O Partido Republicano, do presidente Donald Trump, pode perder o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, avalia o BTG Pactual (BPAC11). O banco vê favoritismo democrata na Câmara dos Representantes e uma vantagem mais estreita para a oposição no Senado.
A análise, desta quinta-feira (22), é assinada por Luiza Paparounis e Francisco Lopes.
As chamadas midterms estão marcadas para 3 de novembro e renovam as 435 vagas da Câmara e parte do Senado. O resultado definirá a composição do Congresso que assume em janeiro de 2027.
Câmara favorece democratas; Senado concentra incerteza
Na Câmara, o modelo do The Economist citado pelo BTG aponta cerca de 239 cadeiras democratas e 196 republicanas. São necessários 218 deputados para formar maioria na Casa.
“A eleição para a Câmara continua a favorecer claramente os democratas. A Polymarket atribui uma probabilidade de 92% de controle democrata, enquanto o indicador de intenção de voto para a Câmara do Silver Bulletin aponta vantagem democrata de 8,9 pontos percentuais”, escrevem os analistas.
No Senado, a projeção central do próprio BTG é de 51 cadeiras para o bloco democrata e 49 para os republicanos. Na Polymarket, a probabilidade de controle democrata citada pelo relatório é de 65%.
A margem, porém, é apertada. O intervalo apresentado pelo banco, com probabilidade de 80%, vai de 50 a 53 cadeiras democratas. Pequenas diferenças nos resultados estaduais podem, portanto, alterar o controle da Casa.
“O mapa do Senado continua estruturalmente desafiador: os democratas precisam defender Michigan, New Hampshire e Geórgia e conquistar quatro das seis cadeiras republicanas competitivas para chegar a 51”, afirma o relatório.
O cenário eleitoral também incorpora a baixa aprovação de Trump. Na média de pesquisas de 15 institutos reunida pelo BTG, 36,7% aprovam o presidente e 60,5% desaprovam, saldo negativo de 23,8 pontos percentuais.
O banco lembra que o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 18 das 20 eleições de meio de mandato entre 1946 e 2022. O padrão histórico favorece a oposição, mas, segundo a análise, não determina o tamanho de uma eventual mudança.
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O que mudaria para a agenda de Trump
Uma maioria democrata nas duas Casas ampliaria o poder da oposição sobre a pauta legislativa, a fiscalização do governo e a confirmação de indicados, avalia o BTG. Se a vitória se restringir à Câmara, os democratas poderiam barrar projetos e novas dotações orçamentárias, enquanto um Senado republicano facilitaria as nomeações do Executivo.
A equipe também vê espaço para maior pressão sobre a política externa, por meio de decisões sobre financiamento militar, autorizações para uso da força e fiscalização. O comando das Forças Armadas continuaria com o Executivo.
Na política fiscal, o relatório destaca o Medicaid, programa de saúde voltado à população de baixa renda. Segundo o BTG, o Congresso que assume em 2027 poderia discutir adiamentos ou reversões parciais de medidas aprovadas em 2025, antes da entrada em vigor dos principais cortes de financiamento.
Essas mudanças teriam custo fiscal. Em uma simulação ilustrativa, baseada nas estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO), o banco calcula que reverter 10% da economia prevista para 2027–2034 elevaria o déficit em aproximadamente US$ 87 bilhões, sem medidas compensatórias e excluindo juros.
Mesmo com uma vitória democrata, Trump manteria o poder de veto. Por isso, a avaliação do banco é de que mudanças dependeriam de negociação com a Casa Branca ou de apoio republicano suficiente para superar esse obstáculo.
“Negociar ajustes pontuais é o desfecho mais plausível. Uma reversão ampla exige um acordo com Trump ou apoio republicano para derrubar seu veto”, concluem os analistas.






