A Stone ($STNE) apresentou um resultado misto no segundo trimestre de 2026, com rentabilidade ligeiramente acima do esperado, mas deterioração dos indicadores de crédito. Essa foi a avaliação da XP em relatório divulgado nesta terça-feira (18).
O lucro líquido ajustado alcançou R$ 583 milhões, ficando 1% acima da projeção da corretora. A receita total, incluindo o resultado financeiro, cresceu 2% na comparação anual, para R$ 3,6 bilhões, mas ficou 1% abaixo da estimativa.
O lucro bruto ajustado somou R$ 1,6 bilhão, avanço trimestral de 5% e resultado 1% superior ao esperado. A margem bruta aumentou 2 pontos percentuais, para 43,6%, favorecida pela redução do custo dos serviços, desconsideradas as provisões, e pela queda das despesas financeiras.
“Consideramos os resultados mistos. A rentabilidade ficou em linha ou ligeiramente acima das nossas estimativas, mas a deterioração dos indicadores de inadimplência mantém a carteira de crédito como o principal ponto de atenção para a tese de investimento da Stone”, avaliou a XP.
O lucro antes dos tributos atingiu R$ 697 milhões, superando em 3% a projeção da XP. Para a corretora, contudo, o desempenho não foi suficiente para afastar as preocupações relacionadas à qualidade da carteira de crédito.
Inadimplência mantém crédito no centro do debate
O índice de empréstimos com atrasos entre 15 e 90 dias atingiu 6%. Na carteira vencida há mais de 90 dias, a inadimplência chegou a 8,6%.
A XP destacou, entretanto, que as safras mais recentes de crédito, originadas pela mesa automatizada da Stone, continuam apresentando melhora. O movimento sugere que os ajustes realizados nos critérios de concessão começaram a produzir resultados.
Na avaliação da corretora, o ambiente macroeconômico dificulta a expansão da carteira sem comprometer a qualidade dos ativos. Essa combinação reduz a previsibilidade dos resultados e limita a possibilidade de uma valorização mais expressiva das ações no curto prazo.
“A tese de investimento continua centrada em crédito. Embora as safras mais recentes apresentem uma evolução melhor, o ambiente macroeconômico ainda limita a capacidade da Stone de acelerar a concessão sem elevar novamente as perdas e o custo de risco”, destacou a XP.
A administração manteve o guidance para 2026, mas indicou que os resultados devem ficar mais próximos da parte inferior das projeções. A postura mais cautelosa reflete o cenário de juros elevados e a expectativa de que o custo de risco se aproxime de um patamar entre 17% e 19% até o fim do ano.
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Pagamentos apresentam estabilização gradual
Na operação de pagamentos, o volume total processado, conhecido pela sigla TPV, cresceu 4,3% na comparação anual, para R$ 142 bilhões. O ritmo acelerou frente à alta de 2,7% registrada no primeiro trimestre.
A composição, contudo, permaneceu desfavorável. O volume processado por cartões recuou 3%, enquanto as transações realizadas por Pix com QR Code avançaram 44%. Segundo a XP, o crescimento do Pix continua pressionando as taxas cobradas pela Stone nos pagamentos.
A base de clientes ativos aumentou 2,5% no trimestre, para 4,8 milhões. A receita média mensal por cliente apresentou uma recuperação moderada e alcançou R$ 251.
As iniciativas de retenção estão apresentando resultados mais rápidos entre os microempreendedores atendidos pela Ton. Entre pequenas e médias empresas de maior porte, porém, a recuperação exige novos testes e deve ocorrer gradualmente.
“Os sinais iniciais de estabilização no negócio de pagamentos são positivos, mas ainda precisam ganhar consistência. O desempenho da Stone nos próximos trimestres continuará dependendo principalmente da evolução da inadimplência e da capacidade de crescer no crédito sem aumentar as perdas”, afirmou a XP.
Para a corretora, a melhora gradual nos pagamentos ajuda a reduzir parte das preocupações operacionais, mas não altera o principal debate em torno da companhia. A evolução da carteira de crédito continuará determinando a percepção de risco e o potencial de valorização das ações da Stone.






