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Jerome Powell diz estar focado em reduzir a inflação a 2%, mesmo a alto custo

Jerome Powell diz estar focado em reduzir a inflação a 2%, mesmo a alto custo

Matheus Miranda

Matheus Miranda

26 Ago 2022 às 12:20 · Última atualização: 26 Ago 2022 · 5 min leitura

Matheus Miranda

26 Ago 2022 às 12:20 · 5 min leitura
Última atualização: 26 Ago 2022

Imagem mostra Jerome Powell, do Fed.

Divulgação

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse que não vê ainda um momento econômico para que o Fomc – equivalente norte-americano ao Comitê de Política Econômica – reduza os juros. Ele admitiu que o foco é levar a inflação a 2%, já considerado pela autoridade monetária do país como sendo o patamar ideal.

Powell fez um breve discurso no simpósio de Jackson Hole, e disse que o órgão avisou que os juros podem continuar subindo e que “alguma dor” deverá ser aguardada pela economia do país.

Isto porque a inflação permanece em um patamar próximo do mais alto nível já registrado em mais de quatro décadas. Mesmo com uma série de quatro elevações consecutivas por parte do Fomc, totalizando 2,25 pontos de aumento acumulado, ainda não há espaço para interromper o ciclo de alta, embora as taxas consideradas de referência estejam em um patamar no qual nem estimula e nem restringe o crescimento

Jerome Powell admite problemas para famílias e empresas

O presidente do Fed reconheceu que, com as taxas de juros mais altas para controlar a inflação, o crescimento mais lento e as condições mais brandas do mercado de trabalho trarão alguns problemas para famílias e empresas. “Esses são os custos infelizes de reduzir a inflação. Mas uma falha em restaurar a estabilidade de preços significaria uma dor muito maior”, considerou ele.

Powell alertou que o foco do Fed é mais amplo do que um panorama que abranja apenas um mês ou dois de dados, e continuará avançando até que a inflação se aproxime de sua meta de longo prazo de 2%.

“Estamos mudando nossa postura política propositalmente para um nível que será suficientemente restritivo para retornar a inflação a 2%”, disse ele.

Olhando adiante, acrescentou que “restaurar a estabilidade de preços provavelmente exigirá a manutenção de uma postura política restritiva por algum tempo. O registro histórico adverte fortemente contra o afrouxamento prematuro da política”.

Ata do Fomc

A fala de Powell veio em linha com a ata do Fomc. No documento, o órgão avalia que novas altas na taxa básica de juros dos Estados Unidos devem ocorrer. Isso porque a pressão inflacionária permanece acima do nível considerado aceitável pelo colegiado, que é de 2%. O colegiado entende que é necessário que as condições monetárias mantenham-se apertadas enquanto não ocorrer uma redução da inflação.

Segundo a ata, neste contexto, todos os participantes concordaram que era apropriado aumentar o intervalo da meta para a taxa de fundos federais em 0,75 ponto na última reunião e continuar o processo de redução das detenções de títulos do Federal Reserve. Por outro, o comunicado deixou em aberta a possibilidade de desacelerar as altas já em setembro.

PCE cai em julho

Divulgado hoje, o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos (PCE/EUA) – parâmetro preferido do Fed para definir a taxa de juros – caiu 0,1% em julho, ante consenso de estabilidade. Na margem, subiu 6,3% na base anual, ante consenso de 6,8%.

O Núcleo do PCE subiu 0,1%, ante consenso de alta de 2,0% em julho, na margem, enquanto na comparação ano a ano, o indicador subiu 4,6%, ante previsão de 4,7%.

Tá, e aí?Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset

Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset, avaliou que o discurso do Powell ficou em linha com o que o mercado esperava mas deixou em aberta a possibilidade de aumento de juros na próxima reunião do Fomc, que pode ser em 0,5 ponto ou 0,75 ponto.

Para o economista, o recado mais importante do presidente do FED foi a disposição da autoridade monetária norte-americana trabalhar para levar a inflação de volta ao patamar de 2%. Portanto, ele alertou que o importante, daqui para a frente, será o acompanhamento dos dados de inflação e empregos que sairão antes da reunião.

“Esses dados sairão antes da reunião, daí eles devem bater o martelo se elevam em 50 pontos base ou 75bps, e deixarão mais claro quais serão os próximos passos”, explicou.

Portanto, ele calcula que as próximas divulgações de dados tendem a gerar volatilidade nos ativos e atenção os agentes de mercado.

Ele disse também que o mercado tem precificado o corte na curva de juros no segundo trimestre do ano que vem.

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