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FGC evitou efeito dominó após rombo do Banco Master, diz Juliano Custódio

FGC evitou efeito dominó após rombo do Banco Master, diz Juliano Custódio

Vídeo de Juliano Custódio analisa a quebra do Banco Master, rebate críticas aos distribuidores e destaca o papel do FGC na contenção da crise

A quebra do Banco Master reacendeu a disputa de narrativas no mercado financeiro. Para Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, atribuir aos distribuidores de investimentos a responsabilidade pela crise é inverter a lógica do problema. Em vídeo publicado nas redes, ele afirma que o caso escancara falhas de supervisão, testa a estrutura de proteção do sistema financeiro e reforça a importância do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para evitar uma crise mais ampla.

Na avaliação de Custódio, o episódio é grave, mas também deixa uma conclusão incômoda para quem previa um efeito dominó no mercado. “O Banco Master provou que o sistema financeiro brasileiro é muito, muito seguro”, diz. Para ele, apesar do rombo bilionário, não houve corrida bancária nem contaminação sistêmica, o que mostra que os mecanismos de proteção seguiram funcionando.

O executivo também critica a mudança de foco no debate público. “O escândalo político que ele está causando ficou tão grande que parece que o fato de ele ter dado um calote num monte de gente virou mero detalhe”, afirma. Na visão dele, a discussão central deveria estar nos investidores afetados, no papel dos reguladores e nas falhas que permitiram o agravamento da crise.

Crise do Master expõe rombo bilionário e risco de contaminação

Segundo Juliano Custódio, o Banco Master captou recursos de investidores principalmente por meio de CDBs, oferecendo retornos muito acima da média de mercado, em alguns casos chegando a 140% do CDI. O problema surgiu quando esses compromissos começaram a vencer e a instituição precisou devolver não só o principal investido, mas também os rendimentos prometidos.

O desfecho foi a liquidação extrajudicial. “Mas em vez de pagamento, veio a liquidação extrajudicial. Resumindo, um calote”, afirma. Em crises bancárias, esse tipo de ruptura costuma acender o alerta máximo no mercado, já que a quebra de uma instituição pode contaminar outras, derrubar a confiança dos investidores e provocar saques em massa.

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Custódio destaca, porém, que esse cenário não se confirmou: “O maior risco é o de contaminação do sistema, que não aconteceu”, diz. Para ele, esse é o ponto mais relevante do caso: mesmo diante do que classifica como a maior fraude bancária do país, o restante do sistema absorveu o choque sem colapso generalizado.

FGC entra em cena e evita efeito dominó

Na leitura do CEO da EQI, a principal barreira contra uma crise maior foi o FGC, fundo bancado pelas próprias instituições financeiras para cobrir depósitos e aplicações dentro dos limites previstos. O mecanismo ganhou protagonismo no caso Banco Master ao ressarcir investidores cobertos pela garantia e preservar a confiança no mercado.

Custódio usa uma comparação simples para resumir o papel do fundo. “Pense no FGC como um airbag. Você não quer precisar dele, mas você se tranquiliza porque ele é capaz de evitar o pior”, afirma. A avaliação é que o fundo funcionou como planejado ao impedir que a quebra se transformasse em pânico generalizado.

Ao mesmo tempo, ele rebate a tese de que a existência do FGC estimularia irresponsabilidade entre bancos menores e investidores. Para Custódio, esse argumento interessa sobretudo aos grandes bancos, porque a ausência da garantia concentraria ainda mais recursos nas instituições maiores. Na prática, diz ele, o fundo ajuda a reduzir a concentração e sustenta algum nível de competição no mercado.

Custódio rejeita culpa de distribuidores

Um dos pontos centrais do vídeo é a crítica à tentativa de responsabilizar distribuidores de investimentos pela crise. Para Custódio, essas instituições operam dentro de um ambiente já regulado e não têm o papel de fiscalizar bancos nem acesso completo ao que acontece dentro deles. “Os distribuidores não são reguladores”, afirma.

Ele reforça que a atividade de distribuição depende da estrutura definida pelos órgãos de supervisão. “A gente distribui o que o Banco Central e o que a CVM regulam”, diz. Na visão do executivo, quem tinha acesso aos dados mais sensíveis e às reais condições de alavancagem e liquidez do Banco Master eram justamente os reguladores.

Ainda assim, ele reconhece que o mercado começou a desconfiar da operação antes da quebra. Taxas elevadas demais por tempo prolongado, segundo ele, já indicavam um desequilíbrio difícil de sustentar. “Quem fizesse um pouco de conta ia perceber que não tinha como não dar errado”, afirma. Foi nesse momento, segundo relata, que distribuidores passaram a interromper a oferta de produtos ligados ao banco.

Caso pressiona reguladores e reacende debate sobre supervisão

Para Juliano Custódio, a crise do Banco Master joga luz sobre a atuação dos órgãos responsáveis por monitorar o sistema. A tese central é que havia sinais suficientes para uma resposta mais firme e mais rápida. Quando a supervisão falha, diz ele, o problema cresce até se tornar incontornável.

O executivo afirma que o mercado começou a perceber inconsistências enquanto, segundo ele, os reguladores ainda mantinham a operação em funcionamento. Essa leitura desloca o eixo da responsabilidade para quem tinha poder legal de intervir, exigir ajustes e impor medidas concretas. Na prática, a quebra reacende o debate sobre os limites da fiscalização e sobre a velocidade de reação em casos de risco crescente.

A crítica também se estende à narrativa que ganhou força depois do caso, segundo a qual o problema estaria concentrado em assessores, plataformas ou na simples existência de bancos menores oferecendo taxas mais altas. Para Custódio, esse raciocínio simplifica a crise e pode acabar beneficiando os grandes conglomerados ao reforçar um ambiente de menor concorrência.

Lição para o investidor passa por risco, retorno e entendimento do produto

Custódio leva a discussão para um terreno mais prático, de que a rentabilidade maior quase sempre vem acompanhada de risco maior, e o investidor precisa compreender essa relação antes de aplicar. O erro, segundo ele, está em tratar produtos diferentes como se tivessem o mesmo perfil de segurança apenas porque ambos são CDBs.

Para ilustrar esse ponto, ele usa uma analogia popular. “Com CDB é a mesmíssima coisa”, afirma, ao comparar um produto mais arriscado a um “Marea Turbo” e uma aplicação mais conservadora a um “Corolla”. A ideia é de que pode haver espaço para ativos mais agressivos na carteira, mas não para concentrar neles o dinheiro que não pode ser perdido.

“Você pode ter os dois, mas não pode colocar no banco da esquina um dinheiro que você não pode perder”, resume. O conselho do executivo é para que o investidor ouça assessores, acompanhe a classificação de risco dos ativos e, principalmente, entenda o que está comprando. Para ele, a quebra do Banco Master não destruiu a segurança do sistema, mas reforçou a necessidade de distinguir retorno alto de risco controlado.

Confira o vídeo na íntegra:

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