Os rebaixamentos de ratings corporativos superaram as elevações em 26% no Brasil em 2025, e as perspectivas são de que a mesma tendência continue em 2026, avalia a Fitch Ratings em um relatório enviado ao mercado nesta quinta-feira (26).
Com esse alerta, a agência abriu sua nova avaliação sobre o cenário de crédito corporativo no Brasil, destacando que as empresas brasileiras atravessam um período de pressão prolongada sobre liquidez, margens e capacidade de investimento — um quadro diretamente ligado ao ambiente de juros persistentemente elevados.
Segundo a agência, a combinação de endividamento maior, custo financeiro elevado e maior dependência do mercado de capitais doméstico tem reduzido o colchão de segurança das companhias.
A Fitch chama atenção para o salto do mercado local: as emissões de dívida corporativa cresceram mais de 500% entre 2015 e 2025, fazendo com que a participação desse tipo de financiamento subisse de 11% para cerca de 34% do total. Só em 2025, segundo a Anbima, as emissões de renda fixa bateram recorde de R$ 737,7 bilhões, com debêntures respondendo por dois terços do montante.
Ambiente hostil
A expansão, porém, ocorreu sob um ambiente hostil. A Selic subiu de 2% em meados de 2020 para 15% em 2025 e deve permanecer em dois dígitos até, pelo menos, o fim de 2027. Essa taxa — uma das maiores do mundo em termos reais — faz com que empresas emitam dívida mais para rolar vencimentos e reforçar liquidez do que para investir. Como consequência, a flexibilidade financeira se deteriora.
A Fitch destaca que a cobertura de juros das empresas brasileiras está entre as mais fracas do mundo. O Ebitda/juros mediano caiu de 4,8 vezes em 2021 para apenas 2,4 vezes em 2025, com expectativa de melhora marginal em 2026.
Para preservar caixa, muitas companhias têm reduzido investimentos, encolhido operações ou vendido ativos. A agência estima que o capex/EBITDA mediano cairá para menos de 40% em 2026, ante mais de 50% em 2022.
A agência também alerta que métricas de alavancagem podem mascarar problemas: empresas sob estresse tendem a carregar grandes saldos de caixa, mas financiados por dívidas caras, deteriorando a saúde financeira no médio prazo.
Com o PIB projetado para desacelerar a 1,9% em 2026 e condições externas mais apertadas após casos de estresse corporativo em 2025, a agência vê riscos adicionais. As eleições de outubro e um ambiente geopolítico mais incerto completam o quadro de desafios.






