Home
Notícias
Negócios
Inadimplência dispara em bancos digitais e acende alerta para o setor

Inadimplência dispara em bancos digitais e acende alerta para o setor

Os bancos digitais transformaram o mercado de crédito brasileiro nos últimos anos, ampliando significativamente o acesso da população aos serviços financeiros

Os bancos digitais transformaram o mercado de crédito brasileiro nos últimos anos, ampliando significativamente o acesso da população aos serviços financeiros. No entanto, esse movimento veio acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência, especialmente entre consumidores de menor renda, segundo análise do BTG baseada em estudo da Equifax Boa Vista.

O levantamento, que analisou mais de 165 milhões de CPFs entre 2021 e 2025, mostra que os neobancos se consolidaram como uma das principais portas de entrada para o crédito no país. Durante o período, o saldo ativo de crédito dessas instituições avançou mais de 360%, enquanto os bancos tradicionais registraram crescimento de 35,7%.

Crédito ampliado

A expansão foi particularmente relevante entre pessoas que tinham pouco ou nenhum acesso ao sistema financeiro. Em 2025, os bancos digitais responderam por 41,4% dos primeiros cartões de crédito emitidos aos consumidores, contra apenas 4,9% dos bancos tradicionais.

Entre os usuários com cartão de crédito ativo, a participação daqueles atendidos exclusivamente por neobancos saltou de 27,9% em 2021 para 47,1% em 2025. No segmento de empréstimos pessoais, o avanço foi ainda mais intenso, passando de 18% para 51,8%.

Na avaliação do BTG, os dados evidenciam que a digitalização financeira promoveu maior inclusão e concorrência no setor bancário, permitindo que milhões de brasileiros ingressassem no mercado formal de crédito.

Publicidade
Publicidade

Risco crescente

Por outro lado, a qualidade das carteiras passou a gerar preocupação. Nos cartões de crédito, a parcela dos saldos em atraso nos neobancos praticamente dobrou, passando de 5,77% para 11,16% entre 2021 e 2025. Nos bancos tradicionais, o avanço foi mais moderado, de 6,6% para 8,75%.

O cenário é ainda mais desafiador nos empréstimos pessoais. Nesse segmento, os atrasos nos bancos digitais saltaram de 2,56% para 10,3% do saldo ativo, enquanto nos bancos tradicionais o indicador avançou de 2,66% para apenas 3,5%.

O estudo aponta que o fenômeno é especialmente visível entre consumidores de menor renda. Entre aqueles com rendimento estimado de até um salário mínimo, a proporção de pessoas com cartão de crédito ativo cresceu de 6% para 20,5% no período analisado.

Ao mesmo tempo, a inadimplência dos cartões nessa faixa de renda disparou de cerca de 9,5% para 33%, enquanto os atrasos em empréstimos pessoais avançaram de pouco mais de 8% para 25%.

Segundo os analistas do BTG, os números sugerem que a ampliação da inclusão financeira trouxe para o sistema um contingente maior de consumidores com perfil de risco mais elevado, aumentando os níveis de endividamento e inadimplência.

Apesar disso, o banco ressalta que os neobancos operam com estruturas mais enxutas e custos menores, o que lhes permite absorver níveis mais altos de perdas. Além disso, as taxas cobradas dos clientes de maior risco tendem a compensar parte desse aumento da inadimplência.

O principal ponto de atenção para os investidores, contudo, é o comportamento da renda das famílias nos próximos anos. Caso a capacidade de pagamento dos consumidores se deteriore em um ambiente de elevado endividamento, os bancos digitais poderão enfrentar uma deterioração mais intensa da qualidade de suas carteiras.

Diante desse cenário, o BTG destaca que bancos tradicionais com histórico de gestão conservadora de risco, como o Itaú e o próprio BTG Pactual, continuam sendo vistos por investidores como opções mais defensivas dentro do setor bancário brasileiro.

Leia também: