Café
Home
Notícias
Ações
Resultado da Tenda mostra receita recorde no quarto trimestre e avanço do lucro em 2025

Resultado da Tenda mostra receita recorde no quarto trimestre e avanço do lucro em 2025

Desempenho foi impulsionado principalmente pela divisão Tenda, enquanto a Alea ainda enfrenta desafios operacionais

A Construtora Tenda (TEND3) divulgou seu resultado do quarto trimestre de 2025 com receita líquida recorde, impulsionada principalmente pelo desempenho da divisão Tenda, voltada à habitação popular. Entre outubro e dezembro, a companhia registrou faturamento de R$ 1,18 bilhão, crescimento de 38,9% em relação ao mesmo período de 2024 e avanço de 4% frente ao trimestre anterior.

No acumulado de 2025, a receita líquida consolidada da construtora chegou a R$ 4,17 bilhões, alta de 27,1% na comparação anual. O desempenho reflete o avanço operacional da principal marca da companhia, que segue como o principal motor de crescimento do grupo.

A maior contribuição veio justamente da divisão Tenda, responsável pelos empreendimentos voltados à baixa renda. O segmento gerou R$ 1,10 bilhão em receita líquida no trimestre, expansão de 39% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Já a divisão Alea registrou receita líquida de R$ 81,5 milhões no quarto trimestre, crescimento de 37,8% na base anual.

Publicidade
Publicidade

Resultado financeiro destaca desempenho da Tenda

A margem bruta consolidada da companhia atingiu 30% no quarto trimestre. O indicador avançou 2,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior e 0,6 ponto percentual frente ao terceiro trimestre.

No segmento Tenda, a margem bruta chegou a 34,6%, aumento de 6,2 pontos percentuais na comparação anual e de 1,9 ponto percentual na base trimestral. Excluindo os efeitos do programa Pode Entrar, a margem bruta ajustada da unidade alcançou 37,4%.

Em contraste, a divisão Alea apresentou deterioração relevante na rentabilidade, com margem bruta negativa de 31,4%. Segundo a companhia, o resultado reflete principalmente desvios de custos reconhecidos ao longo de 2025 e o processo de reestruturação operacional em andamento.

Rentabilidade e geração de caixa avançam

A rentabilidade da companhia também avançou de forma significativa. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) dos últimos 12 meses atingiu 47,1% no quarto trimestre, aumento de 35,3 pontos percentuais na comparação anual.

No campo financeiro, a companhia gerou R$ 57 milhões em caixa no trimestre. Desse total, R$ 76 milhões vieram da divisão Tenda, enquanto a Alea consumiu R$ 20 milhões.

A dívida líquida encerrou o período em R$ 266 milhões, enquanto a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido mais participações minoritárias subiu para 22,1%.

Segundo a empresa, o aumento foi influenciado principalmente pela distribuição de R$ 84,4 milhões em dividendos e recompras de ações ao longo do trimestre.

Visão dos analistas para os resultados

Na avaliação dos analistas da Ágora Investimentos, os números tiveram impacto neutro sobre a tese de investimento. A corretora destacou que a divisão Tenda continua apresentando forte desempenho operacional, com lucro líquido anual de R$ 636 milhões em 2025, crescimento de 257% na comparação anual.

Por outro lado, os analistas apontaram que a Alea apresentou margem bruta pior do que o esperado, de cerca de -31%, enquanto a estimativa era de aproximadamente -10%.

As revisões orçamentárias mais intensas explicam parte do resultado, embora o impacto financeiro tenha sido parcialmente compensado por reversões de provisões relacionadas a planos de opções de ações.

Para os analistas, os números reforçam duas dinâmicas distintas dentro da companhia. Enquanto a divisão Tenda segue com forte geração de resultados, a Alea permanece em processo de estabilização operacional.

Para 2026, a administração projeta que a Alea deverá focar na estabilização das operações, redução da volatilidade e menor consumo de caixa. A expectativa é que esse consumo fique limitado a menos de 1,5% da receita consolidada, o que representaria entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões.

A Ágora também observa aumento recente no interesse de investidores, especialmente estrangeiros, e menor volatilidade nas ações TEND3.

Caso o desempenho da divisão Tenda continue forte e a Alea consiga estabilizar suas operações, a corretora avalia que os papéis podem passar por uma reavaliação no mercado.

Atualmente, a ação negocia a cerca de 5,7 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo de concorrentes do setor como CURY3 e DIRR3, que operam próximas de oito vezes.