A Minerva (BEEF3) mantém a desalavancagem como foco principal e espera liberar aproximadamente R$ 3 bilhões em caixa com a normalização do capital de giro. Segundo relatório da Ágora publicado na última sexta-feira (28), a empresa acredita que o Brasil ganhará maior relevância como exportadora líquida de proteínas, levando em consideração as recentes restrições dos Estados Unidos e Europa.
As medidas foram adotadas de diferentes formas em cada um desses países, no caso dos Estado Unidos, leva-se em consideração o fraquíssimo ciclo pecuário do país que aumenta a demanda por carne bovina.
Na China, a medida serve para proteger o sistema produtivo local e o mercado interno. E, na União Europeia, as novas regras de sanitárias sobre o uso de antimicrobianos fez com que o Brasil saísse da lista de autorização de venda de determinados animais.
O ciclo de recebimento no segundo semestre deve encurtar ante a diminuição de exposição a China, ao mesmo tempo que a venda dos estoques e a conversão dos ativos biológicos podem contribuir positivamente para o ciclo.
Contudo, a conversão do capital de giro em caixa que estava concentrada para o terceiro trimestre desse ano, deve ganhar força só no quarto semestre desse ano ou até mesmo se estender até o primeiro semestre de 2027. O atraso é motivado pela nova cota norte-americana e os estoques já formados no país.
“A estratégia da Minerva permanece baseada na diversificação geográfica e na capacidade de arbitrar preços do gado, produção e mercados consumidores entre os países em que atua”, analisam Henrique Brustolin e J.Ricardo Rosalen.
Alocação de capital
A Minerva quer manter a reserva de liquidez elevada perante as condições mais restritivas do mercado brasileiro de credito. Os R$ 15 bilhões em caixa são, aproximadamente, 50% acima do mínimo previsto pela politica da companhia de R$ 10 bilhões.
Permitindo uma maior flexibilidade para vencimentos, negociar refinanciamentos e carregar estoques quando surgir a oportunidade.
Apesar do cenário positivo para a reserva de liquidez, a companhia admitiu que a dívida líquida equivale a 2,9 vezes o Ebtida anual, permanecendo acima do nível adequado, de cerca de 1,5 vez a 2 vezes. Até que esse número se normalize os dividendos devem continuar limitados ao mínimo estatutário de 25%.
Mesmo que a companhia tenha amplificado a integração dos ativos adquiridos e a capacidade de abate, escala, presença geográfica, com 6 milhões de cabeças batidas e R$ 57 bilhões de receita acumulada dos últimos 12 meses, o foco da empresa não é o ganho adicional de escala, e sim a conversão de capital de giro em caixa e a redução da dívida.
Considerando que as despesas consumam 35% do Ebtida, nas condições de juros atuais isso reivindicaria uma alavancagem entre 1,5 vez e 2 vezes, valores consideráveis confortáveis para a empresa.
“Embora a direção da melhora esteja clara, a postergação da liberação de capital de giro reduz a visibilidade sobre o ritmo da desalavancagem”, afirmam os analistas
Leia mais:





