Nenhum índice de ações no mundo performou como o Kospi em 2026. A bolsa sul-coreana acumula alta de 45% no ano — um movimento que, em condições normais, levaria anos ou até décadas para se materializar.
O índice, que só superou em termos reais o pico de março de 1989 em setembro do ano passado — 36 anos depois —, finalmente parece ter encontrado seu momento. Para o investidor brasileiro, a boa notícia é que é possível acessar esse desempenho por meio do ETF BDR (BEWY39), negociado na B3.
Mas o que explica tamanha performance? Segundo o Deutsche Bank, “três forças se alinharam” para impulsionar o mercado coreano.
1. A revolução dos semicondutores
A Coreia do Sul ocupa posição central na cadeia global de fornecimento de memória — exatamente o insumo mais demandado pela expansão da inteligência artificial.
“O rali foi liderado pelo complexo de chips, com investidores precificando demanda mais forte, preços mais firmes e um ciclo de atualização mais longo”, destaca o Deutsche Bank.
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Os números confirmam: a Samsung, maior empresa do índice, subiu 82,5% no ano. A SK Hynix, segunda maior, avançou 69,8%.
2. A compressão do “desconto coreano”
Por décadas, as ações sul-coreanas negociaram com desconto persistente em relação a pares globais, reflexo de uma governança corporativa considerada fraca e de estruturas cruzadas de capital que destruíam valor. Isso pode estar mudando.
“As reformas de governança corporativa há muito debatidas começam a parecer mais críveis, e os mercados estão recompensando a perspectiva de melhor alocação de capital e maiores retornos aos acionistas”, afirma o banco alemão.
Em outubro do ano passado, o Deutsche Bank havia identificado a Coreia do Sul no terço inferior dos mercados globais por valuation — terreno fértil para quem acredita que “valuations dominam os retornos de longo prazo”.
3. Ventos macroeconômicos favoráveis
O pano de fundo macroeconômico também colaborou. O Banco Central da Coreia revisou suas projeções de crescimento para cima e sinalizou que não deve alterar a política monetária nos próximos seis meses. A economista Juliana Lee, do Deutsche Bank, tem sido mais otimista do que o consenso em relação à economia coreana recentemente.
O alerta, porém, também vem do próprio Deutsche Bank: após o rali, o Kospi pode migrar da cesta de mercados “baratos” para a dos “caros” no ranking global de valuations.
“No longo prazo, o valuation vence com folga — e essa mudança merece atenção”, conclui o banco.
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