As ações da Moderna (MRNA; $M1RN34) disparavam 150,74% nesta quarta-feira (19), cotadas a US$ 157,86 por volta das 16h21. Enquanto que os BDRs subiam 139,53%, devido a forte queda do dólar.
A reação ocorreu após a empresa e a Merck (MRK; MRCK34) anunciarem resultados positivos de fase 3 para uma terapia personalizada de mRNA contra o melanoma.
O tratamento experimental, chamado intismeran autogene, atingiu o objetivo principal de ampliar o período sem recorrência da doença. Também alcançou o objetivo secundário de reduzir o risco de o câncer se disseminar para outras partes do corpo quando combinado com o Keytruda, imunoterápico da Merck.
O estudo envolveu 1.137 pacientes com melanoma de alto risco nos estágios IIB a IV que haviam passado pela remoção cirúrgica do tumor. Os participantes receberam a combinação da terapia com o Keytruda ou apenas o medicamento da Merck durante aproximadamente um ano.
Em entrevista à Reuters, Stephen Hoge, presidente da Moderna, classificou o resultado como um marco. Segundo o executivo, o estudo foi o primeiro a demonstrar benefícios clínicos e estatísticos sobre o uso isolado do Keytruda nessa população, além de validar uma terapia desenvolvida individualmente para cada paciente.
Vacina da Moderna é personalizada e ainda experimental
Apesar de ser chamada de vacina, a intismeran não é um imunizante preventivo. Trata-se de uma terapia produzida individualmente a partir da análise das mutações presentes no tumor de cada paciente, depois de sua retirada cirúrgica.
A tecnologia utiliza RNA mensageiro para ensinar o sistema imunológico a reconhecer características específicas das células cancerígenas. A estratégia busca reduzir a possibilidade de que o melanoma retorne ou alcance outros órgãos.
As companhias informaram que nenhum novo sinal de segurança foi identificado no ensaio. Os resultados ainda são preliminares e o tratamento depende da divulgação dos dados completos e da avaliação das autoridades regulatórias.
Segundo o Brazil Journal, Stéphane Bancel, presidente-executivo da Moderna, afirmou que a companhia pretende encaminhar os dados às autoridades regulatórias o mais rapidamente possível e trabalha com a expectativa de disponibilizar o tratamento em 2027.
A Merck informou à Reuters que as empresas já iniciaram conversas com os órgãos reguladores.
Leia também:
Resultado amplia perspectivas de crescimento
O estudo representa o primeiro resultado positivo de fase 3 de uma terapia individualizada de mRNA contra o câncer, segundo as empresas. O avanço também reforça a possibilidade de a Moderna expandir sua tecnologia para além das vacinas contra doenças infecciosas.
Em dados de cinco anos divulgados anteriormente, a combinação havia reduzido em 49% o risco de recorrência ou morte em um estudo de fase 2b. As companhias ainda não detalharam a dimensão do benefício observado na fase 3.
A aprovação seria importante para a recuperação da Moderna, cuja receita caiu de US$ 19,3 bilhões em 2022 para US$ 1,94 bilhão em 2025 após o fim do auge das vacinas contra a Covid-19. O Barclays estima que a terapia possa gerar aproximadamente US$ 3 bilhões em vendas anuais contra o melanoma até 2035.






