Entre as petrolíferas listadas na B3, a Brava Energia (BRAV3) é a que apresenta a maior assimetria positiva — e também a que menos refletiu, até agora, o nível atual da curva futura do petróleo. Essa é a conclusão dos analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI, que simularam o impacto de três cenários distintos de preço do Brent sobre os preços-alvo e dividendos estimados das empresas do setor.
“A maior assimetria aparece em BRAV3, cujo desempenho recente não reflete integralmente o nível atual da curva futura, onde estimamos potencial de valorização adicional caso os preços do petróleo permaneçam acima dos patamares embutidos nas projeções atuais”, afirmam os analistas.
A combinação de maior alavancagem e fluxo de caixa concentrado no curto prazo torna a Brava a empresa mais sensível às oscilações do barril entre as cobertas pelo banco.
Petróleo
A análise parte de três referenciais de preço.
O primeiro é uma curva de normalidade, ancorada no piso do Brent registrado em dezembro de 2025, de US$ 59 por barril. O segundo é a curva vigente, que incorpora prêmio de risco geopolítico e aponta preços acima de US$ 80 no curto prazo.
O terceiro é um cenário de estresse, calibrado pelo comportamento do petróleo no início da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022, quando o Brent projetava níveis acima de US$ 100 para os 12 meses seguintes.
“Em média, os preços-alvo cairiam 9% na curva de normalidade, cresceriam 7% na curva vigente e poderiam avançar até 50% em um cenário mais estressado”, calculam Falanga e França.
O ambiente geopolítico recente — com redução da atividade de navios-tanque no Golfo Pérsico e reprecificação dos contratos futuros — foi o gatilho para a análise.

Outras ações
Para a PRIO (PRIO3), a sensibilidade é menor.
“Nomes com menor sensibilidade marginal, como a PRIO, devido à duração mais curta de geração de caixa, tendem a capturar menor variação percentual”, explicam os analistas.
Já a Petrobras (PETR4) carrega uma variável adicional.
“O dividend yield de 2026 poderia variar entre 6% e 12,5% dependendo da curva e do grau de repasse considerado”, concluem os analistas — tornando a política de preços de combustíveis um fator tão relevante quanto o próprio Brent para a tese de investimento na estatal.






