SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
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Gestores brasileiros ainda não iniciaram a rotação da renda fixa para a variável

Gestores brasileiros ainda não iniciaram a rotação da renda fixa para a variável

Investidores estrangeiros representam 60% do volume negociado apesar de alocação doméstica em mínimas históricas

A rotação de investimentos da renda fixa local para a renda variável no Brasil ainda não decolou, apesar do rali recente das ações brasileiras em 2025 e no acumulado de 2026, segundo análise do Bank of America assinada por David Beker e Paula Andrea Soto.

Os analistas destacam que, embora as ações brasileiras tenham se valorizado alinhadas com a alta mais ampla dos mercados emergentes, com investidores estrangeiros respondendo por cerca de 60% do volume negociado, “a alocação doméstica em ações permanece próxima das mínimas históricas em 8,1%”.

O BofA avalia que “um declínio sustentado na taxa Selic provavelmente será necessário para apoiar uma rotação para fora da renda fixa e reviver a emissão de ações”. Enquanto isso, a emissão de dívida corporativa aumentou nos últimos anos, refletindo a preferência dos investidores por instrumentos de renda fixa em um ambiente de juros elevados.

Ciclo de afrouxamento

A taxa Selic permanece em níveis restritivos de 15%, mas a moderação da inflação, atividade econômica mais fraca e um dólar mais fraco criam espaço para um ciclo de afrouxamento considerável, com cortes acumulados de até 450 pontos-base (10,5%) até maio de 2027, segundo as projeções do banco.

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A inflação (IPCA) encerrou 2025 dentro da meta em 4,26%. O BofA espera que o crescimento do PIB desacelere para 2,5% em 2025 e 2% em 2026, ante 2,9% em 2024. Um dólar mais forte que o esperado representa o principal risco para a profundidade do ciclo de afrouxamento monetário.

Eleições polarizadas

A eleição presidencial de 2026 está se configurando como uma disputa altamente polarizada. O presidente Lula deve concorrer à reeleição, enquanto Flávio Bolsonaro emergiu como principal candidato da direita, embora alguns governadores sejam citados como possíveis candidatos de centro em um campo fragmentado.

A relação dívida/PIB do Brasil está elevada e continua subindo (78,7% atualmente, ante 56,3% há uma década). Uma estrutura orçamentária rígida, com mais de 90% das despesas federais classificadas como obrigatórias, restringe significativamente o ajuste fiscal.

Endereçar essas pressões requer reformas estruturais no lado dos gastos, incluindo desindexação de pensões e benefícios sociais do salário mínimo e redução de pisos constitucionais de gastos. Apesar do ritmo irregular, o Brasil aprovou medidas importantes recentemente, incluindo reforma trabalhista (2017), previdenciária (2019) e tributária (2023).