A BrasilAgro (AGRO3) deve registrar prejuízo de R$ 29 milhões no quarto trimestre do ano fiscal (de abril a junho) de 2026, pressionado pelo baixo despenho da cana-de-açúcar e a ausência da venda de fazendas, fator que tinha impulsionado o trimestre anterior.
Segundo relatório da XP Investimentos, disponibilizado segunda-feira (24), um dos principais fatores para o resultado fraco do trimestre é a menor receita de cana.
Entretanto, apesar da produção pressionar as receitas, a redução de custos operacionais deve amenizar o impacto.
A cana-de-açúcar, cuja colheita teve início em abril e se estende até novembro do ano que vem, é a maior cultura em toneladas vendidas pela BrasilAgro.
Já em receita líquida a cana é a segunda maior, tendo alcançado R$ 82,766 milhões no quarto trimestre de 2025. A soja é a responsável pela maior fatia das receitas, com R$ 95,354 milhões.
O que esperar do quarto trimestre?
Os resultados do quarto trimestre têm previsão de lançamento para 3 de setembro. Os analistas esperam uma receita líquida de R$ 268 milhões, queda de 21% na comparação com um ano antes.
O Ebtida deve ficar em R$ 15 milhões com margem ajustada de 5,7%. O prejuízo líquido é projetado em R$ 29 milhões, com margem liquida negativa de 10,8%
“De forma geral, esperamos um trimestre fraco sob a ótica de resultados, mas que deve trazer sinalizações importantes para a tese de investimento, especialmente em relação à alocação de capital, à dinâmica do mercado de terras e à estratégia de gestão de riscos da companhia para o próximo ciclo agrícola.”, dizem os analistas.
Segmento imobiliário
Além da cana, outra grande parte das receitas da BrasilAgro é a venda de fazendas. E, apesar dos preços atrativos que apontam para uma renovação do portifólio da companhia, os juros elevados e a menor liquidez do mercado acabam travando e limitando possíveis negociações.
“Apesar de um conjunto mais amplo de oportunidades, esperamos que a BrasilAgro permaneça seletiva na busca por novas aquisições”, anunciam os analistas.
Vale ressaltar que a receita com os negócios imobiliários do quarto trimestre de 2025, de R$111,998 milhões, já tinha sofrido uma queda na receita de 61%, em comparação com a mesma época do ano fiscal retrasado.
El Niño e como a próxima safra pode ser afetada
A preocupação principal para a safra (2026/2027) que se inicia em setembro é o fenômeno El niño, responsável pelo aquecimento das águas do oceano pacífico equatorial.
“A administração também pode reduzir a exposição à safrinha (segunda safra do ano) em áreas mais vulneráveis [especialmente na Bahia], mas preços mais elevados das commodities e custos de insumos mais baixos devem ajudar a compensar uma eventual pressão sobre a produtividade”, comentam os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
A previsão mais recente do Noaa (National Oceanic and Atmospheric Administration), disponibilizada pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), aponta uma probabilidade de 90% para a ocorrência de um El ninõ muito forte, o mais intenso desde 1950, nos próximos trimestres.

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