João Scandiuzzi, sócio e estrategista-chefe do BTG Pactual, abriu o Invista lá Fora, evento online e gratuito que a EQI Investimentos transmite nesta quinta-feira (6). E conversou com Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, sobre o cenário macroeconômico atual.
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Acompanhe, a seguir, o que pensa o estrategista do BTG, e por que ele indica que este é o melhor momento para a renda fixa nos EUA.
Panorama macroeconômico no exterior
Com aperto monetário ainda em curso nos Estados Unidos e incertezas quanto a uma possível recessão, os Estados Unidos seguem com Produto Interno Bruto (PIB) em alta (2%, ante expectativa de 1,3% na leitura do 1TRI23), inflação persistente e mercado de trabalho resiliente.
O Federal Reserve (Fed), banco central americano, optou por paralisar a escalada dos juros em sua última reunião de política monetária, mas já sinalizando duas altas adicionais de 25 pontos-base ainda em 2023. Os juros encontram-se, atualmente, no intervalo entre 5% e 5,25%.
A queda dos juros, projetam os especialistas, só deve vir a partir do segundo trimestre de 2024. Ou seja, o cenário é ainda de inflação alta, longe da meta de 2%, com juros altos, próximos a 6%, por uns bons meses ainda.
“A gente vê uma economia que tem dois motores. Tem um motor afetado pela política monetária e outro que vem passando incólume. Você tem indicadores mostrando que a alta de juros faz efeito, como a inadimplência alta, as vendas de casas e automóveis caindo, assim como a intenção de investimento. Mas tem outra parte que está muito bem, obrigado, que são os serviços”, explica.
Com o mercado de trabalho aquecido, o setor de serviço segue se beneficiando de um processo de normalização de demanda pós-reabertura, o que mantém o consumo em alta.
“As famílias, durante a pandemia, acumularam quase 10% do PIB em excesso de poupança, com auxílios do governo e com o fato de não terem muito onde gastar com os lockdows, tendo restrição a consumir, sobretudo serviços, poupando grande parte da renda. Esse excesso de poupança vem sendo consumido, e ele se traduz em aumento de consumo. Isso acaba mantendo a economia mais aquecida do que se não tivesse excesso de poupança. Mas isso tende a se esgotar”, avalia.
Nos próximos 2 trimestres, ele acredita, esse excesso tende a se esgotar e o consumo a se acomodar.
“A política monetária afeta a economia com defasagens. Ela ainda não está com efeito máximo sobre o crédito. A gente espera que tenha acomodação do crescimento mais à frente. Acredito que vai haver desaceleração, mas uma recessão não tão forte assim”, diz.
Cenário favorável para renda fixa nos EUA
Scandiuzzi aponta que os juros americanos nunca estiveram tão bons para se investir em renda fixa nos EUA.
“De uma maneira geral, o mercado está muito interessante para investimentos offshore. O juro americano e também na Europa está se aproximando de um fim de ciclo, já precificado pela curva de juros. Então, o momento é excelente para montar carteira com renda fixa. É o melhor juro que você consegue capturar desde 2007. Tem 15 anos que você não consegue comprar papéis com grau de investimento pagando 5%, 6,5% ao ano em dólar”, aponta.
Para ele, o momento é para o investidor montar uma carteira que tenha exposição sobretudo em papéis de melhor risco, como os do governo americano ou de empresas com grau de investimento, mais sólidas e com menos risco de perda de nota de crédito.
“Os juros estão excepcionais. Você consegue alongar o prazo dos papéis, já se preparando para o corte de juros. Depois que os juros caírem, você não vai conseguir mais capturar esse juro”, alerta.
Outro papel que merece atenção do investidor são os do tesouro americano atrelados à inflação. “Seriam como nossa NTN-B (Tesouro IPCA+), com inflação implícita muito próxima da meta do Fed de 2%. E você se beneficia se a inflação for mais persistente, como é o nosso cenário-base no BTG”, diz.
Já para renda variável, Scandiuzzi aponta que a bolsa americana tem se mostrado surpreendentemente resiliente. Mas, apesar disso, ele reforça que a exposição depende do perfil do investidor.
“A gente sempre recomenda que clientes com perfil apropriado tenham alocação em bolsa lá fora. Ainda estamos mais defensivos em bolsa. Não fora da bolsa, mas com o pé fora do acelerador. Isso porque a bolsa surpreende e, se tivermos um cenário de inflação caindo sem tanto custo para a atividade, ela deve subir mais”, aponta.
A grande vantagem da bolsa americana, ele diz, é que, nos EUA, é possível ao investidor “capturar temas” que não têm expressão na bolsa brasileira.
“A bolsa brasileira tem 1% das ações listadas no mundo inteiro e é muito ligada a commodities. Você não consegue capturar tema de inteligência artificial, por exemplo. É o tipo de tema que você não tem expressão aqui”, afirma. Por isso, recomenda, é interessante ter um portfolio que diversifique com renda fixa e variável, contemplando os setores que só negociam ações lá fora.
Quer aprender mais com João Scandiuzzi? Não fique de fora do Invista lá Fora!

O que você vai aprender no Invista lá Fora?
Confira, abaixo a programação do evento, com os temas e convidados dos painéis.

Quem está no Invista lá Fora?
Confira, agora, a seleção de convidados palestrantes.
- Pedro Falcone
- Daniel Haddad
- Rafael Mazzer
- Alejandro Schiuma
- Felipe Passaro
- Rodrigo Samaia
- Stephan Kautz
Não fique de fora!
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