O mercado brasileiro de crédito privado ainda está no começo, mesmo depois do crescimento acelerado dos últimos anos. A leitura foi compartilhada pelos gestores reunidos em painel da Money Week 2026, mediado por André Arantes, diretor de assessoria da EQI Investimentos.
O diagnóstico veio acompanhado de ressalva. A abundância de recursos hoje disponível tem relação direta com o patamar da taxa de juros, e não com uma conversão definitiva do investidor pessoa física à classe.
Se a Selic ceder, boa parte desse dinheiro migra. A mesa tratou o cenário atual como uma janela, não como um ponto de chegada.
O que se olha antes de comprar risco
Carlo Moratelli, CEO da More Invest, colocou a avaliação do gestor antes da avaliação do ativo. Antes da planilha, na visão dele, vem a checagem de quem está do outro lado.
“Para analisar a capacidade do gestor é preciso avaliar caráter, idoneidade”, disse Carlo Moratelli.
Michel Rubin, sócio da M8 Partners, aplicou lógica parecida à estrutura dos fundos. Em operações com cota subordinada, aquela que absorve o primeiro prejuízo da carteira e protege os demais cotistas, o filtro inicial é outro.
“Um dos primeiros pontos do que a gente olha é o alinhamento de interesse de quem está originando o crédito”, apontou Michel Rubin.
Mudança estrutural em curso
A entrada da pessoa física no crédito privado deixou de ser movimento passageiro. Os gestores avaliam que o produto se instalou no mercado de capitais brasileiro e que o processo de amadurecimento ainda está em andamento.
O tamanho potencial, no entanto, é maior do que o atual. A mesa apontou que existem tipos de recebíveis circulando sem que o mercado tenha aprendido a precificá-los ou a estruturá-los.
Falta capacidade técnica para capturar essa parte. A recomendação, portanto, é alocar com quem já entende a mecânica do produto.
O alerta que veio junto
Nenhum dos participantes tratou o crédito como aposta sem risco. A frase que sintetizou o tom do painel veio na forma de advertência direta: negócio no Brasil é crédito, mas não é infalível.
Rodrigo Falcão, sócio da Apuama, e os demais gestores convergiram na mesma direção final. Antes de escolher o fundo, o investidor precisa entender o próprio perfil, porque é ele que define quanto tempo o dinheiro pode ficar parado e quanta oscilação a carteira aguenta.






