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PicPay cai até 6% com inadimplência. Apesar disso, BTG vê lucro dobrar e mantém compra

PicPay cai até 6% com inadimplência. Apesar disso, BTG vê lucro dobrar e mantém compra

Índice de atrasos acima de 90 dias sobe para 9,8%, mas banco projeta lucro superior a R$ 1 bilhão em 2026 e mantém preço-alvo de US$ 20

As ações do PicPay (PICS) recuam nesta terça-feira (25), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Os papéis chegaram a cair 6,4%, para US$ 10,20, e eram negociados a US$ 10,72 por volta das 12h55, com baixa de 1,7%. Apesar da reação negativa, o BTG Pactual (BPAC11) considerou o balanço acima das expectativas e manteve a recomendação de compra.

Para o banco, a queda pode estar relacionada às preocupações do mercado com uma possível deterioração do ciclo de crédito em 2027. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 8,9% no primeiro trimestre para 9,8% no segundo, embora tenha ficado abaixo dos 10,6% projetados pelo BTG.

O PicPay registrou lucro líquido de R$ 269 milhões no período, avanço de 124% na comparação anual e resultado 11% superior à estimativa do banco. O lucro ajustado alcançou R$ 283 milhões, crescimento de 135%, enquanto a receita avançou 67%, para R$ 4,1 bilhões.

“Entendemos que os investidores estão particularmente preocupados com uma possível deterioração do ciclo de crédito no próximo ano. Ainda assim, os números do segundo trimestre reforçam a mensagem de que, até agora, tudo segue bem”, avaliou o BTG Pactual.

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Lucro supera projeções, mas inadimplência avança

O BTG ponderou que parte da surpresa positiva no lucro veio de fatores tributários. A alíquota efetiva ficou próxima de zero devido ao reconhecimento de incentivos fiscais da Lei do Bem, enquanto o resultado antes dos impostos ficou praticamente em linha com as expectativas.

O programa Desenrola também contribuiu para o desempenho. Segundo o relatório, a iniciativa reduziu o custo de crédito em aproximadamente 5%, ou cerca de R$ 60 milhões. O valor corresponde a aproximadamente 20% do lucro registrado pelo PicPay no trimestre.

A carteira de crédito chegou a R$ 31,9 bilhões, com alta de 99% em um ano e de 14% em relação ao trimestre anterior. O consignado privado respondeu por R$ 2,2 bilhões do crescimento trimestral, enquanto os cartões considerados maduros acrescentaram outros R$ 900 milhões.

De acordo com a administração, 86% da expansão da carteira veio de operações de menor risco e cartões maduros. Os produtos com garantia total ou parcial passaram a representar 55% do portfólio.

“O crescimento voltou a ser impulsionado principalmente por produtos com garantia e cartões maduros. O consignado privado foi o principal destaque, enquanto a administração afirmou não observar deterioração da qualidade dos ativos e apontou retornos sobre o patrimônio superiores a 80% nessa modalidade”, destacou o BTG.

Apesar do aumento da inadimplência mais longa, os atrasos iniciais apresentaram melhora. O indicador recuou 0,9 ponto percentual, para 7,5%, enquanto a formação de créditos classificados no estágio 3 caiu de 3,9% para 3,6%.

O banco ressalvou, entretanto, que, sem o efeito do Desenrola, a formação de ativos problemáticos teria permanecido próxima de 4%. Para o BTG, a evolução da qualidade da carteira continuará sendo o principal ponto de acompanhamento da tese.

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BTG mantém preço-alvo de US$ 20

O BTG manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 20 para as ações do PicPay em 12 meses. Na comparação com a cotação de US$ 10,72 observada durante o pregão, o valor representa um potencial teórico de valorização próximo de 87%.

A projeção está apoiada na expectativa de que o lucro líquido supere R$ 1 bilhão em 2026, praticamente o dobro do resultado de 2025. Nesse cenário, as ações estariam sendo negociadas por menos de sete vezes o lucro estimado para este ano.

A orientação fornecida pelo PicPay para o terceiro trimestre também ficou acima do consenso em indicadores importantes. A companhia projeta lucro ajustado de aproximadamente R$ 265 milhões e resultado ajustado antes dos impostos de R$ 378 milhões, cerca de 5% superiores às expectativas do mercado.

“Se os resultados, as projeções para o terceiro trimestre e a contribuição da Kovr levarem o lucro acima de R$ 1 bilhão em 2026, o PicPay estará negociando abaixo de sete vezes o lucro estimado. Por essa razão, mantemos a recomendação de compra”, afirmou o BTG.

A instituição reconhece que o crescimento acelerado da carteira e o histórico de crédito ainda curto do PicPay ajudam a explicar o desconto das ações. Para o banco, uma sequência de resultados positivos, acompanhada pelo controle da inadimplência, poderá reduzir a percepção de risco e abrir espaço para uma reprecificação dos papéis.