O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX), da B3, iniciou a sessão desta segunda-feira (26) com uma das quedas mais expressivas de sua história. Às 11h02, o indicador recuava 7,98%, aos 3.672 pontos, próximo da mínima intradiária de 3.671 pontos. Por volta das 14h10, a desvalorização havia diminuído para 6,31%, com o índice aos 3.738 pontos.
O movimento ocorreu após o resultado do segundo turno das Eleições 2026 e em meio à reação dos investidores às perspectivas para a economia brasileira. A abertura dos negócios foi marcada por forte volatilidade, com a maior parte da queda do IFIX concentrada nos primeiros dez minutos de negociação. A partir das 10h46, o índice passou a oscilar próximo dos níveis atingidos após o tombo inicial.
A intensidade das perdas também levou a B3 a interromper temporariamente as negociações do mercado à vista por 30 minutos, após a queda superar 10%, acionando um mecanismo de proteção conhecido como circuit breaker. O recurso não era utilizado desde março de 2020. Em razão da interrupção, o IFIX iniciou suas negociações depois do horário habitual.
Na reabertura dos mercados, o Ibovespa chegou a registrar queda próxima de 17%, enquanto o dólar avançou mais de 12% e ultrapassou R$ 5,60, refletindo a forte reação dos investidores ao cenário político e econômico.
Juros futuros pressionam os fundos imobiliários
Entre os fundos imobiliários, a principal pressão veio da reprecificação dos juros futuros de longo prazo. A elevação das taxas tende a reduzir a atratividade relativa dos FIIs, especialmente daqueles com maior exposição a ativos de renda fixa, além de pressionar o valor de mercado dos fundos negociados em bolsa.
A reação dos investidores também refletiu as incertezas sobre os possíveis desdobramentos do resultado eleitoral para a política econômica, as contas públicas e a trajetória dos juros no país.
Na disputa pela Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL), ao receber 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Queda elimina ganhos acumulados em outubro
Na sexta-feira (23), o IFIX encerrou o pregão aos 3.990,57 pontos, no maior nível das últimas 52 semanas. Até então, o índice acumulava valorização de 6,27% em outubro.
A forte desvalorização registrada nesta segunda-feira, porém, eliminou os ganhos acumulados no mês e levou o indicador para abaixo do patamar de abertura de outubro.
O desempenho do IFIX nos próximos pregões dependerá, entre outros fatores, da evolução das expectativas para os juros futuros, da percepção de risco dos investidores e da reação do mercado às perspectivas para a política econômica após a definição do resultado eleitoral.






