O Bitcoin hoje (8) opera em alta, após encontrar suporte na região dos US$ 60 mil e voltar para a faixa dos US$ 63 mil. A recuperação, contudo, ainda é limitada pelas saídas dos ETFs à vista nos Estados Unidos, pela tensão no Oriente Médio e pela expectativa pelos dados de inflação americana desta semana.
Por volta das 11h05, no horário de Brasília, o Bitcoin subia 0,51%, cotado a US$ 63.627,02, segundo dados do Google Finance.
Para Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a defesa da região dos US$ 60 mil foi o primeiro sinal positivo depois de uma sequência de pressão. O patamar já havia funcionado como suporte em fevereiro, antes do movimento que levou o BTC até perto de US$ 82 mil.
Apesar do alívio, o Bitcoin ainda acumula queda próxima de 13% em sete dias.
Bitcoin hoje: Suporte em US$ 60 mil
O ponto técnico mais relevante do dia é a defesa da faixa dos US$ 60 mil. Segundo o MB, compradores voltaram a aparecer nessa região, permitindo a recuperação para perto de US$ 63 mil.
Tota destaca que alguns indicadores já mostram estresse elevado no mercado. O Fear & Greed Index caiu para 8 pontos, nível de medo extremo, enquanto o RSI chegou a 14 pontos, patamar que indica forte intensidade da pressão vendedora.
O Bitcoin também chegou a negociar próximo de uma média de longo prazo, associada aos preços das últimas 200 semanas, hoje perto de US$ 62 mil. Historicamente, segundo o MB, o ativo passou pouco tempo abaixo dessa região, o que costuma chamar atenção de investidores com horizonte mais longo.
Isso não significa que o fundo foi formado. Mas indica que o mercado saiu de uma fase de euforia e entrou em uma zona mais associada à busca por acumulação.
ETFs ainda pesam
O principal obstáculo para uma recuperação mais consistente continua nos fluxos dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos. Na sexta-feira, esses produtos registraram US$ 325,7 milhões em saídas líquidas, encerrando a quarta semana consecutiva de retiradas.
No acumulado do período, as saídas já somam mais de US$ 5,4 bilhões, o pior intervalo de quatro semanas desde o lançamento dos ETFs spot no mercado americano. Para o MB, enquanto esse fluxo não melhorar, a retomada do Bitcoin tende a seguir limitada.
A pressão também aparece no comportamento das altcoins. A dominância do Bitcoin subiu de 57,9% para 58,9%, sinal de que os investidores continuam preferindo ativos mais consolidados dentro do mercado cripto. Ethereum e outros tokens seguem com desempenho mais fraco em meio ao ambiente de cautela.
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Inflação no radar
A agenda macro volta a ganhar peso nesta semana. Na sexta-feira, o payroll mostrou a criação de 172 mil vagas nos Estados Unidos, bem acima das 85 mil esperadas pelo mercado. O dado reforçou a leitura de que o Federal Reserve tem menos espaço para cortar juros e pode manter a política monetária restritiva por mais tempo.
Agora, os investidores aguardam o CPI, índice de inflação ao consumidor, na quarta-feira, e o PPI, inflação ao produtor, na quinta. Leituras acima do esperado podem aumentar as apostas de juros mais altos nos Estados Unidos entre o fim de 2026 e 2027, o que tende a pressionar ativos de risco, como o Bitcoin.
O Oriente Médio também segue no centro da análise. Os ataques envolvendo Israel, Irã e Líbano mantêm o risco geopolítico elevado, enquanto o Estreito de Ormuz continua com fluxo de embarcações muito abaixo do normal. Esse cenário sustenta o petróleo perto de US$ 95 por barril e amplia preocupações com inflação global.
Ao mesmo tempo, a tese de rotação para inteligência artificial continua no radar. Depois de forte queda no Nasdaq e no índice sul-coreano Kospi, o mercado avalia se parte do capital que saiu de cripto segue migrando para empresas ligadas a semicondutores, data centers e IA.






