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Mercado vive “medo e delírio” com o dólar

Mercado vive “medo e delírio” com o dólar

Indicação de Kevin Warsh ao Fed e sinalizações de Pequim alimentam clima de incerteza global

O mercado de câmbio entrou em um clima que lembra o filme “Medo e Delírio”, segundo análise da consultoria Capital Economics, refletindo a mistura de política, incerteza e volatilidade que marcou o dólar na última semana.

A moeda norte-americana sofreu um forte sell-off no início do período, reacendendo o discurso de “Sell America”, antes de recuperar parte das perdas com a indicação de Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve. Mas novas dúvidas emergiram depois de Pequim sinalizar ambições renovadas de promover o yuan e contestar o papel do dólar no sistema global.

Segundo Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics, é fundamental separar movimentos de curto prazo das discussões estruturais.

“Dois temas muito diferentes estão sendo confundidos: oscilações de curto prazo no valor do dólar e possíveis mudanças no papel central da moeda no sistema financeiro global”, afirma.

Taxa de câmbio efetiva real do dólar, segundo o BIS (Banco de Compensações Internacionais (jan. 1994 = 100)

Fontes: LSEG, Capital Economics

Federal Reserve

A indicação de Warsh, embora tenha reduzido temores sobre a independência do Fed, não deve alterar drasticamente a trajetória da política monetária. Shearing observa que Warsh “não é necessariamente o ‘nome hawkish’ que alguns sugerem”, destacando que ele será apenas “uma voz entre 19 membros”.

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A Capital Economics projeta apenas um corte adicional de 25 pontos-base neste ano, possivelmente em junho, o que deve manter os diferenciais de juros favoráveis ao dólar.

Poder do dólar

Outro fator que reduz a pressão baixista é a melhora relativa da avaliação da moeda.

“O dólar está hoje entre o valor justo e cerca de 5% sobrevalorizado”, afirma Shearing, acrescentando que o movimento recente eliminou parte dos excessos acumulados desde 2025.

A consultoria ressalta que uma fragilização mais intensa só ocorreria caso o governo decidisse abandonar explicitamente a política de “dólar forte”, algo que elevaria o risco institucional.

A China e o dólar

No campo geopolítico, a China voltou a defender um yuan mais influente. Em artigo republicado pela revista Qiushi, Xi Jinping pediu a construção de uma “moeda poderosa”. Para Shearing, porém, o desafio é mais retórico do que prático: “O dólar domina cerca de 90% das transações globais. Substituí-lo exige não apenas tirar o incumbente, mas criar um rival crível — e isso ainda não existe.”

A Capital Economics conclui que quem aposta em uma queda acentuada do dólar ou no fim de sua supremacia “provavelmente ficará decepcionado”.

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