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IPCA sobe 0,67% em junho, abaixo da projeção do BTG Pactual (BPAC11)

IPCA sobe 0,67% em junho, abaixo da projeção do BTG Pactual (BPAC11)

Osni Alves

Osni Alves

08 Jul 2022 às 09:17 · Última atualização: 08 Jul 2022 · 11 min leitura

Osni Alves

08 Jul 2022 às 09:17 · 11 min leitura
Última atualização: 08 Jul 2022

Inflação deve ser de 8,9% em 2022 (Foto: Pexels)

Inflação deve ser de 8,9% em 2022 (Foto: Pexels)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho foi de 0,67%, ficando 0,20 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de maio (0,47%). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira (8).

De acordo com a pesquisa, no ano o IPCA acumula alta de 5,49% e, nos últimos 12 meses, de 11,89%, acima dos 11,73% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2021, a variação havia sido de 0,53%.

O dado veio abaixo da projeção do BTG Pactual (BPAC11), que estimava 0,65%, mas depois alterou para 0,70%.

IPCA foi de 0,67% em junho, ou 0,20 p.p. acima da taxa de maio, aponta IBGE

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram variação positiva em junho. A maior variação foi do grupo Vestuário, com alta de 1,67% e 0,07 p.p. de contribuição. Já o maior impacto (0,17 p.p.) veio de Alimentação e bebidas (0,80%). Na sequência, vieram Saúde e cuidados pessoais (1,24%) e Transportes (0,57%), com impactos de 0,15 p.p. e 0,13 p.p., respectivamente. O grupo Habitação, que havia registrado queda de 1,70% em maio, passou para alta de 0,41% em junho, com impacto de 0,06 p.p. Os demais grupos ficaram entre o 0,09% de Educação e o 0,55% de Artigos de residência.

IPCA foi de 0,67% em junho, ou 0,20 p.p. acima da taxa de maio, aponta IBGE
Tá, e aí?<strong>Stephan F. Kautz, da EQI Asset</strong>

Para o economista-chefe da EQI Asset, Stephan F. Kautz, o resultado do IPCA veio abaixo do consenso, cuja projeção estava em 0,71%, e o efetivo veio 0,67%.

“Nós estávamos com 0,69%, esperando aí um resultado um pouquinho melhor. De qualquer maneira, a parte de combustíveis já contou uma primeira queda, refletindo as medidas recentes do governo relativas a impostos, e isso deve aparecer de maneira muito mais forte no resultado de julho”, disse.

Com este cenário, a EQI Asset espera para julho uma deflação próxima a 0,75%. “Devemos ter um mês de agosto com uma inflação bastante baixa”, destacou.

E disse mais: “em geral a abertura do número mostra que a inflação de bens industriais vem desacelerando, o que é um ótimo sinal, porém, a inflação de serviços mostrou uma aceleração muito forte com alimentação fora do domicílio tendo uma alta bem representativa.”

Para Kautz, em resumo os números estão melhores do que o esperado, mas ainda não mostram aquela inflação que o Banco Central gostaria de ver para poder encerrar o ciclo de alta de juros.

“Então, a gente está mantendo a nossa expectativa de 50 pontos base na próxima reunião do Copom, levando a taxa Selic para 13,75%”, concluiu.

IPCA do IBGE

Conforme o levantamento, o resultado do grupo Alimentação e bebidas (0,80%) foi influenciado pela alta dos alimentos para consumo fora do domicílio (1,26%). A refeição passou de 0,41% no mês anterior para 0,95% em junho, enquanto o lanche foi de 1,08% para 2,21%. Também houve alta em alguns alimentos para consumo no domicílio (0,63%), como o leite longa vida (10,72%) e o feijão-carioca (9,74%), por exemplo. No lado das quedas, houve recuo expressivo nos preços da cenoura (-23,36%), que já haviam caído em maio (-24,07%). Outros alimentos importantes na cesta de consumo dos brasileiros tiveram redução de preços, a exemplo da cebola (-7,06%), da batata-inglesa (-3,47%) e do tomate (-2,70%).

