda fixa, commodities ou criptoativos.
Para Mançanares, a combinação entre transparência, baixo custo, liquidez, performance e eficiência tributária ajuda a explicar o avanço desse mercado. Na avaliação do executivo, os investidores tendem a direcionar recursos para produtos capazes de entregar a exposição desejada de maneira mais eficiente.
“Começa pela transparência, com baixo custo, liquidez, performance e uma eficiência tributária muito grande. Essa classe de ativos está crescendo porque os investidores estão indo para lugares mais eficientes, como os ETFs”, disse.
Além de ampliar o acesso, os fundos de índice também permitem que o investidor conheça com antecedência as regras da estratégia. Diferentemente de produtos cuja gestão pode mudar conforme as decisões do gestor, um ETF precisa seguir a exposição definida em seu regulamento.
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ETF deve ser direto e previsível
Bruno Stein afirmou que uma das principais características do ETF é a capacidade de estabelecer uma proposta clara e cumpri-la. O produto não precisa oferecer diversas promessas ao mesmo tempo, mas entregar com previsibilidade a exposição escolhida pelo investidor.
“O mais importante que o ETF faz é prometer uma coisa e entregar essa coisa. Ele oferece acesso a uma exposição com eficiência tributária e de custos. O ETF é eficiente, transparente e fácil”, afirmou Stein.
O executivo ressaltou ainda que, em muitos casos, o próprio código de negociação resume a estratégia oferecida pelo fundo. Isso torna o produto mais direto em comparação com estruturas financeiras complexas, embora o investidor ainda precise compreender o índice acompanhado, os ativos da carteira e os riscos envolvidos.
Para Stein, a expansão dos ETFs representa um caminho natural de aumento da eficiência no mercado financeiro. A previsibilidade, nesse processo, é essencial para que o investidor saiba qual exposição está contratando e possa utilizar o produto dentro de uma estratégia mais ampla de diversificação.






