A semana de 12 a 16 de junho antecedeu a decisão de juros no Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nas próximas terça e quarta-feira (dias 20 e 21), e a expectativa é pelo anúncio de mais uma manutenção da Selic, taxa básica de juros.
A decisão de manter a taxa em 13,75%, se confirmada, será a sétima consecutiva, depois de um ciclo de 12 altas, após um período da taxa em seu piso histórico (2%), ao longo da pandemia.
Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) confirmou a expectativa do mercado e pausou a escalada dos juros no patamar de 5%-5,25%. No entanto, descartou qualquer queda para este ano, apontando como prováveis ainda duas altas de 25 pontos-base até o final deste ano.
Quem também subiu juros foi o Banco Central Europeu (BCE), escalando mais 25 pontos-base e atingindo para 3,75% ao ano.
Veja o que mais foi destaque no resumo da semana.
Resumo da semana no Brasil
Queda da Selic?
Na segunda (12), o Boletim Focus apontou nova expectativa de queda da inflação este ano: para 5,42%.
O que reforça as apostas em queda da Selic na reunião de agosto do Copom.
Para a próxima decisão, em 21 de junho, a expectativa é de manutenção da Selic nos atuais 13,75%. Segundo o Focus, a taxa deve chegar a 12,5% até o final do ano.
Sobre o tema, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que as revisões para baixo nas estimativas de inflação abrem espaço para corte de juros, mas não informou quando isso poderá ocorrer. Ele foi cobrado, publicamente, por Luiza Trajano, do Magazine Luiza (MGLU3), que disse ter ligado “mais de 20 vezes” para Campos Neto pedindo a queda dos juros.

S&P e o sonhado grau de investimento
A agência de classificação de risco S&P alterou a perspectiva para a nota soberana do Brasil de estável para positiva, o que não acontecia desde 2019.
Tal perspectiva reflete a capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros. Segundo a S&P, as expectativas estão melhores no contexto político e econômico.
A agência também reafirmou o rating do país de longo prazo em moeda estrangeira em BB-, ainda em grau especulativo.
A expectativa é que o movimento seja acompanhado por outras agências de classificação de risco de crédito, o que deve atrair capital estrangeiro para o país.
O ministro da ministro da Fazenda, Fernando Haddad comemorou o anúncio e disse que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm papel importante no processo, mas que o Banco Central (BC) precisa “se somar ao esforço” e começar a reduzir os juros.
Sobre uma possível volta do grau de investimento, garantia de que o país não corre o risco de dar calote na dívida pública, Haddad disse que acredita na retomada do selo de bom pagador. “O Brasil vai retomar”, declarou o ministro, lembrando que o país atualmente está crescendo mais e tendo inflação menor que diversos países desenvolvidos.
O Brasil obteve o grau de investimento em 2008, no segundo mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O país perdeu o selo em 2015, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Atualmente, a S&P concede ao Brasil a nota BB-, três níveis abaixo do grau de investimento.
Produção industrial recua em 10 estados
A pesquisa de Produção Industrial Regional do IBGE apontou que a produção teve recuo em 10 dos 15 estados pesquisados do país. Em abril, houve recuo de 0,6% na produção nacional.
Serviços recuam
A Pesquisa Mensal de Serviços teve recuo de 1,6% em abril frente a março. Com isso, o setor ficou 10,5% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 2,9% abaixo de dezembro de 2022 (ponto mais alto da série histórica).
Vendas no varejo sobem 0,1%
O IBGE divulgou também a Pesquisa Mensal de Comércio, que apontou que as vendas no varejo cresceram 0,1% na passagem de março para abril. É o quarto mês seguido de altas. No acumulado de 12 meses, a alta é de 0,9%. No ano, de 1,9%.
Produção agrícola deve ser recorde
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), também divulgado pelo IBGE esta manhã, mostrou que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve registrar novo recorde em 2023, totalizando 305,4 milhões de toneladas.
Mais um capítulo na novela Americanas
A Americanas (AMER3) admitiu fraude, envolvendo contratos fictícios de publicidade de R$ 21,7 bilhão. Segundo a empresa, os ex-diretores usaram o WhatsApp para orquestrar a maquiagem de dados financeiros. E a consultoria KPMG foi acusada de ter mudado análises por pedidos dos ex-diretores. A ação da empresa fechou a terça-feira (13) com alta de mais de 6%.
Resumo da semana no exterior
CPI antes do Fed
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI na sigla em inglês) dos EUA de maio apresentou alta de 0,1%, ante expectativa de 0,2%. Em abril, a alta foi de 0,4%. Na base anual, a alta é de 4%, ante expectativa de 4,1%.
O resultado deu força à decisão de pausa na escalada dos juros nos EUA, que veio logo em seguida.
Fed manteve juros
Como amplamente esperado, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros no patamar entre 5% e 5,25% ao ano, mas sinalizando novas altas daqui em diante.
De acordo com o gráfico de pontos, 9 dirigentes do comitê de política monetária do Fed (Fomc) esperam juro entre 5,50% e 5,75% no fim de 2023. Para 2014, 10 dirigentes enxergam juros acima de 4,5% no fim de 2024. Outros 6 dirigentes esperam juros entre 4,25% e 4,5% em 2024.
O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, avalia a posição do Fed como hawkish.
“Pelo relatório e pelas projeções, ficou claro que eles preferiram esperar agora, mas que farão um novo aumento na reunião de julho, de 0,25 p.p., e pelo menos mais um até o fim do ano, possivelmente em setembro. Surpreendeu inclusive o foco na meta de 2%. Eu parei de contar quando o presidente Jerome Powell citou o número pela sétima vez em seu discurso”, apontou.
Para ele, aos poucos o mercado vai precificar essa possibilidade de ajuste nos próximos meses. “É uma postura bastante conservadora, mas o mercado terá que perceber que os juros continuarão subindo e ficarão mais altos por um longo período de tempo”, conclui.
BCE sobe juros
O Banco Central Europeu definiu juros na semana e, como esperado, promoveu nova alta de 25 pontos-base.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, descartou qualquer pausa nos juros, afirmando que a zona do euro “ainda não chegou ao destino”, que é a meta de inflação de 2%. Para julho é aguardado mais um aumento da taxa.
A inflação da zona do euro, divulgada na sexta (16%) desacelerou de 7% em abril para 6,1% em maio, em linha com o esperado.
Corte de juros na China
O Banco Popular da China (PboC) cortou sua taxa de recompra reversa de sete dias em 10 pontos-base, injetando no mercado 2 bilhões de yuans chineses (US$ 279,97 milhões).
Depois anunciou um corte de juro também na linha de empréstimo de médio prazo (MLF) de 1 ano em 10 pontos-base, para 2,65%.
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