O dólar norte-americano foi registrou o maior volume de transações realizadas por pessoas físicas no Brasil no ano passado entre moedas estrangeiras. Porém, outra moeda foi o principal destaque no período: trata-se do iene. A moeda japonesa se sobressaiu pelo segundo ano consecutivo, de acordo com levantamento da Travelex Confidence, maior especialista em câmbio do mundo.
A divisa japonesa foi responsável por 1,13% do volume de transações no período, dado que reforça o país asiático como um destino cada vez mais desejado.
“O Japão sempre foi um local de grande interesse turístico por brasileiros e a isenção dos vistos entre os governos dos dois países, desde 2023, passou a fomentar ainda mais a procura por esse roteiro, o que impacta naturalmente o crescimento das transações envolvendo o iene”, explicou Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex.
Enquanto a moeda norte-americana teve um volume de 51,74% do total de operações no período consolidado. A divisa nipônica encerrou o ano passado no top 5 entre as mais transacionadas no período. É a segunda vez que o iene ocupa a quinta colocação no ranking anual — posição historicamente dominada pelo dólar australiano.
| Moeda | Posição no Ranking | Volume 2025 | Variação 25 x 24 | Variação 25 x 23 |
|---|---|---|---|---|
| Dólar (USD) | 1º | 51,74% | 17,28% | -13,59% |
| Euro (EUR) | 2º | 38,52% | 7,9% | -11,57% |
| Libra Esterlina (GBP) | 3º | 3,26% | -1,76% | -23,66% |
| Dólar Canadense (CAD) | 4º | 2,97% | 4,3% | -25,85% |
| Iene (JPY) | 5º | 1,13% | -13,55% | -4,2% |
Moedas estrangeiras: dólar teve maior desvalorização frente ao real desde 2016
No ano passado, o dólar norte-americano apresentou um comportamento atípico no cenário cambial brasileiro. De acordo com Jorge Arbex, a desvalorização da moeda dos EUA no mercado global, com queda acumulada de 11,18% frente ao real, o maior recuo desde 2016, funcionou como um estímulo adicional ao turismo internacional.
“Com o dólar mais barato, houve maior propensão de consumo por parte das pessoas físicas, impulsionando a demanda para viagens ao exterior”, explica o executivo.
Esse efeito se refletiu no volume transacionado: na comparação com 2024, as operações envolvendo a moeda cresceram 17,28%, indicando retomada do apetite do consumidor. Já em relação a 2023, ano marcado por um aquecimento excepcional do turismo no pós-pandemia, foi registrada uma retração de 13,59%, evidenciando uma normalização do mercado após o pico daquele período.
Grandes eventos esportivos impactam
Outro fator que influenciou o topo do ranking anual de 2025 foi o calendário esportivo. A Copa do Mundo de clubes, realizada nos Estados Unidos, entre junho e julho do ano passado, com a presença de quatro times brasileiros na competição, levou mais de 25 mil torcedores a saírem do Brasil para apoiar a equipe de coração em solo norte-americano.
“Eventos dessa magnitude influenciam diretamente no volume de moedas estrangeiras transacionadas no pré e durante a realização do mesmo”, comenta o executivo do Grupo Travelex.
Soma-se a isso o fato de que os EUA receberão neste ano de 2026 a Copa do Mundo, o maior campeonato mundial de seleções. E, para tal, a preparação dos turistas que pretendem acompanhar a competição ao vivo começou ainda no ano passado.
“Quem já está com viagem planejada para acompanhar esse evento nos Estados Unidos acaba aproveitando as oscilações negativas do dólar frente ao real para comprar a moeda gradativamente. Trata-se de uma estratégia comum e eficaz para reduzir custos no planejamento financeiro”, explica Arbex.
Ainda sobre o top 5 do ranking anual elaborado pela Travelex Confidence, o euro ficou na segunda colocação, responsável por 38,52% do volume total de transações de moedas em 2025, com aumento de 7,9% no comparativo com 2024 e queda de 11,57% frente ao ano de 2023. A libra esterlina britânica ocupa a terceira posição, com 3,26% do volume total, seguida do dólar canadense, com 2,97%.
Transferências internacionais
Segundo o estudo, no setor de transferência internacionais, a categoria “transferência entre contas da mesma pessoa natural ou jurídica”, que indica a disponibilidade de recursos no exterior, representou 36% do volume total transacionado no ano, com um ticket médio de R$ 27,9 mil. Considerando o comparativo com os períodos anteriores, a natureza de disponibilidade teve um crescimento expressivo de 32,2% em relação a 2024 e de 12,3% frente ao volume de 2023.
Já nos principais corredores de envio, os Estados Unidos figuram na primeira colocação com 42,45% do volume de transações, seguido por Portugal (15,43%). No fluxo inverso, que considera a origem dos recebimentos no Brasil, os EUA também estão na liderança (64,01%), seguido pela Alemanha (10,67%) e pelo Canadá (6,16%).
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