O viajante disposto a pagar mais por hospedagens sofisticadas, experiências personalizadas e endereços desejados está ajudando a redesenhar o desempenho da hotelaria americana. No primeiro semestre de 2026, foram justamente os hotéis de luxo nos EUA que assumiram a dianteira do setor, enquanto os segmentos econômico e intermediário enfrentaram um cenário mais desafiador.
É o que revela o Relatório de Comparação de Desempenho de Marcas de Hotelaria dos EUA, referente ao primeiro semestre de 2026, elaborado pela Colliers. O levantamento aponta para uma recuperação do mercado, mas mostra que o crescimento está longe de ser uniforme entre as diferentes categorias de hospedagem.
Depois de um 2025 praticamente estável, quando a receita por quarto disponível, o RevPAR, caiu 0,2% e a ocupação recuou 1,2%, os primeiros seis meses de 2026 trouxeram sinais mais positivos. Em meados do ano, o RevPAR acumulado em 12 meses avançava 1,8%, seu melhor desempenho desde maio de 2025.
Junho teve papel importante nessa aceleração. O RevPAR cresceu 8,4% no mês, acompanhado por uma alta de 6,7% na diária média, conhecida pela sigla ADR, e de 1,6% na ocupação.
Luxo cresce acima da média
Entre todas as categorias, o luxo foi o grande destaque. O segmento registrou aumento de 13,3% no RevPAR em relação ao ano anterior.
A movimentação associada à Copa do Mundo da FIFA também contribuiu para os resultados. Segundo a Colliers, a demanda localizada nos dez mercados americanos que receberam jogos ajudou a gerar um crescimento médio de aproximadamente 13% no RevPAR nessas cidades.
O contraste aparece na outra ponta do mercado. O segmento econômico foi a única categoria que encerrou o primeiro semestre com quedas anuais simultâneas de ocupação, diária média e RevPAR.
Os números ajudam a dimensionar essa distância. Considerando todas as categorias, os hotéis dos Estados Unidos registraram ocupação de 69,6%, diária média de US$ 173,76 e RevPAR de US$ 120,97.
Nos hotéis de luxo, a ocupação chegou a 72,5%, enquanto a diária média alcançou US$ 419,39 e o RevPAR ficou em US$ 290,42. Nos estabelecimentos econômicos, a ocupação foi de 58,3%, com diária média de US$ 82,18 e RevPAR de US$ 47,94.

Fonte: CoStar STR.
Experiências ganham espaço entre grandes redes
O desempenho das principais companhias hoteleiras mostra que o consumidor premium não procura apenas uma cama confortável. Marcas com forte componente de lifestyle, identidade própria e experiências diferenciadas aparecem entre aquelas com os maiores crescimentos.
Nos portfólios de Hilton, Hyatt, Marriott e IHG, pelo menos uma marca de luxo de cada companhia alcançou crescimento de dois dígitos no RevPAR durante o período.
Nomes como LXR Hotels & Resorts, The Unbound Collection by Hyatt, W Hotels e Atwell Suites ficaram entre os destaques.

Na Hilton, por exemplo, a LXR Hotels & Resorts apresentou crescimento de 12,9% no RevPAR. A ocupação avançou 4%, enquanto a diária média cresceu 5,9%, chegando a US$ 506,30. Para efeito de comparação, a diária média da Waldorf Astoria Hotels & Resorts ficou em US$ 492,15.
No conjunto de suas operações americanas, a Hilton registrou crescimento de 4,7% no RevPAR durante o primeiro semestre.
Hyatt avança com luxo e lifestyle
A Hyatt também encontrou nas marcas de luxo e voltadas ao lazer alguns de seus melhores resultados. Em todo o sistema, o RevPAR aumentou 5,7%.
A The Unbound Collection by Hyatt teve alta de 12% no indicador, acompanhada por um avanço de 4,8% na ocupação. Já o Park Hyatt registrou crescimento de 9,5% no RevPAR e alcançou diária média de US$ 481,36.
O Grand Hyatt avançou 8,1% em RevPAR, enquanto a JdV by Hyatt apresentou crescimento de 9,1%. Hyatt Place e Hyatt House, por sua vez, mantiveram taxas de ocupação de 70,3% e 74,5%, respectivamente.
Kimpton e InterContinental aceleram
Na IHG Hotels & Resorts, a receita por quarto disponível cresceu 4,8% nos negócios de hotelaria nas Américas. Entre as marcas analisadas, a Atwell Suites apresentou o maior avanço de RevPAR de todo o relatório, com crescimento de 22,7%.
O resultado foi favorecido por um salto de 10,9% na ocupação.
A Kimpton, bastante associada ao universo lifestyle, também se destacou, com crescimento de 15% no RevPAR e aumento de 8,7% na diária média. O InterContinental avançou 10,2%, enquanto o Hotel Indigo apresentou crescimento de 6,9%.
Ritz-Carlton supera US$ 600 em diária média
Na Marriott International, os números também reforçam a força do segmento mais sofisticado. O grupo registrou crescimento de 4,6% no RevPAR em seu sistema nos Estados Unidos e Canadá durante o primeiro semestre.
O Ritz-Carlton alcançou diária média de US$ 609,82, uma alta de 5,8%, enquanto o RevPAR cresceu 7,8%.
Já a W Hotels apresentou o maior crescimento do indicador dentro do portfólio da Marriott, com alta de 10,8%. A diária média da marca avançou 8,5%, chegando a US$ 422,64. O JW Marriott registrou crescimento de 5,7% no RevPAR.
As marcas de serviço selecionado tiveram desempenho mais moderado. Courtyard by Marriott avançou 4% e Fairfield by Marriott, 3,5%.
Um mercado cada vez mais dividido
Além da procura dos viajantes, a oferta também ajuda a explicar as diferenças entre os segmentos. O mercado americano registrou 138.887 quartos em construção e 69.172 novas unidades entregues ao longo dos últimos 12 meses analisados.
Segundo a Colliers, os hotéis intermediários continuam pressionados por uma combinação de menor poder para elevar preços, demanda mais fraca entre viajantes preocupados com orçamento e os efeitos do crescimento recente da oferta.
Para a hotelaria de alto padrão, porém, o primeiro semestre de 2026 desenha um cenário diferente. A disposição do público para pagar diárias mais altas e a procura por marcas capazes de transformar a hospedagem em parte da própria experiência de viagem estão sustentando os resultados.
Mais do que ocupar quartos, as grandes redes estão encontrando no luxo e no lifestyle uma oportunidade de elevar tarifas e receita. E, pelo menos nos primeiros seis meses de 2026, exclusividade, experiências e marcas com personalidade parecem ter se tornado alguns dos ativos mais valiosos da hotelaria americana.
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