O petróleo da Venezuela voltou ao centro das atenções do mercado internacional após a deposição do presidente Nicolás Maduro em uma ofensiva terrestre liderada pelos Estados Unidos no último fim de semana. Em meio à instabilidade política e institucional, investidores começam a avaliar se o novo cenário pode abrir espaço para oportunidades de longo prazo em um país que, por anos, permaneceu praticamente fechado ao capital estrangeiro.
Para alguns analistas, o momento representa mais do que uma crise geopolítica. Charles Myers, presidente da consultoria Signum Global Advisors, afirmou que a Venezuela pode se transformar em um dos maiores projetos de reconstrução de infraestrutura da próxima década. Em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC, Myers estimou que os investimentos no país podem alcançar até US$ 500 bilhões nos próximos dez anos, abrangendo diversos setores da economia.
Segundo Myers, há um excesso de pessimismo em relação ao futuro venezuelano. Ele avalia que a reconstrução da indústria de energia, logística e infraestrutura básica pode criar oportunidades relevantes para investidores institucionais e multinacionais. O executivo informou ainda que organiza uma viagem ao país, prevista para março, com a participação de investidores, grandes empresas globais e gestores de ativos, iniciativa que, segundo ele, ocorre de forma independente do Departamento de Estado e do governo dos EUA.
Petróleo da Venezuela: postura cautelosa de outros participantes
Outros participantes do mercado, no entanto, adotam postura mais cautelosa. Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados aos Estados Unidos em 3 de janeiro. Na sequência, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA passariam a governar a Venezuela e chegou a ameaçar a presidente interina Delcy Rodríguez, dizendo que ela “pagaria um preço muito alto” caso se opusesse às ações norte-americanas. Embora inicialmente tenha rechaçado as declarações, Rodríguez sinalizou recentemente disposição para dialogar com Washington.
Apesar disso, parte dos investidores avalia que o país segue, na prática, fechado para novos negócios. Robert Koenigsberger, sócio-gerente e diretor de investimentos da Gramercy Funds Management, afirmou que, do ponto de vista regulatório, pouco mudou até agora. Segundo ele, o ambiente de investimento continua limitado por sanções e pela presença de indivíduos restritos internacionalmente.
“Um investidor não pode simplesmente ir a Caracas e começar a prospectar oportunidades”, afirmou.
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Myers reconhece que as garantias de segurança serão determinantes para a retomada do investimento estrangeiro, mas considera tranquilizadora a presença militar dos EUA na costa venezuelana. Ele também não descarta que parte das sanções seja suspensa nos próximos meses, o que poderia destravar fluxos de capital. Na sua avaliação, uma eventual reabertura do país, incluindo o retorno aos mercados de dívida e a reativação da Bolsa de Valores de Caracas, poderia ampliar significativamente o interesse de investidores globais.
No mercado acionário, o impacto mais imediato foi observado no setor de energia. Logo após a queda de Maduro, empresas de petróleo e gás passaram a ser vistas como potenciais beneficiárias de um processo de reconstrução do petróleo da Venezuela. Companhias como Chevron, Exxon Mobil e ConocoPhillips evitaram comentários públicos, mas viram suas ações se valorizar. A Chevron, única empresa americana ainda com operações no país, registrou alta de 5%, tornando-se o maior ganho do Dow Jones Industrial Average no pregão seguinte aos eventos.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas grande parte das grandes petrolíferas americanas está impedida de operar no país desde a nacionalização de ativos promovida pelo ex-presidente Hugo Chávez, em 2007. Com a mudança abrupta no cenário político, investidores agora tentam mensurar se o potencial energético do país finalmente poderá ser convertido em uma nova fronteira de investimentos globais.
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