A Minerva (BEEF3) apresentou resultado misto no 2T26, segundo avaliação da Ativa Investimentos, com crescimento da receita, mas pressão dos custos com gado sobre as margens e impacto relevante do capital de giro na geração de caixa.
A receita líquida atingiu R$ 14,1 bilhões, alta de 1,3% na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 611,4 milhões.
Apesar de EBITDA e lucro líquido superarem as estimativas da corretora, a Ativa manteve visão cautelosa sobre a companhia e recomendação Neutra para BEEF3.
Receita cresce, mas custos com gado limitam rentabilidade
A receita bruta consolidada da Minerva alcançou R$ 15,1 bilhões no 2T26, crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi puxado principalmente pelas operações da Colômbia, com alta de 33,1%, Paraguai, com 12,6%, Argentina, com 11,8%, e Austrália, com 11,5%. Brasil e Uruguai tiveram expansão mais moderada, de 4,5% e 4,3%, respectivamente.
Apesar do crescimento da receita, a rentabilidade continuou pressionada. A margem bruta da Minerva ficou em 16,6%, queda de 0,9 ponto percentual na comparação anual e abaixo da projeção da Ativa.
Segundo a análise, o desempenho reflete principalmente o aumento do preço dos animais prontos para abate nos últimos 12 meses, com destaque para o mercado brasileiro.
A margem EBITDA, por sua vez, atingiu 8,7% no 2T26, acima dos 7,8% esperados pela corretora, mas 0,6 ponto percentual abaixo do registrado um ano antes. O EBITDA somou R$ 1,23 bilhão, 10,3% acima da estimativa da Ativa, embora tenha recuado 5,5% na comparação anual. A melhora nas despesas com vendas ajudou a compensar parcialmente a pressão dos custos.
Capital de giro leva Minerva a queimar caixa no 2T26
A geração de caixa aparece como um dos principais pontos de atenção no balanço. A Minerva registrou fluxo de caixa operacional negativo de R$ 54,6 milhões no trimestre, afetado por uma variação negativa de R$ 1,1 bilhão na necessidade de capital de giro.
Entre os fatores que pressionaram o capital de giro está o aumento de R$ 609,7 milhões nas contas a receber, além do crescimento dos estoques e dos ativos biológicos. Como consequência, o fluxo de caixa livre, ou FCF, ficou negativo em R$ 611,4 milhões no 2T26, mesmo diante de um nível menor de investimentos.
A alavancagem também permaneceu em patamar relevante. O indicador encerrou o trimestre em 2,9 vezes EBITDA, abaixo das 3,2 vezes observadas no 2T25, mas acima das 2,7 vezes registradas no primeiro trimestre de 2026.
Para a Ativa, a combinação entre queima de caixa e alavancagem ainda elevada contribui para uma leitura mais cautelosa sobre a Minerva.
Abates recuam na comparação anual e exportações ganham peso
No operacional, a Minerva abateu 1,4 milhão de cabeças durante o 2T26. O volume representa redução de 3,8% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, embora tenha avançado 5,9% em relação ao 1T26.
O volume de vendas chegou a 506,1 mil toneladas, praticamente estável na comparação anual, com queda de 0,2%, e crescimento de 5,1% na comparação trimestral. As exportações responderam por 56,6% do faturamento da companhia no período, reforçando a exposição internacional das receitas.
Os números mostram, portanto, uma recuperação sequencial da atividade, mas sem avanço relevante dos volumes frente ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, a distribuição geográfica das receitas ajudou a sustentar o crescimento consolidado, especialmente diante do desempenho das operações na Colômbia, Paraguai, Argentina e Austrália.
Lucro supera projeção, mas cai 57% em um ano
O lucro líquido da Minerva atingiu R$ 196,9 milhões no 2T26, resultado 18,6% superior aos R$ 166,1 milhões projetados pela Ativa. Na comparação com o primeiro trimestre, quando a companhia lucrou R$ 87,3 milhões, houve avanço de 125,6%.
A leitura anual, entretanto, foi mais fraca. O lucro recuou 57% frente aos R$ 458,3 milhões registrados no 2T25. De acordo com a Ativa, o resultado financeiro sofreu pressão na comparação anual, principalmente em razão do efeito negativo da variação cambial durante o trimestre.
Diante desse conjunto de fatores, a Ativa avalia que, embora EBITDA e lucro tenham superado suas projeções, o 2T26 da Minerva ainda mostrou pressão relevante sobre a rentabilidade e a geração de caixa. Os custos elevados com gado, especialmente no Brasil, e os efeitos do capital de giro continuam no radar, levando a corretora a reiterar recomendação Neutra para BEEF3.






