O mercado de petróleo e gás natural encerrou agosto e entrou em setembro sob maior pressão da oferta global, em um cenário que combina tensões geopolíticas, redução da produção em países relevantes e estoques apertados de combustíveis.
Na avaliação do BTG Pactual, esse ambiente também coloca a Petrobras (PETR3; PETR4) novamente no centro das atenções, tanto pela alta das commodities quanto pela melhora de seus indicadores operacionais e financeiros.
O relatório do banco mostra que o setor de energia voltou a conviver com uma percepção maior de risco sobre o abastecimento. Ao mesmo tempo, o desempenho operacional da Petrobras e a resiliência do refino brasileiro fazem o BTG Pactual enxergar a estatal em uma posição mais forte do que em ciclos anteriores de maior pressão sobre os preços dos combustíveis.
Produção saudita cai 23% em agosto e amplia pressão sobre o petróleo
Um dos principais dados referentes a agosto veio da Arábia Saudita. Segundo informações destacadas pelo BTG Pactual, a produção de petróleo do país caiu 23% no mês, para 6,24 milhões de barris por dia. O movimento foi associado às interrupções nas principais rotas de exportação provocadas pelos ataques dos Houthis. A produção iraniana também recuou no período.
A redução acontece justamente quando as preocupações com a oferta ganharam espaço no mercado internacional. Na semana do relatório, os preços do petróleo caminhavam para uma valorização superior a 8%, refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupções prolongadas nas rotas de transporte da commodity.
A Opep, por sua vez, reduziu sua projeção de crescimento da demanda mundial por petróleo em 2026 para 380 mil barris por dia. Para 2027, entretanto, a entidade elevou sua estimativa para 2,36 milhões de barris por dia, sinalizando que, apesar das incertezas de curto prazo, o consumo continua sendo uma variável relevante para o equilíbrio futuro do mercado.
Gás natural sobe na Europa com temor de novas interrupções
O gás natural também sentiu os efeitos do aumento das tensões internacionais. Os preços europeus atingiram o maior nível desde o fim de 2022, de acordo com os dados reunidos pelo BTG Pactual. Os contratos de referência avançaram 4,8%, enquanto as cotações asiáticas do gás também alcançaram os maiores patamares em vários anos.
Outro fator de preocupação é o nível dos estoques europeus. As reservas estavam em apenas 67% da capacidade, o menor percentual registrado para esta época do ano desde o início da série histórica, em 2009. O gráfico apresentado pelo BTG na página 3 do relatório mostra uma aceleração significativa das cotações do gás europeu ao longo de 2026.
Nesse contexto, o comportamento do gás natural passa a ter impacto não apenas sobre empresas diretamente ligadas à commodity, mas também sobre custos industriais, geração de energia e inflação. A combinação de estoques abaixo do padrão histórico e ameaças à oferta tende a manter a volatilidade elevada.
Petrobras chega mais forte ao novo ciclo, avalia BTG Pactual
Enquanto o cenário internacional aumenta a incerteza, a Petrobras entra neste período com fundamentos considerados mais robustos pelo BTG Pactual. A produção acumulada no ano está em aproximadamente 2,68 milhões de barris por dia, acima das projeções da própria companhia, enquanto os resultados do refino continuam sólidos e o balanço permanece saudável.
O banco elevou em cerca de 12% suas estimativas de Ebitda para a estatal. A projeção passou para US$ 68,6 bilhões em 2026 e US$ 63,8 bilhões em 2027. O BTG também estima um rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista de aproximadamente 14% para 2027 e dividend yield próximo de 10% no mesmo período.
Com esses números, o BTG Pactual elevou o preço-alvo das ADRs da Petrobras para US$ 26 ao fim de 2027 e reiterou a recomendação de compra. A empresa também segue como a principal escolha do banco no setor brasileiro de petróleo e gás. Os gráficos da página 2 mostram ainda que os indicadores projetados de retorno ao acionista da companhia aparecem em posição competitiva em relação a grandes pares globais.
Comercialização de gás abre nova frente para Petrobras
A Petrobras também ganhou espaço em outra frente ligada ao gás natural. A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) escolheu a estatal como agente comercializador do gás natural pertencente à União, em um acordo com duração de três anos.
O contrato permite a comercialização tanto de gás bruto quanto de gás processado e prepara o caminho para o primeiro leilão de gás da União, previsto para outubro. Na prática, o acordo cria condições para que a PPSA ofereça volumes firmes de gás processado diretamente ao mercado.
A iniciativa acrescenta mais um elemento ao processo de transformação do mercado brasileiro de gás natural e reforça a presença da Petrobras em diferentes etapas da cadeia, em um momento em que o preço internacional da commodity voltou a ganhar atenção.
Diesel caro reforça cenário de volatilidade para energia
Além do petróleo e do gás natural, o mercado de derivados também enfrenta restrições. Nos Estados Unidos, o preço médio nacional do diesel ultrapassou US$ 6 por galão pela primeira vez, de acordo com os dados destacados pelo relatório. Os estoques de destilados estavam 13% abaixo da média dos últimos cinco anos.
Embora a produção de petróleo dos Estados Unidos tenha atingido o recorde de 13,9 milhões de barris por dia, os estoques comerciais de petróleo bruto ficaram em aproximadamente 424 milhões de barris. As refinarias operavam próximas da capacidade máxima, enquanto os estoques de gasolina avançaram 1,3 milhão de barris e os de destilados cresceram 2,1 milhões de barris.
Para o mercado, a fotografia deixada por agosto e consolidada nas primeiras semanas de setembro aponta para um setor de energia ainda sujeito a fortes oscilações. O BTG Pactual vê riscos relacionados à oferta global de petróleo e gás natural, mas, no caso da Petrobras, considera que o aumento da produção, a solidez financeira e a geração de caixa colocam a companhia em posição mais favorável para atravessar um período de maior incerteza.






