Café
Home
Notícias
Mercados
Dr. Catástrofe diz que guerra EUA x China é questão de tempo

Dr. Catástrofe diz que guerra EUA x China é questão de tempo

O economista ítalo-iraniano-americano Nouriel Roubini, conhecido hoje com o apelido “Dr. Catástrofe“, há duas décadas alertava para riscos financeiros que pareciam distantes, mas que se concretizaram – como a crise financeira dos EUA.  O professor emérito da Stern School of Business da Universidade de Nova York, está lançando o seu novo livro “Mega-ameaças: Dez Perigosas […]

O economista ítalo-iraniano-americano Nouriel Roubini, conhecido hoje com o apelido “Dr. Catástrofe“, há duas décadas alertava para riscos financeiros que pareciam distantes, mas que se concretizaram – como a crise financeira dos EUA. 

O professor emérito da Stern School of Business da Universidade de Nova York, está lançando o seu novo livro “Mega-ameaças: Dez Perigosas Tendências que Ameaçam Nosso Futuro e Como Sobreviver a Elas”, onde adverte sobre problemas  econômicos, financeiros, geopolíticos, demográficos, tecnológicos, militares e sanitários que, juntos, podem levar a humanidade à catástrofe.

Um dos pontos destacados em sua análise é a crescente tensão entre os Estados Unidos e a China, que, segundo ele, é apenas uma questão de tempo até resultarem em um conflito direto.

Em entrevista ao Valor Econômico, Roubini argumenta que as atuais condições econômicas e geopolíticas estão criando um terreno fértil para um conflito entre as duas superpotências. 

A China passa por um momento de desaceleração devido a problemas estruturais, como envelhecimento da população, dívidas públicas e privadas significativas, bem como uma crescente crise imobiliária. 

Publicidade
Publicidade

“No passado, o crescimento da China era conduzido pelas exportações, mas agora, por causa da geopolítica, da desglobalização, do comércio seguro, a capacidade da China de atrair investimento e de exportar será limitada. O crescimento potencial da China foi de 10% por 3 décadas. Depois caiu para 5%. Hoje, há uma aposta se são 3 ou 4.”, afirmou Roubini ao Valor Econômico.

Segundo o professor, a repercussão dessa desaceleração é global, pois afeta negativamente todas as economias da Ásia que fazem parte das cadeias de abastecimento chinesas, assim como os produtores que exportam matérias-primas para a China e as empresas europeias que investem no país. 

Um aparente consenso entre o economista e outros especialistas é que, o provável estopim que levaria a um conflito entre Estados Unidos e China, seria Taiwan.

Separada do continente chinês por um estreito, Taiwan enfrenta uma ameaça constante de seu poderoso vizinho, que reivindica a ilha como parte inseparável de seu território. 

Em outubro de 2022, o Secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, chegou a afirmar que a China poderia tomar medidas para anexar Taiwan em um “cronograma muito mais rápido” do que o anteriormente pensado. 

Seja em 2030, 2027 ou 2025, especialistas afirmam que isso poderia causar um enorme estrago na economia global, além do possível impacto devastador no quesito militar e humano.

Os Estados Unidos, que forneceram a Taiwan desde sistemas de defesa aérea até mísseis antinavio e caças, não são obrigados a intervir se a China invadir o território. 

No entanto, o presidente Joe Biden abandonou a ambiguidade estratégica e afirmou que os EUA viriam em defesa da ilha se a China a invadisse, o que significa que, se houver um conflito em Taiwan, a situação pode se complicar rapidamente.

De acordo com Roubini, uma guerra entre os EUA e a China não seria igual as guerras que já vimos. Isso porque ela poderia envolver novas tecnologias e armas quase autônomas, acrescentando um elemento de risco ainda maior. 

Outros fatores que contribuem para um cenário geopolítico volátil são os outros conflitos globais ocorrendo, como a guerra na Ucrânia e a crescente instabilidade na península coreana.

Muitos especialistas e analistas vêm alertando sobre a necessidade de cooperação global para enfrentar desafios como mudanças climáticas, pandemias e tensões geopolíticas.

Além disso, o economista destaca a importância de líderes políticos que possam pensar a longo prazo, superando rivalidades geopolíticas em prol do bem comum. 

O Dr. Catástrofe também enfatiza a necessidade de os jovens desempenharem um papel ativo na defesa de questões cruciais, como a mudança climática, uma vez que seu futuro está em jogo.