A Wiz (WIZC3) entregou um resultado sólido no quarto trimestre de 2025, com lucro acima das estimativas e avanço na geração de caixa. Ainda assim, o BTG Pactual (BPAC11) manteve recomendação neutra para a ação, avaliando que a melhora operacional não elimina incertezas sobre a tese.
No período, o lucro líquido reportado somou R$ 49 milhões, alta anual de 29% e 14% acima das projeções do banco. Ajustado por efeitos não recorrentes, como um impairment de cerca de R$ 10 milhões sem impacto em caixa e a venda da Wiz Concept, o resultado teria sido ainda mais forte.
“Ajustando por esses efeitos, o lucro líquido ficou cerca de 7% acima da nossa estimativa, em aproximadamente R$ 60 milhões”, destacam os analistas do BTG.
Margens e caixa da Wiz
Apesar do crescimento mais fraco da receita, as margens avançaram, beneficiadas principalmente pela queda das despesas financeiras. A companhia também mostrou força na geração de caixa, com cerca de R$ 220 milhões em 2025.
“A Wiz gerou quase R$ 220 milhões em fluxo de caixa em 2025 (15% de FCF)”, aponta o relatório.
Com menor alavancagem — dívida líquida sobre Ebitda abaixo de 0,5 vez — e alongamento do perfil da dívida, a Wiz decidiu aumentar o payout de dividendos de 25% para 50%.
“A companhia decidiu elevar o payout de 25% para 50%, em linha com o nosso modelo”, afirma o banco.
Receita mais fraca
Do lado operacional, o desempenho foi mais heterogêneo. A receita líquida recuou na comparação trimestral e ficou abaixo das expectativas, impactada pela venda da Wiz Concept e por uma dinâmica mais fraca em algumas unidades.
“A receita líquida caiu 5% t/t (+6% a/a; 5% abaixo da nossa estimativa)”, destacam os analistas.
Por outro lado, a Wiz Corporate apresentou crescimento relevante, enquanto o resultado de equivalência patrimonial também avançou, impulsionado principalmente pela Inter Seguros.
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Por que o BTG segue neutro
Mesmo com números operacionais mais fortes e maior remuneração ao acionista, o BTG avalia que a relação risco-retorno ainda não justifica uma recomendação mais otimista.
“A combinação de um valuation mais exigente e dúvidas sobre o crescimento da BRB Seguros nos levou a realizar lucros”, explicam os analistas.
Segundo o banco, a principal incerteza segue sendo o desempenho da BRB Seguros, operação que responde por cerca de 25% do Ebitda da companhia.
Atualmente, a ação negocia a cerca de 6,1 vezes o lucro projetado para 2026. Embora o viés tenha melhorado após a recente queda do papel, a recomendação segue inalterada.
“Nosso viés melhorou um pouco, mas seguimos com recomendação neutra”, conclui o BTG.






