Nubank (ROXO34) e Revolut estão avançando sobre o mercado bancário dos Estados Unidos em uma disputa que coloca frente a frente dois dos maiores bancos digitais do mundo. Segundo relatório do BTG Pactual, elaborado a partir de um artigo do Financial Times, as duas empresas receberam aprovação condicional para licenças bancárias no país em 2026 e agora começam a testar suas estratégias em um dos mercados financeiros mais competitivos do mundo.
A entrada será gradual. O Nubank começou a lançar sua oferta neste mês, inicialmente por meio do banco parceiro Lead Bank. A Revolut, que ainda possui presença limitada nos EUA, pretende ampliar suas operações após obter autorização bancária completa. Segundo Nigel Morris, da gestora QED, citado pelo Financial Times, as duas companhias podem levar de dois a três anos para encontrar seu ritmo no mercado americano.
Apesar de disputarem o mesmo mercado, Nubank e Revolut chegam aos EUA com modelos diferentes. A Revolut construiu sua expansão internacional principalmente com pagamentos, câmbio e contas multimoeda e hoje possui cerca de 80 milhões de clientes em 40 países. O Nubank, por sua vez, desenvolveu seu negócio a partir do crédito ao consumidor e soma mais de 135 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, segundo o relatório do BTG.
Nubank: experiência em crédito
Essa diferença também aparece nas ofertas iniciais. O Nubank pretende usar sua experiência em crédito para conquistar consumidores americanos e oferece remuneração de 3,5% sobre os saldos das contas. A empresa também planeja pagar 4,5% sobre saldos elegíveis de poupança de até US$ 10 mil para clientes que tenham e utilizem seu cartão de crédito.
A Revolut deve começar com sua oferta multimoeda, voltada principalmente a pessoas que trabalham ou estudam no exterior. O Financial Times, citado pelo BTG, observa que esse pode ser um nicho mais restrito nos Estados Unidos, enquanto pagamentos digitais já são amplamente oferecidos por plataformas como Venmo e Zelle.
O crédito é uma das principais diferenças entre as duas empresas. Essa atividade foi central para o crescimento do Nubank na América Latina, enquanto a experiência da Revolut em empréstimos ainda é mais limitada. Para o BTG, essa experiência, combinada ao uso de inteligência artificial, pode ajudar o Nubank a analisar crédito, personalizar limites e preços e desenvolver produtos com maior velocidade.
A avaliação sobre uma possível vantagem da inteligência artificial é uma interpretação do BTG Pactual, e não uma conclusão apresentada pelo Financial Times. O desafio será competir com bancos americanos que já possuem grandes bases de dados, programas de recompensas consolidados e forte relacionamento com os consumidores.
Para as duas empresas, os EUA representam uma oportunidade importante de crescimento, mas também um teste para seus modelos de negócio. O mercado americano possui mais de 4 mil bancos e cooperativas de crédito, além de grandes emissores de cartões e empresas de pagamentos. O relatório também destaca o caso do banco digital britânico Monzo, que anunciou neste ano uma redução de sua atuação no país para concentrar esforços na Europa.
Nesse cenário, Nubank e Revolut devem avançar de forma gradual, testando produtos e ajustando suas estratégias ao comportamento dos consumidores. Para o BTG Pactual, com base na análise do Financial Times, a disputa ainda está no início e os próximos anos serão importantes para definir como cada empresa conseguirá adaptar seu modelo ao mercado americano.
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