A captação de alunos abaixo do esperado na Kroton e a piora do cenário macroeconômico levaram o BTG Pactual (BPAC11) a reduzir o preço-alvo da Cogna (COGN3). O valor passou de R$ 5, válido para o fim de 2026, para R$ 4, agora calculado para o encerramento de 2027.
Após incorporar os últimos resultados e adotar premissas mais cautelosas, o banco reduziu em aproximadamente 4% a projeção de Ebitda da Cogna para 2027, para R$ 2,50 bilhões. A estimativa de lucro líquido ajustado sofreu corte de 20,9%, passando para R$ 964 milhões.
Apesar das revisões, o BTG manteve a recomendação de compra. O novo preço-alvo representa potencial de valorização de aproximadamente 87% sobre a cotação de R$ 2,14 utilizada no relatório.
As ações apresentavam pouca variação nesta terça-feira (25). Por volta das 13h22, COGN3 avançava 0,93%, cotada a R$ 2,16, depois de oscilar entre R$ 2,12 e R$ 2,17 durante o pregão.
“O tom da administração foi um pouco mais cauteloso em relação ao ensino superior, no qual as tendências atuais de captação estão abaixo das expectativas iniciais. Por outro lado, as perspectivas para a educação básica permanecem construtivas”, avaliaram os analistas Samuel Alves e Maria Resende.
PublicidadePublicidade
Captação abaixo do esperado pressiona Kroton
A Kroton, responsável por aproximadamente dois terços do resultado operacional da Cogna, apresentou desempenho considerado razoável no primeiro semestre. A captação cresceu nos cursos presenciais e híbridos, enquanto o ensino a distância recuou devido às novas restrições regulatórias.
A mudança na composição dos alunos pressionou as margens, uma vez que os cursos a distância apresentam rentabilidade historicamente superior. Mesmo assim, o Ebitda da Kroton avançou 2,5% na comparação anual no primeiro semestre.
Para a segunda metade do ano, o cenário ficou mais desafiador. A captação de inverno está praticamente estável nas modalidades presencial e híbrida, enquanto o ensino a distância continua recuando.
A administração ainda espera elevar a receita e o Ebitda da operação, apoiada na estabilidade da evasão e nos reajustes das mensalidades da base existente. A autorização para que pouco mais de 100 polos recebam alunos de enfermagem também pode oferecer algum suporte à captação.
Embora o curso não possa mais ser oferecido a distância, unidades com infraestrutura adequada poderão matricular estudantes formalmente vinculados à modalidade presencial.
A inadimplência representa outro ponto de atenção. As despesas com provisões para devedores duvidosos correspondem atualmente a cerca de 13% a 14% da receita da Kroton, patamar considerado saudável pela administração. O BTG alerta, entretanto, que a piora observada em outros segmentos de consumo pode alcançar o ensino superior.
“Historicamente, a inadimplência da Kroton apresenta maior correlação com o desemprego, que permanece benigno neste momento. A deterioração do mercado de trabalho, entretanto, poderia se transformar em um obstáculo para a companhia”, ponderou o banco.
Leia também:
Educação básica e caixa preservam recomendação
O desempenho da educação básica ajuda a compensar a leitura mais cautelosa sobre a Kroton. A administração espera crescimento da receita do Programa Nacional do Livro e do Material Didático, o PNLD, embora com margens inferiores às observadas anteriormente.
Os demais negócios de educação básica podem crescer entre 12% e 13%, segundo o relatório. No segmento de soluções para governos, o B2G, a receita atingiu aproximadamente R$ 400 milhões e avança cerca de 20% ao ano.
A conclusão da oferta para aquisição das ações da Vasta também pode gerar sinergias comerciais. A Cogna pretende utilizar a mesma estrutura para vender produtos do PNLD e da Vasta, ampliando sua presença nas redes públicas de ensino.
A geração de caixa deverá ser direcionada prioritariamente à redução do endividamento. A companhia também pretende diminuir gradualmente o risco sacado, cujo custo supera CDI mais 2%, acima do custo médio da dívida de CDI mais 1,35%.
“O cenário macroeconômico e a percepção de risco pioraram, mas os fundamentos do setor permanecem saudáveis. A Cogna continua bem posicionada para atravessar esse ambiente, apoiada pela geração recorrente de caixa e pela melhora do balanço patrimonial”, afirmou o BTG.
A companhia ainda vê espaço para elevar a distribuição de dividendos, atualmente limitada ao pagamento mínimo de 25% do lucro. Uma eventual mudança na política deverá ser discutida pelo conselho de administração depois das eleições.
O BTG calcula que COGN3 negocia por 4,5 vezes o lucro projetado para 2027 e oferece rendimento de fluxo de caixa livre de 25%. Para o banco, a combinação entre geração de caixa e preço descontado compensa os riscos relacionados à Kroton e sustenta a recomendação de compra, mesmo após a redução do preço-alvo.






