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SpaceX reduz prejuízo e receita sobe 92% no 2T26

SpaceX reduz prejuízo e receita sobe 92% no 2T26

Companhia perde US$ 541 milhões, enquanto Ebitda ajustado alcança US$ 3,5 bilhões e Starlink chega a 12 milhões de clientes

A SpaceX (SPCX; SPCX34) registrou prejuízo líquido de US$ 541 milhões no segundo trimestre de 2026, redução de 46% frente à perda de US$ 1,01 bilhão apurada no mesmo período do ano anterior.

Na comparação com o primeiro trimestre, o prejuízo diminuiu 87%. A perda dos três primeiros meses do ano foi de US$ 4,28 bilhões, considerando a diferença entre o resultado semestral e o valor divulgado para o 2T26.

A receita da companhia alcançou US$ 7,81 bilhões, crescimento de 92% em um ano e de 66,5% frente ao trimestre anterior. Este foi o primeiro balanço trimestral da SpaceX desde a abertura de capital realizada em junho.

O Ebitda ajustado, métrica que desconsidera despesas como depreciação, remuneração baseada em ações e juros, somou US$ 3,54 bilhões. O valor avançou 191% na comparação anual e 214% no trimestre.

A margem Ebitda ajustada subiu de 29,8% no 2T25 e de 24% no primeiro trimestre para 45,3%. Apesar da melhora, a SpaceX ainda apresentou prejuízo operacional de US$ 143 milhões.

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“2026 tem sido um ano marcante até aqui, e o segundo trimestre demonstrou o verdadeiro poder da SpaceX. O crescimento da receita acelerou em todos os segmentos”, afirma a SpaceX em nota do balanço. 

O segmento de conectividade, que reúne principalmente as operações da Starlink, continuou sendo o principal negócio da SpaceX. A divisão respondeu por aproximadamente 55% da receita consolidada do trimestre.

A receita de conectividade somou US$ 4,29 bilhões, altas de 66% em um ano e de 32% frente ao primeiro trimestre.

A receita obtida com consumidores cresceu 44% na comparação anual, para US$ 2,49 bilhões. Já o faturamento com empresas e governos mais que dobrou, com avanço de 108%, para US$ 1,81 bilhão.

O número de assinantes da Starlink chegou a 12 milhões ao fim de junho, o dobro do registrado um ano antes e 1,7 milhão acima da base do primeiro trimestre. A receita média mensal por cliente permaneceu em US$ 66, mas recuou frente aos US$ 85 do 2T25.

O lucro operacional da divisão cresceu 79%, para US$ 1,66 bilhão. O Ebitda ajustado atingiu US$ 2,6 bilhões, alta anual de 64%.

“Nossa liderança em lançamentos, o crescimento dos assinantes da Starlink e as novas parcerias empresariais e governamentais sustentam nossa capacidade de ganhar escala”, diz a SpaceX.

A companhia também recebeu mais de US$ 6 bilhões em contratos plurianuais do governo dos Estados Unidos para a Starshield, rede de satélites desenvolvida para comunicações e aplicações de segurança nacional.

Na frente empresarial, a Starlink fechou um acordo com a American Airlines e iniciou serviços em companhias como Southwest, Virgin Atlantic, Iberia e Aer Lingus.

Receita de inteligência artificial mais que triplica

A inteligência artificial tornou-se a segunda maior fonte de receita da SpaceX, responsável por quase 33% do faturamento consolidado.

A receita da divisão alcançou US$ 2,56 bilhões, crescimento de 247% na comparação anual e de 213% frente ao primeiro trimestre.

O resultado foi impulsionado pelos serviços e pela infraestrutura de inteligência artificial, cuja receita saltou de US$ 311 milhões para US$ 2,19 bilhões em um ano. Em contrapartida, o faturamento com publicidade recuou 14%, para US$ 367 milhões.

A divisão ainda apresentou prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão. A perda, porém, diminuiu 18% em um ano e 49% frente ao primeiro trimestre.

O Ebitda ajustado da área ficou positivo em US$ 1,15 bilhão, revertendo resultados negativos de US$ 609 milhões no 1T26 e de US$ 276 milhões no mesmo período do ano anterior.

“Entregamos forte alavancagem operacional, com expansão significativa das margens liderada por nossos novos acordos de capacidade computacional”, afirma a diretoria financeira.

A SpaceX fechou contratos de serviços em nuvem que totalizam US$ 14,1 bilhões em vendas contratadas. Esses acordos acrescentaram US$ 1,6 bilhão à receita de infraestrutura de inteligência artificial no trimestre.

Os investimentos da divisão atingiram US$ 15,83 bilhões, mais que o dobro do primeiro trimestre e 21 vezes acima do 2T25. A área de inteligência artificial concentrou 86% dos investimentos totais da companhia.

A SpaceX também anunciou um acordo para comprar a Cursor por US$ 60 bilhões. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre. Em julho, após o encerramento do balanço, a companhia lançou o Grok 4.5.

Negócio espacial amplia receita, mas segue deficitário

O segmento espacial registrou receita de US$ 962 milhões, avanço de 29% em um ano e de 55% frente ao primeiro trimestre.

A expansão ocorreu mesmo com a redução do número total de lançamentos. A SpaceX realizou 38 missões no período, ante 40 no 1T26 e 46 no segundo trimestre de 2025.

Os lançamentos para clientes aumentaram de sete para dez no trimestre. Já as missões internas diminuíram de 33 para 28. A massa transportada à órbita recuou para 485 toneladas, diante de 556 toneladas no trimestre anterior.

O prejuízo operacional da divisão espacial foi de US$ 542 milhões, acima da perda de US$ 369 milhões registrada um ano antes, mas inferior aos US$ 662 milhões negativos do 1T26.

As despesas com pesquisa e desenvolvimento cresceram 55%, para US$ 1,08 bilhão, com a continuidade dos investimentos no programa Starship.

Em maio, a companhia realizou o primeiro voo suborbital da Starship V3. Um novo teste foi concluído em julho, depois do encerramento do trimestre, com o lançamento de 20 satélites Starlink V3 e o religamento de um motor Raptor no espaço.

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IPO eleva caixa da SpaceX para US$ 100 bilhões

A SpaceX encerrou junho com US$ 93,52 bilhões em caixa e US$ 6,49 bilhões em títulos negociáveis. Somadas, as duas posições alcançaram aproximadamente US$ 100 bilhões.

O aumento ocorreu após a oferta pública inicial, concluída em 15 de junho, que levantou US$ 85,7 bilhões líquidos. As ações começaram a ser negociadas na Nasdaq em 12 de junho, sob o ticker SPCX.

A companhia também realizou uma emissão de US$ 25 bilhões em títulos de dívida. Com isso, sua dívida e seus contratos de arrendamento somaram US$ 39,36 bilhões ao fim do trimestre, ante US$ 22,9 bilhões em dezembro.

O total de ativos chegou a US$ 192,77 bilhões, mais que o dobro dos US$ 92,08 bilhões registrados no fim de 2025. A carteira de contratos da SpaceX encerrou o trimestre em US$ 47,5 bilhões.

“Essa força financeira nos dá capacidade substancial para investir em Starship, nos satélites da Starlink e em nossa plataforma de inteligência artificial”, afirma a diretoria financeira.

Os investimentos totais da SpaceX alcançaram US$ 18,37 bilhões no trimestre, alta de 550% em um ano e de 82% frente aos três primeiros meses de 2026.