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Setor imobiliário de alto padrão em São Paulo começa a mostrar sinais de desaceleração

Setor imobiliário de alto padrão em São Paulo começa a mostrar sinais de desaceleração

Vendas de imóveis acima de R$ 2 milhões recuam, enquanto estoques aumentam e juros altos pressionam o mercado de luxo

O setor imobiliário de alto padrão em São Paulo começa a perder fôlego após anos de forte crescimento. Dados da proptech Pilar mostram que as vendas de imóveis residenciais com preços acima de R$ 2 milhões caíram 7% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com base nas transações registradas pelo ITBI.

Apesar da retração no número de negócios, cerca de 300 operações, o valor geral de vendas (VGV) avançou 10%, alcançando R$ 1,7 bilhão.

Depois de crescer 24% em 2024, o mercado de imóveis acima de R$ 2 milhões praticamente estagnou em 2025, com expansão de apenas 3%. No quarto trimestre do ano passado, a atividade recuou 1,8%, indicando uma tendência de desaceleração mais ampla.

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Setor imobiliário de alto padrão enfrenta pressão de juros altos e estoques

Entre os fatores apontados por especialistas está o impacto prolongado dos juros elevados. A manutenção da Taxa Selic em níveis de dois dígitos por vários anos encarece o crédito imobiliário, aumenta a sensibilidade dos compradores aos preços e amplia a demanda por descontos.

No lado da oferta, o mercado também começa a mostrar sinais de pressão. Após um período de lançamentos intensos, o estoque de imóveis com preços superiores a R$ 2,1 milhões alcançou cerca de 20 meses de vendas, acima do patamar inferior a 15 meses registrado há dois anos.

Para a Ágora Investimentos, os indicadores apontam para perda gradual de dinamismo no segmento residencial de renda média a alta, com volumes de transações menores e estoques em alta. Embora o nicho de altíssimo padrão continue relativamente resiliente, o mercado mais amplo voltado à alta renda já apresenta sinais claros de enfraquecimento da demanda.

Entre as incorporadoras mais expostas estão Cyrela (CYRE3), EzTec (EZTC3), Moura Dubeux (MDNE3) e Lavvi (LAVV3), embora ainda não haja evidências de desaceleração relevante nos resultados dessas companhias.