SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Investimento no Exterior
Lucro da BYD despenca 33% no 3TRI25

Lucro da BYD despenca 33% no 3TRI25

Lucro da BYD despenca 33% no 3TRI25, refletindo a pressão da concorrência e os desafios da expansão global da fabricante chinesa. Entenda!

O lucro da BYD despenca 33% no terceiro trimestre de 2025, marcando um dos momentos mais delicados para a gigante chinesa dos veículos elétricos. A empresa registrou lucro líquido de 7,8 bilhões de yuans (cerca de R$ 5,4 bilhões), abaixo dos 11,6 bilhões alcançados no mesmo período de 2024 e também inferior às expectativas do mercado, que projetavam 9,6 bilhões.

Mesmo com uma leve melhora em relação ao segundo trimestre — quando o lucro foi de 6,36 bilhões — o recuo reforça o alerta sobre a pressão crescente no mercado doméstico.

A desaceleração veio em meio ao endurecimento das políticas do governo chinês contra práticas de concorrência predatória. Com um mercado interno saturado e rivais como a Geely avançando, a BYD enfrenta uma disputa intensa por margens e consumidores.

A situação mostra que, mesmo com a liderança de 30% nas vendas de veículos elétricos na China, a empresa não está imune à desaceleração econômica e ao aumento da competição.

Receita em queda e margens pressionadas

A receita da BYD também recuou. Entre julho e setembro, a empresa somou 195 bilhões de yuans, uma redução de 3% em relação ao mesmo período de 2024 e bem abaixo das projeções de 216 bilhões. A margem bruta ficou em 17,6%, uma leve melhora frente aos 16,27% do trimestre anterior, mas distante dos 21,89% registrados um ano antes.

Publicidade
Publicidade

Esse pequeno avanço foi impulsionado por um aumento na participação dos modelos premium no mix de vendas, especialmente nos mercados internacionais. O movimento sinaliza uma tentativa da BYD de compensar a perda de rentabilidade doméstica com produtos de maior valor agregado. Ainda assim, o cenário geral continua desafiador.

Internacionalização como saída estratégica

Para contornar a queda nos lucros e a saturação do mercado chinês, a BYD intensifica sua expansão global. A empresa já possui fábricas no Brasil, Hungria, Indonésia, Tailândia, Turquia e Uzbequistão, e investe em uma frota própria de oito navios para exportação de veículos, estratégia que reforça seu modelo de logística verticalizada.

Nos nove primeiros meses de 2025, as exportações cresceram 14%, totalizando 705 mil unidades. A expectativa é atingir entre 800 mil e 1 milhão de carros vendidos fora da China até o fim do ano. Com isso, a empresa busca cumprir sua meta ambiciosa de vender 4,6 milhões de veículos em 2025 e atingir, no longo prazo, 10 milhões por ano — metade deles em mercados estrangeiros.

Inovação e renovação de design no horizonte

Mesmo com o lucro em queda, a BYD segue apostando forte em inovação. A marca prepara o lançamento de um carro com bateria semissólida, que promete maior densidade energética, além da adoção da técnica de “gigacasting” — já usada pela Tesla (TSLA; TSLA34) — para reduzir o número de peças no chassi e deixar os veículos mais leves e eficientes.

Analistas também esperam uma reformulação completa no design da empresa a partir de 2026. O atual visual, conhecido como “face do dragão”, está há sete anos sem grandes mudanças e pode estar afetando a percepção dos consumidores. A modernização do portfólio é vista como passo essencial para recuperar competitividade e imagem de inovação.

Desafios e perspectivas

O fato de o lucro da BYD despencar não significa um colapso, mas um alerta. A empresa segue como peça-chave na transformação do setor automotivo global — responsável por impulsionar as exportações de veículos elétricos e híbridos da China, que já representam 35% do total enviado ao exterior.

No entanto, os números mostram que manter a liderança exigirá mais do que escala: será preciso inovação contínua, agilidade estratégica e renovação de marca. A BYD segue no comando da revolução elétrica, mas o desafio agora é provar que pode sustentar esse papel em um mercado cada vez mais competitivo.

Leia também: