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Grupo México deixou a disputa de parte da Rumo Logística

Grupo México deixou a disputa de parte da Rumo Logística

A disputa por cerca de 15% da companhia pode ter reflexos sobre a malha ferroviária brasileira e recair sobre os portos exportadores

O Grupo México pode ter desistido da negociação de cerca de 15% da Rumo Logística (RAIL3), detidos pela Cosan (CSAN3). Deixando negociação para a Cofco e a Bunge, com uma proposta conjunta. Estima-se que a operação chegue em R$ 5 Bilhões e inclua um prêmio para acesso ao bloco de controle. 

“O grupo mexicano buscava maior poder de decisão do que os vendedores estavam dispostos a conceder, enquanto o preço também pesou na desistência”, afirmam os analistas da Ágora, Vicente Falanga e Ricardo França.

A Cosan ao vender apenas uma parte dos mais de 20% da Rumo, evitando a realização de uma oferta pública obrigatória (OPA) e integrando o comprador ao bloco de controle.

A oferta estimada geraria um prêmio de aproximadamente 25% sobre o valor do mercado atual de participação, refletindo o interesse de investidores em ingressar no bloco de controle que é responsável pelas principais decisões da operadora ferroviária.

“Como a operação não exigirá OPA e os acionistas minoritários não receberão esse prêmio, o benefício deverá ser integralmente capturado pela Cosan, contribuindo de forma relevante para seus planos de desalavancagem”, reiteram os analistas.

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Entretanto, a operação não foi formalmente confirmada e a Cosan informou que apesar do recebimento das propostas nenhuma medida havia de fato sido tomada.

Negociações

Entre os aspectos podem vir a fazer parte da negociação estão: representação no Conselho de Administração; direito ao voto; participação na definição dos investimentos e as condições para aprovação de determinadas operações estratégicas.

A venda deixaria a Cosan com apenas 5,33% do capital da empresa, e implicaria na possibilidade de acordos adicionais de governança e na área financeira. Enquanto isso, os 75,69% do capital da Rumo está em circulação no mercado e o restante pertence a outros acionistas, administradores e à tesouraria.

Usando uma referência proporcional para chegar ao valor atribuído por 100% da empresa, a quantia fica próxima dos R$ 33,3 bilhões, aproximadamente 25% maior do que valor de mercado de R$ 26,6 bilhões mencionado nas informações sobre a negociação.

Desde modo, o comprador não pagaria apenas pelas ações, mas também pelo acesso ao bloco de controle e as possíveis participações nas decisões estratégicas.

Porém, o valor elevado por uma fatia da empresa teria afastado o Grupo Ultra e Inpasa que decidiram não avançar nas negociações. O desafio que sobra para a Cofco e Bunge é encontrar um equilíbrio entre o valor exigido e a influência que as companhias terão com a participação.

Como a negociação pode afetar os portos

A Rumo é responsável pela administração de cerca de 14 mil quilômetros de ferrovias, além de possuir conexões diretas com os portos de Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande.

As ferrovias da empresa transportam aproximadamente 26% dos grãos exportados pelo Brasil, ainda transportam açúcar, fertilizantes, combustíveis e produtos industrializados.

A malha robusta transforma a companhia em um componente crucial para a ligação das áreas produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Sul e dos terminais portuários.

A possível participação da Cofco e da Bunge podem contribuir significativamente, em razão das companhias serem grandes comercializadoras de commodities agrícolas, o que pode potencializar os investimentos e a gama de produtos exportados.

Paralelamente, essa ampliação ia exigir da companhia regras na gestão corporativa para preservar a transparência comercial e o atendimento dos diversos clientes que utilizam a malha ferróviaria da empresa.

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