A análise do Safra sobre a Minerva (BEEF3) no 4TRI25 ajuda a explicar a forte reação do mercado, com as ações da companhia recuando cerca de 8% após a divulgação dos resultados. Apesar de avanços operacionais em volumes e receita, o desempenho ficou aquém do esperado, principalmente no nível de rentabilidade.
O banco destaca que o EBITDA da Minerva no 4TRI25 veio 10% abaixo das estimativas e 9% inferior ao consenso, frustrando investidores. A combinação de custos mais altos do gado e despesas operacionais pressionadas acabou limitando os ganhos operacionais, mesmo diante de um cenário de crescimento relevante de receita.

Crescimento de receita não compensa pressão de custos
A Minerva apresentou receita líquida de R$ 14,2 bilhões no 4TRI25, um avanço de 33% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo aumento das exportações. Regiões como Oriente Médio e Ásia ganharam relevância no mix de vendas, ampliando a diversificação geográfica da companhia.
Os volumes também foram um destaque positivo no 4TRI25, com crescimento expressivo no Brasil, Argentina e Colômbia. No entanto, esse desempenho foi parcialmente compensado por quedas em mercados como Uruguai e Paraguai, o que limitou o potencial de expansão mais uniforme.
Ainda assim, o principal ponto de atenção foi o aumento no custo do gado, que pressionou diretamente as margens. A margem bruta caiu 277 pontos-base na comparação anual, evidenciando um cenário mais desafiador para a rentabilidade da Minerva no período.
EBITDA frustra e despesas operacionais pesam
O EBITDA da Minerva no 4TRI25 somou R$ 1,17 bilhão, crescimento de 24% em relação ao ano anterior, mas abaixo das expectativas do mercado. A margem EBITDA recuou para 8,2%, refletindo tanto a pressão de custos quanto o aumento das despesas.
As despesas gerais e administrativas (SG&A) foram um dos principais vetores negativos. Embora tenham melhorado na base anual, vieram acima do esperado na comparação sequencial, pressionando ainda mais a lucratividade no trimestre.
Esse conjunto de fatores explica a reação negativa do mercado. Mesmo com crescimento operacional, a leitura é de deterioração de eficiência no curto prazo, o que costuma impactar diretamente as expectativas futuras.
Fluxo de caixa negativo e alívio na alavancagem
Outro ponto que chamou atenção no 4TRI25 da Minerva foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 408 milhões, refletindo maiores necessidades de capital de giro após um terceiro trimestre mais forte.
Por outro lado, a companhia apresentou melhora na alavancagem. A relação dívida líquida/EBITDA caiu para 2,6 vezes, beneficiada pelo recente aumento de capital. No acumulado de 2025, o fluxo de caixa livre ainda mostra solidez, com yield de 36%.
Segundo o Safra, apesar dos resultados abaixo do esperado no 4TRI25, a Minerva segue com fundamentos atrativos no médio prazo, sustentados por uma dinâmica global favorável de oferta e demanda de carne bovina. Ainda assim, o banco alerta que revisões negativas de lucro podem ocorrer diante do cenário mais pressionado no Brasil.






