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Ouro sobe na semana e alcança maior cotação em sete dias

Ouro sobe na semana e alcança maior cotação em sete dias

Metal precioso acumulou valorização de cerca de 1% na semana, favorecido pelo recuo do petróleo, enquanto investidores acompanharam a alta dos juros nos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar

O ouro encerrou a última semana em trajetória de recuperação e chegou à maior cotação em sete dias na sexta-feira (18). O movimento foi favorecido principalmente pela queda dos preços do petróleo, que ajudou a aliviar parte das preocupações dos investidores com uma inflação mais persistente.

O ouro à vista avançou 1,2% na sexta-feira, cotado a US$ 4.390,11 por onça, depois de alcançar o maior nível desde 11 de setembro durante a sessão. No acumulado da semana, o metal precioso registrou valorização de aproximadamente 1%, caminhando para o primeiro ganho semanal em quatro semanas.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros do ouro também terminaram o pregão em alta, com avanço de 0,6%, a US$ 4.424,90 por onça.

Queda do petróleo dá suporte ao ouro

Um dos principais fatores por trás da valorização foi o recuo do petróleo. O Brent ampliou as perdas pela terceira sessão consecutiva, em um momento em que diminuíram as preocupações relacionadas a possíveis interrupções no fornecimento da Arábia Saudita.

A redução dos preços da commodity contribuiu para diminuir o temor de novas pressões inflacionárias. O petróleo exerce influência relevante sobre a inflação por afetar custos de energia, produção e transporte.

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Chris Gaffney, presidente de mercados globais do EverBank, afirmou, segundo informações da Reuters, que “a queda nos preços do petróleo reduz as pressões inflacionárias”.

Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao Oriente Médio. Uma eventual expansão dos conflitos na região ainda pode provocar novas preocupações relacionadas ao abastecimento de petróleo e alterar o comportamento dos investidores.

Juros nos Estados Unidos continuam no radar

A valorização do ouro aconteceu apesar de fatores que normalmente exercem pressão sobre o metal. O Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, levando-a para a faixa entre 3,75% e 4%.

O banco central norte-americano também indicou a possibilidade de novos aumentos nos próximos meses. Na sexta-feira, investidores atribuíam uma probabilidade de 55% a uma nova elevação dos juros na reunião de outubro, segundo a ferramenta FedWatch, da CME.

Juros mais elevados tendem a reduzir parte da atratividade do ouro, já que o metal não oferece rendimento periódico, diferentemente de títulos e outros investimentos remunerados.

Dólar forte limita avanço do metal

Outro elemento observado durante a semana foi o fortalecimento da moeda norte-americana. O dólar atingiu sua maior cotação em mais de sete semanas.

Como o ouro é negociado internacionalmente em dólares, uma moeda norte-americana mais valorizada torna o metal mais caro para compradores que utilizam outras divisas, o que pode limitar a demanda.

Mesmo com esse cenário, o ouro conseguiu avançar e se aproximou de uma importante região técnica de preços. Segundo Gaffney, o metal testava uma resistência entre US$ 4.400 e US$ 4.440 por onça. Uma superação consistente desse intervalo poderia abrir espaço para novas movimentações de alta.

Outros metais preciosos também avançam

O movimento positivo não ficou restrito ao ouro. A prata à vista subiu 2,3%, para US$ 66,70 por onça, enquanto a platina avançou 2,2%, para US$ 1.812,50. O paládio registrou alta de 1,5%, chegando a US$ 1.310,20.

Os principais metais preciosos caminhavam, assim, para ganhos semanais, refletindo uma combinação de ajustes de posições dos investidores, queda do petróleo e busca por proteção diante das incertezas econômicas e geopolíticas.

Na Ásia, porém, o comportamento dos consumidores permaneceu desigual. Na Índia, a demanda por ouro continuou moderada, com compradores adiando aquisições na expectativa de preços menores. Na China, os prêmios permaneceram estáveis, sustentados pela demanda de investidores.

Com juros elevados, dólar fortalecido e riscos geopolíticos ainda presentes, o mercado de ouro entra em uma nova semana dividido entre fatores que podem limitar novas altas e elementos que mantêm a procura pelo metal precioso como instrumento de proteção.