A Tenda (TEND3) registrou lucro líquido consolidado de R$ 179,1 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 12,2% frente ao mesmo período do ano anterior e de 2,4% na comparação com o primeiro trimestre.
Sem os efeitos das operações de swap, o lucro alcançou R$ 161,3 milhões. Nessa base, o resultado avançou 109,3% em um ano e 6% no trimestre.
A receita líquida atingiu o recorde de R$ 1,29 bilhão, com altas de 30,1% na comparação anual e de 8,9% frente ao 1T26. O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 275,2 milhões, crescimento de 64,9% em um ano e de 7,2% no trimestre.
Apesar da melhora operacional, o resultado financeiro pressionou o lucro reportado. A receita financeira caiu 63,1%, para R$ 52,7 milhões, enquanto as despesas financeiras cresceram 61,7%, para R$ 80 milhões. Com isso, o resultado financeiro passou de R$ 93,4 milhões positivos no 2T25 para R$ 27,3 milhões negativos.
“Encerramos a primeira metade de 2026 com mais um trimestre de recordes históricos. No 2T26, a receita líquida consolidada atingiu R$ 1,29 bilhão […] e o Ebitda ajustado da marca Tenda alcançou R$ 299,8 milhões”, afirma a administração da companhia.
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Receita e margens atingem recordes
O lucro bruto ajustado consolidado chegou a R$ 481,3 milhões, altas de 51,6% em um ano e de 14,4% frente ao primeiro trimestre.
A margem bruta ajustada alcançou 37,3%, expansão de 5,3 pontos percentuais na comparação anual e de 1,8 ponto percentual no trimestre. Na marca Tenda, desconsiderando o programa Pode Entrar, a margem ficou em 40,4%.
O Ebitda ajustado específico da marca Tenda atingiu o recorde de R$ 299,8 milhões, crescimento de 57,8% em um ano e de 5,8% frente ao 1T26. A margem Ebitda ajustada ficou em 24,9%, avanço anual de 3,6 pontos percentuais, mas recuo trimestral de 0,6 ponto percentual.
A companhia ressalta que parte da expansão das margens veio de economias obtidas na fase de entrega dos empreendimentos e não deverá se repetir integralmente nos próximos períodos.
“É importante, contudo, contextualizar que parte dessa performance decorre de economias de custo capturadas na fase de entrega das obras e não deve ser extrapolada como patamar de longo prazo. Entendemos que as margens devem se equilibrar em um nível um pouco abaixo do atual”, afirma a Tenda.
As despesas gerais e administrativas da marca Tenda cresceram 41,8% em um ano e 30,5% no trimestre, para R$ 91,3 milhões. A companhia atribuiu a alta a ajustes relacionados aos programas de remuneração variável, ao aumento do quadro de funcionários e à estrutura temporária com dois copresidentes.
As outras despesas operacionais consolidadas também aumentaram, de R$ 5,1 milhões para R$ 30,7 milhões em um ano. A variação foi relacionada principalmente ao maior volume de processos e julgamentos de causas relevantes.
Lançamentos avançam, mas vendas recuam no trimestre
A Tenda e a Alea lançaram 17 empreendimentos no trimestre, com valor geral de vendas de R$ 1,77 bilhão. O montante avançou 59,1% frente ao 2T25 e 20,8% na comparação com o primeiro trimestre.
As vendas líquidas consolidadas somaram R$ 1,4 bilhão, alta anual de 17,2%, mas queda trimestral de 8,5%. A velocidade sobre a oferta líquida ficou em 24,4%, abaixo dos 28,1% registrados um ano antes e dos 27,6% do 1T26.
O preço médio das vendas brutas chegou a R$ 241,8 mil, com altas de 10,9% em um ano e de 3,2% no trimestre. A companhia priorizou o reajuste dos preços para proteger as margens diante das pressões de custos observadas no início do ano.
“No aspecto comercial, a VSO líquida de 24,4% no 2T26 veio abaixo da faixa de 25% a 30% que entendemos como ideal, mas […] foi uma escolha deliberada nossa: a política de reposição de preços buscou mitigar a exposição à pressão de custos”, explica a administração.
Os distratos consolidados cresceram 20,8% em um ano e 23,3% no trimestre, para R$ 207,2 milhões. Na marca Tenda, o valor chegou a R$ 189 milhões, incluindo o cancelamento preventivo das vendas de um empreendimento recém-lançado cuja licença ambiental está em discussão.
