A Kering (EPA: KER), conglomerado francês proprietário de marcas como Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta e Balenciaga, registrou receita de € 3,35 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26). O valor ficou praticamente em linha com a estimativa de € 3,34 bilhões dos analistas, mas a queda de 6% nas vendas comparáveis da Gucci provocou uma reação negativa no mercado financeiro.
Os ADRs da companhia, recibos que representam ações negociadas nos Estados Unidos, recuaram mais de 4% nesta quinta-feira (22). A receita consolidada permaneceu estável em termos reportados, enquanto a variação em base comparável foi negativa em 1%.
Segundo Luca de Meo, CEO da Kering, o faturamento trimestral acompanhou as expectativas da administração diante de um ambiente macroeconômico mais fraco.
Gucci registra queda nas vendas na Ásia
A Gucci encerrou o trimestre com receita de € 1,29 bilhão, retração de 4% em base reportada. Nas lojas próprias e demais operações de varejo, as vendas comparáveis diminuíram 9%, afetadas pela redução no fluxo de consumidores, sobretudo na China continental e no Japão.
A América do Norte apresentou maior resistência à desaceleração. Na região, a grife registrou melhora na taxa de conversão, no preço médio dos produtos e no valor médio das compras.
Já o canal de atacado cresceu 45%, avanço calculado sobre uma base de comparação baixa.
A administração da Kering mantém a recuperação da Gucci entre suas prioridades. A marca representa uma parcela relevante do faturamento do conglomerado e tem influência direta sobre os resultados consolidados.
Saint Laurent e Bottega Veneta registram crescimento no varejo
A divisão de Moda e Artigos de Couro somou € 2,74 bilhões em receita, queda de 3% em base comparável.
Sem considerar a Gucci, as vendas no varejo das demais marcas cresceram 2%, impulsionadas por Saint Laurent, Bottega Veneta e Brioni.
Na Balenciaga, as linhas de prêt-à-porter, segmento de roupas prontas para vestir, e calçados permaneceram pressionadas durante o período.
As diferenças entre as marcas mostram como as mudanças no consumo de produtos de luxo têm afetado as operações do conglomerado de maneiras distintas.
Joalheria cresce 11% e Kering Eyewear avança 4%
Fora do segmento de moda, a divisão de joalheria da Kering alcançou receita de € 239 milhões, crescimento de 11% em base comparável.
A Kering Eyewear, divisão dedicada ao mercado de óculos, faturou € 373 milhões, alta de 4% na mesma comparação.
As duas operações encerraram o trimestre com expansão de receita, enquanto a principal marca do conglomerado apresentou retração.
Kering amplia plano de fechamento de lojas em 2026
Entre janeiro e setembro, a Kering acumulou receita de € 10,57 bilhões, redução de 2% em termos reportados e estabilidade em base comparável.
Para o ano completo, a estimativa dos analistas é de faturamento de € 14,55 bilhões.
A companhia também confirmou a meta de melhorar sua margem operacional recorrente em 2026 e ampliou o programa de redução da rede física.
Até o terceiro trimestre, o fechamento líquido chegou a 105 lojas. A previsão atual é encerrar o ano com pelo menos 125 unidades a menos, considerando o saldo entre aberturas e fechamentos.
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