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Mercadante cobra queda sustentada dos juros no MacroDay

Mercadante cobra queda sustentada dos juros no MacroDay

Para o presidente do BNDES, o debate sobre juros não pode ser limitado à política fiscal do governo federal

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil precisa construir uma trajetória de queda “duradoura e sustentada” dos juros para conseguir acelerar os investimentos e ampliar o crescimento econômico. Durante o Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual (BPAC11), Mercadante defendeu uma articulação entre Executivo, Congresso, Judiciário, governadores e prefeitos para enfrentar o que classificou como um problema histórico do país.

“Desde o Real não resolvemos os juros e chegou a hora”, afirmou Mercadante. Segundo ele, o país precisa abandonar um cenário em que a política monetária permanece restritiva por longos períodos e criar condições para que os investimentos aumentem a oferta de bens e serviços e contribuam para reduzir as pressões inflacionárias.

Para o presidente do BNDES, o debate sobre juros não pode ser limitado à política fiscal do governo federal. Ele argumentou que é necessário discutir as contas públicas de forma mais ampla e construir um diálogo entre os diferentes níveis de governo e as instituições.

“Temos que ter uma queda duradoura e sustentada da taxa de juros”, disse.

Para Mercadante, a manutenção das taxas elevadas dificulta o financiamento privado e limita a capacidade de investimento do país.

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BNDES quer ser uma alavanca

Mercadante afirmou que o BNDES vem apresentando uma trajetória positiva de crescimento. Segundo ele, os desembolsos do banco deverão crescer 35% e a instituição registra o segundo melhor resultado de sua história no sistema financeiro.

O presidente também destacou o recorde histórico de lucro recorrente, atribuído principalmente ao desempenho da carteira de crédito, e afirmou que a inadimplência está em apenas 0,05%.

Na avaliação de Mercadante, os números refletem uma atuação baseada em “prudência, rigor e governança sólida”. Ele também afirmou que o BNDES é hoje uma instituição mais transparente.

O objetivo, segundo ele, não é fazer o banco voltar a representar 5% do Produto Interno Bruto (PIB), como ocorreu em períodos anteriores. A meta é que a instituição alcance uma participação equivalente a 2% do PIB e atue como uma “alavanca” para o investimento privado.

“Não queremos que o banco volte a ter 5% do PIB. Queremos ser uma alavanca”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Mercadante disse que o BNDES não pode ter uma atuação menor do que a atual diante de situações emergenciais. Ele citou os R$ 29 bilhões destinados à recuperação do Rio Grande do Sul e as linhas criadas para enfrentar outras situações de emergência, como o programa Brasil Soberano.

Mercado responde por 62% da receita

Mercadante também procurou destacar a participação do mercado privado na atuação do banco. Segundo ele, 62% da receita do BNDES vem do mercado, enquanto os outros 38% estão relacionados ao Plano Safra.

O banco também vem ampliando a parceria com o mercado de capitais, especialmente por meio de debêntures. A estratégia, segundo Mercadante, é utilizar o BNDES para estimular investimentos sem concentrar todo o financiamento na instituição pública.

A intenção é ampliar a participação de recursos privados em projetos de desenvolvimento e infraestrutura.

BNDES mira inteligência artificial, data centers e inovação

Mercadante afirmou que o banco público precisa apostar em inovação e citou setores como inteligência artificial e data centers como áreas que estão sendo acompanhadas com interesse pelo BNDES.

Para ele, essas tecnologias poderão provocar um impacto “disruptivo” na economia e exigirão uma atuação estratégica do país.

O presidente do banco também destacou a parceria histórica do BNDES com a Embraer e com a indústria de papel como exemplos da atuação da instituição no desenvolvimento da indústria brasileira.

Mercadante mencionou ainda o potencial brasileiro em minerais críticos e terras raras e afirmou que o país deve explorar oportunidades relacionadas a esses setores.

Ele disse que o BNDES também analisa a possibilidade de o Brasil ampliar sua atuação na cadeia de urânio enriquecido, citando o que chamou de um “pré-sal de urânio”.

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