O VGV repassado aos bancos alcançou R$ 1,12 bilhão, avanço anual de 6,5%. A companhia entregou 4.030 unidades, 88,1% acima do 2T25, embora o volume tenha recuado 26,2% frente ao primeiro trimestre.
O banco de terrenos terminou junho avaliado em R$ 33,77 bilhões, crescimento de 29,3% em um ano e de 16,1% no trimestre. As permutas representavam 68,1% do total.
A inadimplência permanece como ponto de atenção. A provisão para créditos de liquidação duvidosa passou de 1,8% da receita operacional bruta no primeiro semestre de 2025 para 2,7% no mesmo período de 2026.
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Tenda eleva guidance, mas piora projeção da Alea
A companhia revisou para cima as principais projeções da marca Tenda para 2026. O novo cenário considera os resultados do primeiro semestre e uma expectativa mais favorável para a inflação de custos.
“Os resultados robustos alcançados no 1S26, combinados com uma perspectiva mais benigna de inflação, nos dão o conforto de revisarmos para cima nossas projeções para 2026”, afirma a administração.
| Indicador | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| Ebitda ajustado da marca Tenda | R$ 950 milhões a R$ 1,05 bilhão | R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão |
| Vendas líquidas da marca Tenda | R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões | R$ 5,5 bilhões a R$ 6 bilhões |
| Lucro líquido consolidado sem swap | R$ 520 milhões a R$ 600 milhões | R$ 600 milhões a R$ 660 milhões |
| Ebitda ajustado da Alea | -R$ 70 milhões a -R$ 50 milhões | -R$ 90 milhões a -R$ 70 milhões |
Enquanto as metas da marca Tenda foram elevadas, a previsão para o Ebitda ajustado da Alea ficou mais negativa. A projeção de consumo de caixa da subsidiária foi mantida entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões.
Alea reduz consumo de caixa, mas continua no vermelho
A Alea registrou receita líquida de R$ 85,1 milhões, crescimento de 16,7% frente ao primeiro trimestre, mas queda de 14,2% na comparação anual.
O Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 24,6 milhões. A perda diminuiu 8,1% frente ao 1T26, porém aumentou 6,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O prejuízo líquido da divisão foi de R$ 29,9 milhões, ante perdas de R$ 32,8 milhões no trimestre anterior e de R$ 26 milhões no 2T25. A velocidade de vendas ficou em 36,5%, alta anual de 5,2 pontos percentuais e queda trimestral de 5,1 pontos.
Considerando a participação da Tenda, o consumo operacional de caixa da Alea foi de R$ 14,1 milhões, redução de 5,4% frente ao primeiro trimestre.
“Reforçamos que o ‘sucesso’ da Alea em 2026 não será crescimento acelerado, e sim estabilidade operacional, com a construção de unit economics robustos que justifiquem escalar o negócio”, afirma a companhia.
A Alea decidiu não prosseguir com o projeto de Canoas para concentrar esforços na estabilização das operações. Para o segundo semestre, a companhia prevê retomar gradualmente sua atuação na região de Campinas.
Dívida líquida cai e geração de caixa permanece positiva
A geração operacional de caixa consolidada foi de R$ 52,5 milhões, revertendo o consumo de R$ 59,8 milhões registrado no 2T25. Frente ao primeiro trimestre, quando foram gerados R$ 112,2 milhões, houve redução de 53,2%.
A marca Tenda gerou R$ 68,9 milhões, enquanto a Alea consumiu R$ 16,4 milhões. Excluindo as recompras de ações, a geração total de caixa alcançou R$ 78,3 milhões.
A dívida bruta terminou junho em R$ 1,17 bilhão, queda de 17,4% no trimestre. O caixa e as aplicações financeiras somaram R$ 865,4 milhões, resultando em dívida líquida de R$ 303,2 milhões, recuos de 6,7% frente a março e de 4% em um ano.
A relação entre dívida líquida total e patrimônio líquido ficou em 19,8%. Considerando somente a dívida líquida corporativa, o indicador encerrou o trimestre em 1,9%.
O prazo médio da dívida era de 28,3 meses, com custo nominal médio de 14,26% ao ano.






