Um eventual ataque dos EUA ao Irã teria impacto imediato, mas provavelmente limitado no tempo, sobre os mercados financeiros — desde que a atividade econômica siga sólida.
A avaliação é da consultoria Carson, por meio de análise assinada por Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercados.
Para Detrick, apesar do S&P 500 estar “a menos de 2% de novas máximas históricas”, as preocupações persistem, com destaque para a possibilidade de escalada no Oriente Médio.
Ainda assim, ele lembra que, durante o conflito recente na região, “o mercado de ações se manteve surpreendentemente bem, mas a ação real ocorreu no petróleo”, com o barril voltando a subir acima de US$ 70.
Curto prazo
No curto prazo, o estrategista prevê o padrão clássico de aversão a risco: petróleo em alta, ações sob pressão e busca por proteção em ouro e Treasuries. “No curto prazo, alguma fraqueza e um pico do petróleo são prováveis, sem falar em refúgio em ouro e títulos”, afirma Detrick.
Essa combinação tende a penalizar setores intensivos em energia e transportes, ao mesmo tempo em que beneficia exploradoras de petróleo e segmentos ligados a defesa. A volatilidade implícita (VIX) tenderia a ampliar, ainda que de forma transitória, refletindo reajustes de prêmio de risco geopolítico.
Médio prazo
No médio prazo, o histórico sugere resiliência. Detrick compila grandes choques geopolíticos e nota que “o S&P 500 sobe uma mediana de mais de 5% seis meses depois” desses eventos.
Parte das piores performances ocorreu em ambiente recessivo — ou seja, o contexto macro é o principal amortecedor.
Casos emblemáticos: após o assassinato de JFK, as ações avançaram 23% em 12 meses; um ano depois do início da guerra do Iraque, em 2003, a alta beirou 30%, com a economia saindo do estouro da bolha pontocom; mais recentemente, depois de 7 de outubro de 2023, ações globais subiram no período subsequente, lideradas por Israel.

A mensagem central de Detrick é pragmática: “no fim do dia, questões geopolíticas raramente se tornam problemas de investimento maiores se a economia estiver em terreno firme.” Em suma: choque inicial, rotação tática para defensivos e, na sequência, recuperação guiada pelos fundamentos — especialmente se crescimento, emprego e lucros corporativos permanecerem robustos.






