Trump, Maduro e EUA passaram a dominar o noticiário neste sábado (3), após o presidente americano afirmar que forças norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, em meio a um bombardeio concentrado em pontos estratégicos do país.
Em declarações públicas durante coletiva de imprensa, Trump disse que Maduro deverá ser julgado por “narcoterrorismo” e sustentou que o alvo não era apenas político.
O presidente dos EUA disse que a captura de Maduro teve a intenção de parar o tráfico de drogas para o país e de recuperar o controle das petrolíferas da região: “roubaram bilhões de dólares de nós”. Trump disse que os Estados Unidos teriam “construído a indústria petrolífera” venezuelana e o regime teria usado receitas para financiar conflitos fora do continente.
Ainda no discurso, Trump reforçou que o bloqueio ao petróleo venezuelano continuaria e afirmou que “o exército americano está em posição”, enquanto dizia avaliar “o futuro da Venezuela”. A mensagem, além de interna, foi lida como recado externo: energia, influência e segurança regional entram no mesmo pacote.
Petróleo, custo do dinheiro e dólar
Na leitura do analista internacional da EQI Research, Marink Martins, embora seja cedo para medir as repercussões, o choque tende a bater direto nos “três grandes preços” da economia global: o valor relativo do dólar, o custo do dinheiro medido pela Treasury de 10 anos dos EUA e o preço do petróleo.
Em outras palavras, os impactos não serão apenas “locais”: atravessam câmbio, juros e energia.
Marink também chama atenção para um ponto menos comentado: a segurança dos mares. Ele lembra que a fase de maior estabilidade no pós-Guerra Fria ajudou a sustentar cadeias globais “just-in-time”, com rotas marítimas previsíveis e commodities mais baratas. Agora, a combinação de isolacionismo com intervencionismo, diz ele, “pode produzir um ambiente bem diferente, com risco logístico e prêmio de incerteza embutido no petróleo”.
Reação regional
A América Latina reagiu de forma desigual. Parte dos governos condenou o bombardeio por violação de soberania, enquanto outros líderes enxergaram a retirada de Maduro como primeiro passo para uma mudança muito positiva de rumo em Caracas. Nesse segundo grupo, o presidente argentino Javier Milei endossou publicamente a pressão narcoterroristaem uma fala dura que reposiciona a Argentina no debate regional.
“A ditadura atroz e desumana do narcoterrorista Nicolás Maduro expõe uma sombra escura sobre a nossa região”, disse Milei em seu pronunciamento. E continuou: “este perigo e esta vergonha não podem continuar existindo no continente ou isso acabará nos arrastando junto com ele. A Argentina saúda a pressão dos Estados Unidos e Donald Trump para liberar o povo venezuelano. O tempo de adotar uma abordagem cautelosa já se esgotou. Estamos, todos os outros integrantes do Bloco a apoiar essa posição e condenar a este experimento autoritário.”
Já o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse por meio de suas redes sociais que a ação dos EUA “ultrapassa uma linha inaceitável”.
María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, também se pronunciou sobre a captura de Maduro. Ela disse que que chegou a “hora da liberdade” venezuelana e que agora será colocada “ordem” no país e será possível “trazer nossos filhos de volta para casa”.
Com Maduro fora de cena, a pergunta central vira “e depois?”. A transição, se ocorrer, tende a ser disputada por atores internos e externos, com impacto direto no petróleo venezuelano, na reconfiguração de alianças e na temperatura do continente.
E, como ressalta Marink Martins, o efeito dominó pode aparecer menos em discursos e mais nos preços: dólar, juros e barril devem reagir primeiro.