Também elenca que, em saúde e cuidados pessoais (1,24%), o destaque foi o plano de saúde (2,99%), item com o maior impacto individual no índice do mês (0,10 p.p.). O resultado é consequência do reajuste de até 15,50% para os planos individuais autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 26 de maio, com vigência a partir de maio de 2022 e cujo ciclo se encerra em abril de 2023. Nesse sentido, foram apropriadas no IPCA de junho as frações mensais referentes aos meses de maio e junho. Além disso, houve aumentos nos preços dos produtos farmacêuticos (0,61%) e dos itens de higiene pessoal (0,55%).

Já o grupo Transportes (0,57%) desacelerou em relação a maio (1,34%), influenciado pelo resultado dos combustíveis (-1,20%). Enquanto os preços da gasolina caíram 0,72%, o recuo nos preços do etanol foi mais intenso (-6,41%). Por outro lado, houve aumento do óleo diesel (3,82%) e do gás veicular (0,30%). A maior variação (11,32%) e o maior impacto positivo (0,06 p.p.) dentro do grupo vieram das passagens aéreas, cujos preços já haviam subido em maio (18,33%). Em 12 meses, as passagens aéreas acumulam alta de 122,40%.

IPCA foi de 0,67% em junho, ou 0,20 p.p. acima da taxa de maio, aponta IBGE

Subitem

Ainda em Transportes, a variação positiva do subitem ônibus urbano (0,72%) é decorrente dos reajustes de 11,36% em Salvador (8,86%), aplicado efetivamente a partir de 4 de junho, e de 12,50% em Aracaju (6,38%), em vigor desde 15 de maio. Na capital sergipana, também houve reajuste 12,50% nas passagens dos ônibus intermunicipais, na mesma data. Com isso, o subitem variou 5,88% na área (e 1,39% no agregado nacional). Foram verificados reajustes nos ônibus intermunicipais também em Salvador (8,46%) e Goiânia (3,59%). Em Salvador, o reajuste de 11,85% foi registrado a partir de 10 de junho e, em Goiânia, as passagens foram reajustadas entre 26% e 27% no dia 28 de junho.

No grupo Vestuário (1,67%), os destaques foram as roupas masculinas (2,19%) e femininas (2,00%). Na sequência, vieram as roupas infantis (1,49%) e os calçados e acessórios (1,21%). Todos os itens do grupo tiveram variação positiva no mês.

IPCA foi de 0,67% em junho, ou 0,20 p.p. acima da taxa de maio, aponta IBGE

Segmentos

A alta de Habitação (0,41%) deve-se aos reajustes da taxa de água e esgoto (2,17%) em algumas regiões. Em Belém (20,81%), o reajuste, a partir de 28 de maio, foi de 20,81%. Em São Paulo (4,25%), houve reajuste de 12,89% a partir de 10 de maio. Em Campo Grande (3,22%), o reajuste foi de 11,08%, sendo 5,0% em 1º de janeiro e o restante fracionado a partir de maio. Já em Curitiba (2,97%), o reajuste foi de 4,99%, desde 17 de maio.

Ainda em Habitação, o gás encanado (0,81%) também subiu em junho, por conta dos reajustes de 9,16% em Curitiba (5,71%), em vigor desde 18 de maio, e de 5,95% no Rio de Janeiro (0,20%), vigente desde 1º de maio. Já a energia elétrica (-1,07%) recuou menos na comparação com o mês de maio (-7,95%), com impacto de -0,04 p.p. no IPCA de junho.

Bandeira tarifária

Segue em vigor, desde 16 de abril, a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz. As variações nas áreas foram desde -3,88% em Goiânia até 1,71% em Aracaju. No município da capital goiana e na região metropolitana de São Paulo (-2,38%), houve redução das alíquotas de ICMS, na esteira da Lei Complementar 194 e da subsequente incorporação da lei federal no âmbito das legislações estaduais.

