O Bitcoin hoje (30) opera em forte queda e aprofunda a pressão abaixo dos US$ 60 mil, faixa que passou de suporte a resistência no curto prazo. A criptomoeda recua em meio à cautela com juros nos Estados Unidos, dólar forte, tensão no Oriente Médio e novas preocupações com a Strategy, empresa de Michael Saylor.
Por volta das 12h22, o Bitcoin caía 3,19%, cotado a US$ 58.245,38, segundo dados do Google Finance. Ao longo do dia, o ativo chegou a operar acima de US$ 60 mil, mas perdeu força e voltou a testar a região dos US$ 58 mil.
O aumento da cautela já levou traders da Kalshi a projetarem o risco de o Bitcoin recuar para US$ 45 mil ainda este ano, em meio à combinação de juros mais altos nos Estados Unidos, pressão sobre ativos de risco e incertezas envolvendo a possibilidade de venda de Bitcoin pela Strategy.
Para Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o ponto central é a dificuldade do BTC em recuperar a faixa dos US$ 60 mil. A perda desse patamar aumenta o risco de continuidade da correção, com o mercado monitorando novas zonas de suporte.
“O mercado segue em uma região delicada. Do ponto de vista técnico, o Bitcoin ainda não conseguiu recuperar os US$ 60 mil, e isso aumenta o risco de continuidade da correção para US$ 58 mil, depois US$ 54 mil a US$ 55 mil e, em um cenário mais extremo, US$ 50 mil”, afirma Tota.
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US$ 60 mil vira resistência para o Bitcoin
O Bitcoin voltou a operar abaixo da média móvel de 200 semanas, indicador acompanhado por investidores para avaliar zonas relevantes de suporte em ciclos anteriores. A falha em retomar os US$ 60 mil piora o quadro técnico no curto prazo.
Segundo o Mercado Bitcoin, os próximos níveis de atenção estão em US$ 58 mil, região associada à média de 233 semanas, e depois na faixa entre US$ 54 mil e US$ 55 mil, onde aparece a média de 305 semanas e uma zona defendida diversas vezes em 2024.
André Franco, CEO da Boost Research, também vê o curto prazo pressionado. Para ele, o Bitcoin precisa reconquistar a região de US$ 61 mil para aliviar a leitura técnica.
“Tecnicamente, o Bitcoin opera abaixo da média de 200 semanas pela primeira vez em meses, com suporte imediato perto de US$ 58,8 mil e resistência em US$ 61 mil, que precisa reconquistar para aliviar o curto prazo”, avalia Franco.
Strategy muda tom e entra no radar
O principal ponto novo da sessão veio da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo. A empresa anunciou uma nova estrutura de gestão de capital, chamada Digital Credit Capital Framework, com o objetivo de fortalecer seus instrumentos preferenciais e ampliar a flexibilidade do balanço.
A companhia informou ter uma reserva em dólar de aproximadamente US$ 2,55 bilhões, suficiente para cobrir cerca de 17,4 meses de obrigações com dividendos de ações preferenciais e pagamentos de juros. Também elevou o dividendo anual da ação preferencial STRC para 12% ao ano e autorizou recompras de até US$ 1 bilhão em Digital Credit Securities e até US$ 1 bilhão em ações ordinárias Classe A.
O ponto mais sensível foi a criação de um Bitcoin Monetization Program. O programa permite que a Strategy venda parte de seus bitcoins caso a administração entenda que a operação seja vantajosa. A empresa destacou que não existe obrigação de venda, mas a mudança altera a percepção de mercado.
Durante anos, a Strategy sustentou uma narrativa de acumulação contínua de Bitcoin. Agora, ainda que de forma condicional, a venda de BTC passa a fazer parte das ferramentas disponíveis para gestão de capital.
Mais da metade dos BTC está no prejuízo
Apesar da pressão no curto prazo, os indicadores on-chain mostram um nível elevado de estresse. Segundo o Mercado Bitcoin, o percentual da oferta de Bitcoin em lucro caiu para 46,3%. Isso significa que cerca de 53,7% da oferta está abaixo do preço médio de compra dos atuais detentores.
A última vez em que esse indicador atingiu níveis parecidos foi no fim de dezembro de 2022, quando o Bitcoin negociava perto de US$ 16,5 mil, em uma região próxima ao fundo daquele ciclo.
Tota pondera que o dado não garante que o mercado tenha encontrado um fundo, mas indica que o pessimismo já chegou a patamares historicamente associados a momentos de maior assimetria para estratégias de médio e longo prazo.
Ethereum e Solana se destacam
Enquanto o Bitcoin segue pressionado, Ethereum e Solana aparecem em narrativas mais favoráveis. No caso do Ethereum, o destaque é a acumulação corporativa.
A BitMine ultrapassou 5,7 milhões de ETH em tesouraria após comprar mais 27.084 ETH na última semana. Com isso, a empresa passa a deter cerca de 4,7% da oferta total de Ethereum. A SharpLink também voltou a comprar, adquirindo quase 40 mil ETH, avaliados em aproximadamente US$ 62,4 milhões.
Já a Solana avança apoiada no crescimento da atividade da rede, especialmente no segmento de ações tokenizadas. Segundo o Mercado Bitcoin, o ativo sobe cerca de 7% nos últimos sete dias e negocia perto de US$ 73,6.
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