O euro hoje registra forte valorização frente ao real, cotado a R$ 6,0861, com alta de 8,99%, segundo os dados informados. O movimento ocorre em meio à turbulência nos mercados brasileiros após a vitória inesperada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, que provocou uma onda de aversão ao risco entre investidores e ampliou as preocupações com a trajetória fiscal do país.
A desvalorização da moeda brasileira reflete as incertezas em relação à política econômica do governo, especialmente no que diz respeito aos gastos públicos, às empresas estatais e à agenda de reformas. Analistas do Citi destacaram que esses fatores estão entre as principais preocupações dos investidores diante do novo cenário político.
O real chegou a cair 10,5% em relação ao dólar, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2025, de acordo com dados da LSEG. A pressão sobre a moeda brasileira também se refletiu no mercado acionário, com quedas expressivas de empresas nacionais negociadas nos Estados Unidos.
Bolsa brasileira sofre com aversão ao risco
O ETF iShares MSCI Brasil recuou 25% nos Estados Unidos, ao longo da manhã. No Brasil, as negociações na bolsa de valores foram interrompidas temporariamente pelo circuit breaker, para evitar perdas maiores.
Entre as empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos, a Petrobras caiu 16%, enquanto o Itaú Unibanco perdeu 20%. A Ambev recuou 10,3%, a Embraer registrou queda de 5% e a Vale cedeu 1,2%.
O movimento também levou o Tesouro Nacional a cancelar os leilões de títulos públicos indexados à inflação e de papéis de renda fixa previstos para os dias 27 e 29 de outubro. Em comunicado, o órgão afirmou que continuará acompanhando as condições de mercado para assegurar o funcionamento adequado das negociações. O leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), programado para 27 de outubro, foi mantido. Além disso,
Segundo analistas do Citi, o setor bancário também pode enfrentar dificuldades caso as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo. Esse cenário poderia atrasar a normalização da qualidade dos ativos dos bancos, aumentando as incertezas sobre o desempenho das instituições financeiras.
Petróleo recua com diálogo entre Arábia Saudita e Irã
No mercado internacional de commodities, os preços do petróleo recuaram ligeiramente após conversas diplomáticas entre autoridades da Arábia Saudita e do Irã, realizadas em Teerã. As negociações buscaram reduzir as tensões entre os dois países, em um contexto de atenção dos investidores aos riscos geopolíticos.
O petróleo Brent caiu US$ 0,79, para US$ 102,48 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuou US$ 0,20, para US$ 116,52 por barril, após atingir brevemente US$ 117 no início da sessão.
O ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, reuniu-se com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e com o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei. Também participaram das conversas representantes do Paquistão e da Turquia, países que mantêm vínculos de cooperação em defesa com a Arábia Saudita.
A evolução das negociações diplomáticas e a reação dos mercados aos acontecimentos políticos brasileiros permanecem entre os fatores que podem influenciar o comportamento das moedas e dos ativos financeiros. Para quem acompanha o euro hoje, a cotação de R$ 6,0861 indica uma forte pressão sobre o real no cenário descrito, embora a trajetória da moeda europeia também dependa das condições econômicas internacionais e das expectativas para a política monetária.
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