Em três áreas de abrangência do índice, houve reajustes tarifários: Belo Horizonte (1,65%), com reajuste de 5,66%, vigente desde 22 de junho; Porto Alegre (0,40%), com reajuste de 8,72% em uma das concessionárias, a partir de 22 de junho; e Curitiba (-1,45%), com reajuste de 1,95%, a partir de 24 de junho. Apesar do reajuste, o resultado da capital paranaense foi negativo devido à redução de PIS/COFINS.

Regionalmente, todas as áreas tiveram variação positiva em junho. O maior resultado foi observado na região metropolitana de Salvador (1,24%), influenciado pela alta de 4,63% nos preços da gasolina. Já a menor variação ocorreu em Belém (0,26%), por conta da redução de 10,35% nos preços do açaí.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC teve alta de 0,62% em junho, acima do registrado no mês anterior (0,45%). No ano, o INPC acumula alta de 5,61% e, nos últimos 12 meses, de 11,92%, acima dos 11,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2021, a taxa foi de 0,60%.

Os produtos alimentícios passaram de 0,63% em maio para 0,78% em junho. Os não alimentícios passaram de 0,39% para 0,57%.

Quanto aos índices regionais, todas as 16 áreas investigadas tiveram alta em junho. O menor resultado foi o da região metropolitana do Rio de Janeiro (0,12%), influenciado pelas quedas de 1,98% na energia elétrica e de 1,89% no preço das carnes. A maior variação, por sua vez, ocorreu na região metropolitana de Salvador (1,22%), impactada pelas altas de 8,86% nos ônibus urbanos e de 4,63% na gasolina.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 28 de maio a 29 de junho de 2022 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de abril a 27 de maio.

A visão do BTG (BPAC11)

Para o BTG Pactual (BPAC11), o IPCA de junho surpreendeu positivamente as expectativas, acelerando para patamar abaixo do esperado. A surpresa se deu, especialmente, nos segmentos de Artigos de Residência e Transportes.

“Com relação ao mês de maio, observamos uma dissipação da deflação em Energia Elétrica, reajustes nos preços dos planos de saúde, item que exerceu impacto individual de 0,1 p.p na leitura, e aceleração em alimentos, com destaque para alimentação fora do domicílio, registrando alta de 1,26%, pressionando o setor de Serviços”, informou.

Por sua vez, o destaque baixista fica por conta da desaceleração em transportes (de 1,34% para 0,57%), com arrefecimento nos preços dos combustíveis, e Artigos de Residência (0,66% para 0,55%), contribuindo para a perda de ímpeto em Bens Industriais.

“Vale ressaltar a aceleração observada nos preços de Serviços Subjacentes, de 0,75% e 1,04%, atingindo 8,85% em 12 meses, mantendo a composição do resultado desfavorável, a despeito da dissipação de alguns segmentos com peso relevante no índice e o alívio em medidas relevantes”, destacou.

E disse mais: “nesse sentido, observamos que a média dos núcleos passou de 0,93% para 0,89%, com o indicador de difusão em 66,58%, patamar elevado para padrões históricos. No ano, o IPCA acumula alta de 5,49%, acima do teto da meta de inflação.”

E para frente?

Ainda de acordo com o banco de investimentos, para julho e agosto, diante do repasse para os preços de Energia da aprovação das medidas de redução dos impostos federais e estaduais, o BTG diz esperar uma deflação no índice de preços, com destaque para Transporte e Habitação.

“Para o curto prazo, observamos vetores altistas e baixistas para os preços. Na esfera altista, entendemos que o fortalecimento do mercado de trabalho, com a melhora na margem do rendimento real das famílias, e o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, pode aumentar a demanda por serviços, que podem resultar em novas pressões inflacionárias”, ressaltou.

E concluiu: “na direção oposta a forte desaceleração dos preços das commodities no mercado internacional pode promover novos vetores baixistas para os preços.”

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