A Cemig (CMIG4) reportou resultados fracos no quarto trimestre de 2025, pressionados principalmente pelo segmento de Geração e Transmissão. O Ebitda ajustado ficou entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão, a depender da metodologia de ajuste utilizada — abaixo das estimativas tanto da XP quanto do Safra. XP e Safra mantêm recomendação neutra para o papel.
“O balanço de energia da geração da Cemig permanece estruturalmente short, o que intensificou a compressão de margens em um cenário de GSF (Fator de Ajuste de Garantia Física) mais baixo e preços spot mais elevados”, afirmam Raul Cavendish e Bruno Vidal, analistas da XP.
Geração decepciona, distribuição surpreende
O segmento de Geração e Transmissão foi o principal vetor negativo do trimestre. A margem bruta da divisão ficou 12% abaixo das estimativas da XP, resultando em Ebitda ajustado de R$ 581 milhões, queda de 13% na comparação anual. Pelo lado do Safra, o segmento ficou 23% abaixo do esperado. A posição vendida no mercado spot e o GSF elevado pressionaram os custos de compra de energia, que superaram as estimativas do Safra em 68%.
Na contramão, a distribuidora entregou resultado acima do esperado.
“O Ebitda ajustado da distribuição foi 9% superior à nossa estimativa, beneficiado pela compensação da geração distribuída e por um índice de inadimplência melhor do que o previsto”, destacam Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, do Safra.
Entretanto, as provisões chamaram atenção: somaram R$ 236 milhões no trimestre, contra estimativa de R$ 34 milhões da XP.
“Precisaremos avaliar a recorrência desses fatores antes de incorporá-los em nossas premissas prospectivas”, ressaltam Cavendish e Vidal.
JCP e dividendos no radar
A Cemig anunciou JCP de R$ 658 milhões, com data ex-dividendo em 25 de março, implicando yield de 2%. No entanto, analistas veem espaço limitado para distribuições mais generosas no curto prazo.
“Dado o payout limitado a 50% até 2028, enxergamos yields limitados no curto e médio prazo, a menos que eventos não recorrentes não caixa venham a elevar o lucro contábil”, alertam os analistas da XP.
A alavancagem avançou de 1,8 para 2,3 vezes a relação dívida líquida/Ebitda no trimestre. “
Os resultados operacionais ajustados foram razoáveis, mas os custos ainda elevados e a migração de clientes para o mercado livre seguem como fatores de atenção para os próximos períodos”, concluem Carneiro, Travitzky e Bello.
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