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IPO da Shein avança em Hong Kong e pode avaliar empresa em até US$ 50 bi

IPO da Shein avança em Hong Kong e pode avaliar empresa em até US$ 50 bi

Aval regulatório abre caminho para a listagem, enquanto avanço da plataforma amplia a pressão competitiva sobre o varejo brasileiro

O IPO da Shein em Hong Kong entrou em sua etapa final após a varejista receber autorização da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, a CSRC. Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11) divulgado nesta segunda-feira (13), a companhia deve buscar uma avaliação entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões.

A estimativa é uma redução expressiva em relação aos US$ 100 bilhões alcançados pela Shein em uma avaliação privada realizada em 2022. Na rodada de captação seguinte, em 2023, a empresa foi avaliada em US$ 66 bilhões.

De acordo com informações da Reuters, citadas pelo BTG, a estreia na Bolsa de Hong Kong pode ocorrer entre os meses de setembro e outubro. Antes disso, a companhia ainda precisa superar as etapas conduzidas pelo comitê de listagem da bolsa.

O avanço do IPO da Shein ocorre após quase dois anos de incertezas regulatórias e de tentativas frustradas de abertura de capital em Nova York e Londres. Mesmo com a avaliação menor, o BTG calcula que a Shein permaneceria entre as maiores companhias de vestuário listadas do mundo em valor de mercado.

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IPO da Shein chega com avaliação menor

A faixa de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões seria um desconto entre 50% e 60% diante da avaliação alcançada em 2022. Na comparação com a captação de 2023, a redução ficaria entre aproximadamente 24% e 39%.

Para os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG, essa diferença foi uma mudança nos critérios adotados pelos investidores. O mercado passou a dar maior peso à rentabilidade, à geração de caixa, à governança e à previsibilidade regulatória, enquanto reduziu os múltiplos destinados a empresas de internet voltadas ao consumo e com crescimento acelerado.

Ainda assim, o porte da operação manteria a Shein em uma posição de destaque entre as varejistas de todo o mundo. A companhia registrou receita de aproximadamente US$ 38 bilhões em 2024, comercializa produtos em mais de 160 países e emprega mais de 16 mil pessoas.

O IPO também colocará sob maior escrutínio as informações financeiras e operacionais da empresa, até então mantidas com menor nível de divulgação por se tratar de uma companhia fechada.

Tecnologia e cadeia de fornecedores sustentam expansão

O BTG atribui parte do crescimento da Shein ao modelo desenvolvido para identificar tendências, testar produtos e ajustar rapidamente a produção. A empresa monitora buscas, redes sociais e dados de compras para decidir quais itens serão oferecidos aos consumidores.

Novos produtos podem sair do desenho e chegar à fabricação em um intervalo de três a sete dias. Os lotes iniciais costumam ter cerca de 100 peças e apenas os produtos com vendas mais fortes recebem novos pedidos, reduzindo o risco de estoques elevados e de descontos para eliminar coleções antigas.

Para o BTG, a combinação entre inteligência artificial, dados em tempo real e integração com milhares de fornecedores permanece como um dos principais diferenciais da empresa.

“Escala, tecnologia e cadeia de suprimentos continuam sendo vantagens competitivas poderosas”, afirma o banco.

A Shein também anunciou um investimento de US$ 1,5 bilhão para reforçar seu ecossistema de produção na província chinesa de Guangdong. Paralelamente, a companhia amplia seu marketplace com vendedores terceiros e novas categorias de produtos, estratégia que pode diversificar as receitas e reduzir a necessidade de capital próprio para financiar a expansão.

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Pressão regulatória será um dos testes do IPO

Apesar do crescimento, o BTG alerta que o ambiente operacional ficou mais complexo. Estados Unidos e países europeus vêm endurecendo as regras para importações de baixo valor, benefícios aduaneiros e conformidade dos produtos vendidos por plataformas internacionais.

A companhia também enfrenta questionamentos relacionados às condições de trabalho de fornecedores, à sustentabilidade e à transparência de sua cadeia de produção. Na avaliação do banco, essas exigências podem elevar os custos de conformidade e afetar parte das vantagens que favoreceram a expansão internacional da Shein.

Outro desafio será a concorrência. Temu, TikTok Shop e Amazon (AMZN; AMZO34) continuam investindo em plataformas e iniciativas voltadas ao comércio de produtos de baixo custo. Diante desse cenário, os investidores devem observar se a Shein conseguirá preservar o crescimento e, ao mesmo tempo, apresentar rentabilidade e geração de caixa.

Shein cresce 34% no Brasil e pressiona varejistas locais

O Brasil aparece no relatório como um dos principais exemplos da capacidade de adaptação da Shein. Após as mudanças tributárias e aduaneiras para as compras internacionais, a empresa ajustou preços, ampliou iniciativas de produção local e reorganizou sua estrutura logística.

Dados da Sensor Tower compilados pelo BTG mostram que os usuários ativos mensais da Shein no Brasil cresceram 34% no segundo trimestre de 2026, na comparação anual. Foi o maior avanço entre as grandes plataformas internacionais monitoradas pelo banco.

No mesmo período, o número de usuários ativos aumentou 27% no AliExpress, 17% no Mercado Livre, 16% na Amazon e 9% na Shopee.

O BTG também identificou que a Shein mantém uma vantagem de preços de dois dígitos sobre varejistas brasileiras de vestuário em uma cesta de produtos comparáveis. A diferença é mais expressiva nos itens de entrada, direcionados aos consumidores mais sensíveis aos preços.

Para o banco, o eventual IPO reforça que a concorrência das plataformas internacionais deixou de ser uma pressão temporária sobre o varejo brasileiro.

“A concorrência internacional está se tornando cada vez mais estrutural, e não cíclica”, aponta o relatório.